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Tesouro ou cópia?


postado em 07/03/2019 05:04

Pintura restaurada de Judite e Holofernes é apresentada em galeria londrina (foto: Daniel Leal-Olivas/AFP)
Pintura restaurada de Judite e Holofernes é apresentada em galeria londrina (foto: Daniel Leal-Olivas/AFP)


Quadro atribuído ao pintor italiano Caravaggio divide especialistas. Encontrada há cinco anos na França, a obra, que representa cena bíblica, está avaliada em US$ 137 milhões

O guerreiro olha para cima, espantado, implorando à jovem que o está decapitando. Essa explosão de violência pode ser uma obra-prima de Caravaggio... ou mera cópia.

Na sexta-feira, a tela foi apresentada em uma galeria londrina, depois de dois anos de restauração. Alguns consideram a pintura da Renascença a última grande obra do gênio milanês. Ela representa o episódio bíblico em que Judite mata o general assírio Holofernes para defender a cidade de Betulia.

O quadro, de 144cm por 173cm, foi encontrado em um loft da cidade francesa de Toulouse, em 2014. “Uma descoberta muito importante”, de acordo com o Ministério da Cultura da França.

Michelangelo Merisi da Caravaggio mencionou a existência de trabalho semelhante em carta para um amigo. Mas a atribuição de pinturas ao mestre, que morreu aos 38 anos, em 1610, é muito complicada, pois ele não assinava suas criações. Além disso, suas obras eram copiadas com frequência.

Para complicar, Caravaggio já tem um trabalho intitulado Judite e Holfernes, que pintou em 1598 e é muito diferente do encontrado na França.

AVAL

Os proprietários do quadro recorreram ao especialista francês Eric Turquin, que está convencido de que se trata de um legítimo Caravaggio.

Outro estudioso da obra do milanês é Nicola Spinosa. De acordo com ele, o trabalho encontrado na França é um Caravaggio autêntico. “Tem qualidade excepcional e corresponde ao período mais importante do artista, por volta de 1605, época em que ele melhor traduz na pintura o drama dos homens”, explicou.

Outros experts em Caravaggio não estão convencidos disso. Atribuem a obra ao pintor flamengo Louis Finson (1580-1617), contemporâneo e copista do mestre italiano.

Já é certo que a pintura não será incorporada a coleções do Estado francês. Depois de declará-la “tesouro nacional”, o que impediu sua venda no exterior até novembro de 2018, o governo deixou passar o prazo de 30 meses para adquiri-la.

A falta de certeza sobre a autenticidade e o alto valor estimado do quadro (US$ 137 milhões) podem ter influenciado essa decisão do governo, sobretudo neste momento em que o orçamento dos museus nacionais franceses é limitado.

O quadro poderá ser leiloado este ano, informa a empresa Artprice, especializada no mercado de artes. A venda seria organizada pelo especialista Eric Turquin, em Toulouse. (AFP)


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