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Estado de Minas

Recordando encontros


postado em 21/03/2019 05:12



Em minha longa carreira neste jornal (60 anos), participei de tempos que não voltam mais, quando a redação era ponto de encontro e de presença de pessoas importantes de todos os setores nacionais. O único arrependimento que tenho foi não ter aproveitado o fim de semana que Cyro Siqueira, então editor-chefe, montou com a presença de Pedro Nava – o escritor cujas memórias se tornaram minha leitura predileta. Numa burrice sem tamanho, tinha outro programa, que poderia ser adiado, mas não adiei.

Com Jorge Amado – que foi capa deste caderno na última terça-feira, por causa de um livro lançado sobre seu trabalho –, tive a sorte de passar uma tarde inteira. E num lugar inusitado: comendo frango ao molho pardo no Maria das Tranças, que funcionava em seu primeiro endereço, modesta casa de cozinha mineira, onde só iam os muito informais. O organizador foi o surpreendente Saulo Diniz, de quem tenho muitas saudades e criava programas incríveis. Um deles foi “Eu vi Brasília e conheci as metas”, realizado por ele antes da inauguração da cidade. Voamos para lá da Pampulha, em aviões militares. Passamos o dia inteiro visitando as obras, ganhando diploma e discurso de Saulo.

Mais emocionante e mais curta – durou pouco mais de uma hora – foi a visita que fiz a Carlos Drummond de Andrade no Ministério da Cultura, no Rio de Janeiro. Fui conseguir dele a liberação do poema O caso do vestido, transformado num surpreendente balé por Klauss Vianna. O espetáculo já tinha sido mostrado aqui em BH, mas iria para o Rio, no Teatro da Maison de France.

Drummond foi simpático, interessado, contei mais ou menos o desenrolar do espetáculo e convidei-o para ver sua obra dançada no palco. Ele agradeceu muito, mas declinou do convite – raramente ia a espetáculos. Não foi, mas a estreia dos mineiros no Rio teve outra presença marcante, a do general Humberto de Alencar Castelo Branco, primeiro presidente da ditadura militar que se instalou no país, acompanhado da filha Antonieta. A razão da presença era familiar, a mulher do general era prima de Klauss Vianna.

Mais alegres e informais eram meus encontros com Fernando Sabino, belo-horizontino que aqui aparecia de vez em quando. Integrante de um grupo animado, participava dos jantares dançantes promovidos aos domingos no Iate Tênis Clube. Dançávamos uma vez ou outra, e ele não acreditava que eu fazia coluna social. De brincadeira ou picardia, dizia que eu escrevia era sobre política.

Naquela mesma Pampulha, encontrei com a superpersonalidade nacional, o jornalista Assis Chateaubriand, que foi à abertura do teatro do Museu de Arte assistir a uma peça de atores mineiros. Recebi-o com honras, pois participava da promoção. Depois, voltei a vê-lo na casa de seu irmão, Oswaldo Chateaubriand, que durante muitos anos dirigiu este jornal. Ele era visitado sempre pelo criador dos Diários Associados, a maior empresa de jornalismo que já existiu neste país.

Por conhecer o criador do Estado de Minas, assisti, com a maior admiração e agrado, à série Dossiê Chatô – O rei do Brasil, exibida no Canal Brasil. Foi puro acaso e sorte – de férias, consegui ver três dos sete episódios dirigidos por Walter Lima Jr. Adorei todos eles: o primeiro com o personagem que nasceu gago e, na primeira infância, só lia em alemão; o segundo sobre sua passagem pela Inglaterra, como embaixador brasileiro (presenteou a rainha Elizabeth com um colar de águas-marinhas incrível, que ela usa até hoje); e o terceiro, sobre suas andanças amorosas. Esse, então, foi superespecial, pois participavam amigos e conhecidos meus: a filha dele, Tereza, com o marido, Leonardo Alkmim, o sobrinho Freddy Chateaubriand, Eugênio Silva, Fernando Moraes e Aimée de Heren – a milionária do jet-set internacional. Ela era amiga de Chateaubriand, o homem que deu ao Brasil o primeiro canal de TV e o superlativo Museu de Arte Moderna de São Paulo (Masp), que leva o seu nome.


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