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Estado de Minas

Mel Lisboa conta em quem se inspirou para viver jornalista em série da Netflix

Atriz é uma das protagonistas de 'Coisa mais linda', que mostra quatro mulheres vivendo no Rio de Janeiro na época do surgimento da bossa nova


postado em 29/03/2019 05:08 / atualizado em 29/03/2019 08:27

Cena da nova produção brasileira da Netflix, que tem quatro mulheres como protagonistas, vivendo no Rio de Janeiro na época do surgimento da bossa nova (foto: Netflix/Reprodução)
Cena da nova produção brasileira da Netflix, que tem quatro mulheres como protagonistas, vivendo no Rio de Janeiro na época do surgimento da bossa nova (foto: Netflix/Reprodução)


A paulistana de classe média Maria Luísa (Maria Casadevall) busca ganhar sua independência financeira e emocional no Rio de Janeiro, depois de ser deixada pelo marido. A empregada doméstica Adélia (Pathy Dejesus) luta para sustentar a filha, enquanto lida com a face do racismo no Brasil dos anos 1950. A aspirante a cantora Lígia (Fernanda Vasconcellos) tem um marido agressor e sofre calada, sem conseguir se livrar da relação. A jornalista Theresa (Mel Lisboa) é a única mulher na Redação de uma revista feminina que emprega homens eminentemente machistas. Coisa mais linda, produção brasileira que a Netflix lançou neste mês, entrelaça as histórias dessas quatro mulheres.

Embora a trama transcorra na década de 50, as questões tratadas pela série encontram eco nos grandes debates atuais da sociedade brasileira relacionados às questões de gênero e igualdade de direitos e oportunidades, assim como a sororidade – a força da empatia e da união entre mulheres.

“Quando você assiste a uma série de época, há um distanciamento. Isso lhe dá um conforto, porque você pensa: ‘Ah, já mudou muito. Isso foi há 70 anos’. Mas ali (em Coisa mais linda) você se sente incomodada, porque percebe que muitas coisas permanecem iguais”, afirma Mel Lisboa. A criação e a produção da série são da americana Heather Roth e do brasileiro Giuliano Cedroni. Três profissionais se revezaram na direção dos sete episódios – Caio Ortiz, Hugo Prata e Julia Rezende.

Mel comenta que, para compor a personagem de Theresa, ela se inspirou sobretudo na escritora Clarice Lispector (1920-1977) e na filósofa francesa Simone de Beauvoir (1908-1986), autora de O segundo sexo, entre outros. “Clarice, por ser uma escritora dessa mesma época (1950/1960) e ter trabalhado em revistas, e a Simone pela sua filosofia de existencialismo e pela consciência feminista”, explica a atriz.

REVISTA

Ao se preparar para o papel, Mel Lisboa procurou ler também publicações semelhantes à fictícia revista Ângela, na qual sua personagem trabalha. “É chocante ver o que era esperado do comportamento de uma mulher”, diz ela, que define Theresa como uma mulher “à frente de seu tempo”. A atriz encara Coisa mais linda como “um convite à conscientização” do público a respeito dos temas de que trata, sem necessariamente adotar um tom panfletário. “Acredito que a série traz as pessoas para uma reflexão. E nisso estão incluídas pessoas que já têm essa consciência e aquelas que ainda não têm.”

Foi com uma minissérie da Globo – Presença de Anita (2001) – que Mel Lisboa fez sua meteórica estreia na TV. Hoje, a atriz diz perceber a importância do fomento de produções com protagonistas femininas. “É voltar o olhar para o ponto de vista da mulher. O cinema, a TV e o teatro focaram no ponto de vista do homem por tempo demais”, afirma. Ela comenta que, embora os anos 1950 e 1960 já tenham sido muito retratados em filmes e séries, isso não se deu sob o ponto de vista de uma mulher. Como exemplo, Mel cita Mad men (2007), cujas personagens femininas são importantes, mas o protagonista é um homem. “Apesar de que ainda muitos desses comportamentos (machistas) persistam, tivemos vitórias – pequenas, árduas e difíceis, mas que devem ser celebradas.”

Mel diz que “gostaria de conhecer alguma mulher que não passou por situações similares” às de sua personagem, “mas, infelizmente, ela não existe”.

*Estagiária sob a supervisão da editora Silvana Arantes


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