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Estado de Minas

BÊBADO COMO UM GAMBÁ


postado em 18/03/2019 05:12

O bicho pode estar bêbado ou bêbedo, tanto faz. É vulgarmente chamado de saruê – ou timbu, em Pernambuco. Segundo o testemunho de Vicente Yáñez Pinzón, foi o primeiro animal do Novo Mundo conhecido na Europa. Seu nome, do tupi gã’bá ou guaambá, designa seio oco, abertura ventral em forma de bolsa, característica dos marsupiais como o canguru e o próprio gambá.

Ele não tem fama lisonjeira por causa de seu repugnante odor, produzido pelas glândulas axilares e usado como defesa em caso de perigo iminente – o agressor fica zonzo e acaba sumindo. Já a fêmea, veja você, costuma exalar o tal fedor para atrair a atenção de eventuais pretendentes – há gosto pra tudo...

Mas por que ele fica bêbado? Há duas explicações geralmente aceitas. A primeira: em certos lugares do interior, para evitar que o gambá ataque as galinhas, as pessoas deixam um copo de cachaça perto do galinheiro. Consumindo a bebida e se embebedando, o bicho não consegue correr atrás da criação. A segunda: como o gambá costuma comer mais que o necessário, fartando-se do sangue de pequenos animais domésticos, fica sonolento, num estado de torpor como a embriaguez.

Já entre os humanos, depois da fase de euforia, o bêbado se torna errático, de convívio quase insuportável, melhor sair de perto dele. Ainda bem que não solta cheiro repulsivo, senão já pensou que horror?

 

 

CANONIZAR – Do latim canonizare, incluir o nome nos livros canônicos, a partir do grego kánon, catálogo. É o ato de inscrever alguém na relação dos santos em função de uma existência que, além de exemplar na caridade, produziu pelo menos dois milagres reconhecidos pelo Vaticano, processo demoradíssimo que exige provas cabais. Curiosamente, apesar de ser o maior país católico do mundo, só em 2007 o Brasil teve seu primeiro santo, Frei Galvão, canonizado pelo papa Bento XVI. O México, bem menos fervoroso, tem nada menos de 30 em seus altares, o que deve embatucar muito fiel daqui pela diferença de tratamento. Mas, enfim, o que importa é a santidade no cotidiano de cada um de nós...

TRIBUTO – Do latim tributu, tributo. A palavra, de acepção genérica, desdobra-se em três formas possíveis de imposição: impostos, taxas e contribuição. É a obrigação que o poder público cobra de empresas e cidadãos para (pelo menos teoricamente...) aplicá-la em benefício da sociedade, como relata o tributarista Lourierdes Fiúza dos Santos. Originalmente, a faculdade de tributar estava ligada à tirania, ao despotismo. Era o poder que tinham os vencedores das guerras de exigir dos vencidos coisas, bens e serviços. Muitas guerras tiveram como objetivo o lucro resultante da tributação imposta aos derrotados. A vitória era perseguida menos pelo desejo de conquista territorial que pelos proveitos auferidos do tributo – que voracidade! O Brasil, apesar de ter uma das mais elevadas cargas tributárias do planeta, não dá a seus cidadãos, em contrapartida, equivalência em melhorias e serviços. Bem diz Millôr Fernandes sobre o assunto: “Me tomam tudo e me chamam de contribuinte”...

ESPERANTO – É a mais bem-sucedida tentativa da criação de uma língua universal, ao contrário de outras que caíram no esquecimento. O esperanto, inspirado na palavra esperança, nasceu do idealismo do polonês Lázaro Luiz Zamenhof. Destinava-se não a substituir línguas nacionais, mas a servir como uma língua adicional, uma segunda língua para os seres humanos. Sua proposta é democrática, pois por meio dela uma cultura não é imposta aos novos falantes. Mais que idioma, é uma filosofia de vida, uma forma de união e solidariedade entre os homens através da linguagem falada e escrita. Já pensou você conversar com um chinês nessa língua comum aos dois? Mas o esperanto tem conhecido obstáculos. Como Zamenhof era judeu, seus usuários na Alemanha nazista foram severamente perseguidos por Hitler. Outra tentativa foi o Volapuk, idealizado por Johann Martin Schleyer, alegando que, num sonho, o próprio Deus lhe pedira para criar uma língua internacional, mas o assunto não prosperou. Apesar dos percalços – a ONU o recusou como língua oficial! –, o esperanto se dissemina pelo mundo. Menos do que deveria, mas continuamente. Quem sabe um dia, afinal, a humanidade se entenderá sem precisar de tradutores nem intérprete?

JACU – Ela vem do tupi ya-ku, que come grãos. É uma ave galiforme – ou seja, de aparência galinácea – da família dos cracídeos. Segundo Goeldi, “não se pode formar juízo positivo sobre a inteligência dos jacus”, razão pela qual, em várias regiões do país, o sujeito palerma é conhecido como jacu – menos que ofensa, simples constatação...


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