Continue lendo os seus conteúdos favoritos.

Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. Experimente 15 dias grátis >>

Estado de Minas

Roma, cidade do ódio

Segunda temporada de Suburra exibe os podres do Parlamento, da Máfia e do Vaticano, numa Itália dominada pela extrema-direita que busca lucrar com a crise humanitária dos imigrantes


postado em 17/03/2019 05:14

Os atores Francesco Acquaroli e Eduardo Valdarnini em cena da série italiana Suburra(foto: Netflix/divulgação)
Os atores Francesco Acquaroli e Eduardo Valdarnini em cena da série italiana Suburra (foto: Netflix/divulgação)

A volta ao mundo pela Netflix inclui algumas paradas especiais. Na escala italiana, duas produções se destacam: Gomorra e Suburra, que incluiu recentemente sua segunda temporada no cardápio da plataforma de streaming. Ambas são séries policiais realistas, violentas e conectadas com a realidade local. No caso, Roma é a protagonista.

A segunda temporada de Suburra, que começa três meses depois do desfecho do ano de estreia, afunda-se na lama de uma tríade poderosa: Vaticano, Parlamento e a versão sem caricatura da Máfia. São esses os elementos que movem o roteiro.

A continuação da série abordou um tema explosivo da agenda europeia: a imigração e o fortalecimento do discurso conservador.

Nos últimos anos, o aumento acentuado de postulantes a asilo na Europa criou uma crise humanitária e abriu intenso debate no continente. Todos os anos, pessoas morrem no mar durante travessias em barcos precários e superlotados. Esse fenômeno favoreceu a agenda dos partidos nacionalistas de extrema-direita.

Em Suburra, o discurso de ódio que move setores da classe política europeia em franco crescimento é o combustível de oportunistas instalados no coração do poder. A conta é simples para esses trambiqueiros: serão acolhidos 512 imigrantes (e pagos 35 euros por cada um deles).

O trio de marginais que luta contra todos ganha mais um componente: o político que era de esquerda e trocou de lado no espectro ideológico ao perceber que os ventos estavam mudando. A história, porém, anda em círculos e avança pouco no teatro de operações do submundo do tráfico romano.

A crítica europeia trata a atração como “a resposta italiana a Narcos”, série latina que fez sucesso em 190 países. De fato, existem paralelos, mas Suburra ganha em densidade e interpretação.

Baseada no livro de Giancarlo De Cataldo e Carlo Bonini, a série já rendeu um filme de mesmo nome, em 2015, produzido pela Netflix e dirigido por Stefano Sollima. Sollima, a propósito, também comandou o seriado Gomorra. (Estadão Conteúdo)


Publicidade