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BEM NA FITA

Empresa francesa produz milhares de K-7 por mês e exporta o produto para 30 países. Presidente da companhia aposta em necessidade de "possuir objetos"numa época em que "tudo se desmaterializa"


postado em 24/03/2019 05:08

A linha de produção de fitas K-7 da Mulann, que destinou cinco de seus 40 funcionários para a produção desse formato (abaixo)(foto: Fotos CHARLY TRIBALLEAU/AFP)
A linha de produção de fitas K-7 da Mulann, que destinou cinco de seus 40 funcionários para a produção desse formato (abaixo) (foto: Fotos CHARLY TRIBALLEAU/AFP)

Acreditava-se que ela estava enterrada junto com os aparelhos de vídeo VHS ou as cabines telefônicas, mas a fita cassete de áudio (K7) voltou a ser fabricada na França por uma empresa que já exporta o produto para aproximadamente 30 países.
Desde 2017, vários profissionais correram para a porta dessa pequena empresa situada próxima ao turístico Monte San Michel (Noroeste), especializada na fabricação de fitas magnéticas. O motivo: em meio ao domínio do CD e do streaming, as K7 ganharam nova vida por conta do crescimento da base de fãs do formato.
 
“Nós nos demos conta de que estava acontecendo algo que não acompanhamos inicialmente”, afirma Jean-Luc Renou, presidente da Mulann, empresa que movimenta cerca de 5 milhões de euros (R$ 21,5 milhões).
 
Especializada em vender fitas magnéticas para os bilhetes do metrô e pedágios, a companhia que tem cerca de 40 empregados decidiu aproveitar a oportunidade: dedicou cinco pessoas para o desenvolvimento de fitas cassete, que começaram a ser comercializadas duas décadas depois de a produção do formato ter sido encerrada na França.

METROS “Partimos de uma fórmula química que já tínhamos para a fita de áudio de gama alta. Tivemos que resolver alguns problemas técnicos e de corte”, diz Renou, destacando que o grau de precisão é medido em micro. Entre máquinas e o forte cheiro de solvente, Laurent, “operador de corte” segundo o termo funcional exato, verifica minuciosamente a qualidade da produção. “Em formatos de 60 minutos, usamos 89 metros de fita!”, explica.
 
As K-7, com um design vintage laranja e preto, são vendidas a 3,49 euros (R$ 15) a unidade. São produzidas milhares ao mês. A empresa vende 95% de sua produção para países como Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Malta, Suécia, Israel e Uzbequistão, explica Théo Gardin, diretor comercial, de 27 anos, que revela que nunca conheceu os inconvenientes do toca-fitas, quando a K-7 embolava e a saída era usar uma caneta esferográfica para rebobiná-la.
 
Para explicar esse renascimento, Ronan Gallou, diretor-geral da Mulann, aponta a necessidade de “possuir objetos” numa época em que “tudo se desmaterializa”. “Quando alguém ouve música no Spotify ou Deezer, o comum é não ouvir uma canção inteira, passa-se facilmente para outra. Com uma cassete, ouve-se o álbum inteiro”, diz Gallou, destacando que foi lançada recentemente neste formato a trilha sonora do filme Bohemian rhapsody, sobre a história de Freddie Mercury e o Queen.
 
Para Jean-Luc Renou, ainda existe um pequeno espaço para o som analógico no universo da música. “Vamos usar como exemplo o aquecimento: temos os aparelhos aquecedores em casa, é cômodo, isso é o digital. Mas também podemos nos esquentar em frente ao fogo de uma lareira, que é algo que nos remete ao passado, isso é a fita cassete e o disco de vinil”, afirma. (AFP)


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