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Estado de Minas

Livro oferece um resumo da história de Minas Gerais

Obra traça um panorama da saga mineira desde os primeiros habitantes do território, há 13 mil anos. Um dos autores, José Maria Rabêlo destaca a importância dos índios para a formação do estado


postado em 24/03/2019 05:08

Escravos trabalham em Ouro Preto, polo aurífero mundial no século 18(foto: Johann Moritz Rugendas/reprodução)
Escravos trabalham em Ouro Preto, polo aurífero mundial no século 18 (foto: Johann Moritz Rugendas/reprodução)


Oferecer um levantamento abrangente da formação de Minas Gerais – dos tempos pré-históricos à contemporaneidade. Esse é o propósito do livro História geral de Minas (Legraphar), com prefácio do escritor Rui Mourão. Os autores são João Antônio de Paula, diretor do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais (Cedeplar/UFMG), o jornalista José Maria Rabêlo, o sociólogo e ensaísta Fernando Correia Dias e Ricardo Moura Faria, coordenador do curso de história do UNI/BH.

O livro aborda a evolução de Minas a partir da chegada de seus primitivos habitantes, originários da África, há cerca de 13 mil anos. Figura emblemática desse período é Luzia, o mais antigo fóssil humano das Américas, encontrado em Lagoa Santa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.  Considerada “a primeira brasileira”, Luzia tem 11,4 mil anos – seu crânio foi resgatado, em outubro, em meio aos escombros do prédio do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, destruído por um incêndio em setembro de 2018.

Posteriormente a Luzia, o território mineiro foi ocupado por indígenas, dizimados pelos bandeirantes a partir do século 17.

Os anos 1700 ganharam destaque especial na obra. Nesse período, Minas se tornou um dos mais importantes polos da economia mundial, graças a suas ricas reservas de ouro e diamantes. Elas financiaram a reconstrução de Lisboa, destruída pelo terremoto de 1755, e também contribuíram para viabilizar a Revolução Industrial, na Inglaterra, ponto de partida do capitalismo moderno.

O livro chama a atenção para o barroco e o processo da Inconfidência Mineira. Os autores abordam a consolidação do Brasil como nação, sobretudo depois da abolição da escravatura e da Proclamação da República. Nos séculos 20 e 21, processos de industrialização e urbanização projetaram mundialmente o país. Minas Gerais liderou rankings econômicos brasileiros, participando ativamente de fatos que mudaram a história do país – Revolução de 1930, Estado Novo, o regime militar e a redemocratização, por exemplo.

ERRO O jornalista José Maria Rabêlo diz que a história de Minas “sempre foi contada de maneira errada” e esse é um dos motivos para o lançamento do livro.

“Acho muito esquisito que essa história começasse com a chegada dos bandeirantes, no século 17. Uai, antes não havia ninguém? Aqui era um deserto? Essas eram sempre as minhas perguntas. Aí, diziam: ‘Uai, havia os índios!’. Isso não me convencia”, afirma.

Os índios, enfatiza o jornalista, são fundamentais para a formação de Minas. “Qual era a história deles? Vieram da África? Como? Na realidade, essa longa história começa há 10 mil ou 12 mil anos. O povo da Luzia veio do Norte da África, passou pela Ásia e chegou à América do Sul. Brasil e Argentina foram os últimos países a serem povoados”, lembra. E adverte: “Já havia gente aqui antes dos bandeirantes. A história que se ensina nas escolas sobre o assunto está errada.” Rabêlo também destaca a importância dos negros na formação do estado.

Ricardo de Moura Faria ficou feliz em receber o convite de Rabêlo para participar do projeto. Foi encarregado do capítulo final, relativo ao século 20 e ao início dos anos 2000. “Particularmente, não sou especialista em história de Minas Gerais, embora já tenha escrito um livro sobre o tema em parceria com a professora Helena Guimarães Campos, publicado em 2006 pela Editora Lê. Também organizei o Dicionário ilustrado da Inconfidência Mineira, que foi distribuído gratuitamente às escolas estaduais”, conta.

Autoral O professor ressalta que não há interpretação única da história. “Fiz um capítulo autoral, estou aberto a críticas. O que ali está é a minha visão particular da história mineira. Sei que existem outras, mas um debate historiográfico não caberia nesse livro. Ele se tornaria essencialmente acadêmico e não era esse o objetivo”, afirma.

Em sua análise, Faria enfatiza o papel de Minas em fases emblemáticas da história do país, seja como protagonista da política do café com leite e da República Velha, seja nos momentos em que Juscelino Kubitschek e Itamar Franco governaram o Brasil.

“Abordo aspectos econômicos, dando ênfase ao crescimento da indústria a partir dos anos 1970, mas sem ignorar o extrativismo mineral e a agropecuária. Aspectos sociais e culturais também foram levados em conta: a urbanização, o êxodo rural, as lutas sociais, os direitos dos trabalhadores industriais conquistados com dezenas de greves, a luta das mulheres para garantir seus direitos”, resume.

“Concluímos com uma análise das questões culturais, falando um pouco do teatro, cinema, dança, música erudita e popular, artes plásticas, literatura, ciência e festas populares”, diz Faria.


HISTÓRIA GERAL DE MINAS
• De José Maria Rabêlo, João Antônio de Paula, Fernando Corrêa Dias e Ricardo Moura Faria
• Editora Legraphar
• 392 páginas
• Preço sugerido: R$ 60


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