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UM JEITO DE CAMINHAR PELA VIDA


postado em 16/03/2019 05:17

O curta documental Maurino dança, sobre o artista plástico Maurino Araújo, terá sua primeira exibição hoje, no MIS Santa Tereza, com entrada franca(foto: Marcelo Sant%u2019Anna/Divulgação)
O curta documental Maurino dança, sobre o artista plástico Maurino Araújo, terá sua primeira exibição hoje, no MIS Santa Tereza, com entrada franca (foto: Marcelo Sant%u2019Anna/Divulgação)

O artista Maurino Araújo, de 76 anos, é reconhecido e celebrado no universo da arte contemporânea brasileira. No entanto, a face que o transformou em figura emblemática em Belo Horizonte são as caminhadas que faz pelas ruas da capital, com manemolência e ritmo de quem executa uma coreografia. Pelos passos, que mais parecem movimento de dança, é reconhecido por muitos como dançarino, embora seja pintor e escultor. A história e a trajetória do artista são temas do curta documental Maurino dança, de Veronica Manevy e Marcelo Sant’Anna, que será exibido neste sábado (16) pela primeira vez em Belo Horizonte, no Cine Santa Tereza.

Trabalho de estreia da Aflora Produções, o documentário será exibido em sessão com entrada franca. “A dança é uma espécie de remédio. É curativa. A dança não tem relação com o que eu faço, mas dançar é muito fazer arte. Eu vi na África que dançar é coisa sublime, é quase divina. A dança não é pagã na África. Dançar e fazer arte é uma alegria só”, afirma Maurino no curta.

O artista foi fortemente influenciado pelo barroco mineiro, com o qual teve contato pela primeira vez durante os estudos no seminário Franciscano, em São João del-Rei. “Sou artista. Sou escultor. Nasci dentro de uma olaria, onde o oleiro era minha mãe, minha avó. Nessa escola, brotou em mim a coisa da arte. Meu avô era fazedor de pote, gamelas e utensílios para cozinha na lavoura”, conta. Além da escultura, ele se dedicou à pintura, mas, eventualmente, se afastava da produção, pelos problemas que o material usado acarretava. “A pintura sempre foi uma busca, mas houve desencontro quando o material, a tinta não fazia bem. Fiquei bloqueado. Quando pintava, sentia reação”, declara no documentário.

O primeiro contato de Marcelo Sant’Anna com Maurino ocorreu em 2005, quando trabalhava como repórter-fotográfico no Estado de Minas. “Conhecia o Maurino da rua, mas não sabia que ele era escultor. Sempre o via andando pela cidade com guarda-chuva e, às vezes, sem. Conheci a obra dele quando fui fazer a foto para uma reportagem”, diz Marcelo. A partir desse contato, o fotógrafo teve a dimensão da qualidade e da extensão da obra do artista, que já morava no Bairro Primeiro de Maio, onde reside até hoje.

Nas entrevistas realizadas para o curta, em 2018, Maurino falou sobre questões pessoais, arte e como o racismo impactou sua vida. Ele revela também como a visita à Nigéria foi um divisor de águas em sua trajetória artística. “Maurino é multiartista, com desenhos maravilhosos. Ele pinta a madeira. Tem grande importância como artista contemporâneo. A prova é a sala especial dedicada a ele no Museu Afro Brasil, em São Paulo, e os convites que teve para a Bienal”, afirma Marcelo.

Marcelo destaca a forma inusitada como Maurino caminha pela cidade. “Ele sai daquele jeito pela rua. É uma maneira de superar a depressão. Dançava na quadra da Vilarinho, local que frequentou por 10 anos”, diz o diretor, que garante que Maurino gostou da homenagem.

Maurino dança
Curta documental sobre Maurino Araújo, de Veronica Manevy e Marcelo Sant’Anna. Exibição gratuita neste sábado (16), às 16h20, no Cine Santa Tereza. Rua Estrela do Sul, 89. Santa Tereza.


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