Esta foi muito boa. Checando as centenas de e-mails que chegam diariamente – e, pra ser muito honesta, estavam acumulados –, deparei com um título no mínimo curioso: “Ressaca: o que a ciência tem a dizer em seis perguntas”. Mais engraçado ainda foi que estava pensando no que escrever hoje, quarta-feira de cinzas. Depois de quatro dias de carnaval, a maioria das pessoas enfrenta enorme ressaca. Ressalva: não é o meu caso – graças a Deus, descansei nesse feriado.
Só faltava essa, arranjaram explicação científica para a ressaca. Talvez os leitores já saibam disso, mas, pra mim, é novidade e decidi compartilhá-la com vocês. Como é muito engraçado, vale a pena. Segundo o Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), ONG comprometida com a divulgação de informações científicas, é possível esclarecer dúvidas sobre a ressaca com base na ciência:
“Para quem não sabe, ressaca é veisalgia, o resultado da intoxicação aguda por álcool, cujos sintomas físicos e mentais, experimentados no dia seguinte a um único episódio de consumo excessivo, começam quando a concentração de álcool no sangue (CAS ou BAC, do inglês blood alcohol concentration) se aproxima de zero.
Obviamente, a melhor forma de prevenir a ressaca é não beber. Mas, se beber, que seja moderadamente. Nesse último caso, a ingestão de bebida alcoólica não deve ultrapassar quatro doses para homens e três doses para mulheres em um único dia. Também é recomendado manter-se alimentado, hidratado e beber devagar.
A literatura científica aponta a falta de evidências de que intervenções médicas para prevenção ou tratamento da ressaca sejam efetivas. Contudo, embora não haja cura para a ressaca, podem ser adotadas algumas medidas para aliviar a intensidade dos sintomas. É o caso de alguns medicamentos – antiácidos e analgésicos, como a aspirina – indicados para aliviar náuseas e dores musculares, respectivamente.
Em relação a tratamentos naturais, estudos recentes mostram que dente-de-leão, pera, tomate, red ginseng, ginseng siberiano e figueira-da-índia podem impulsionar a ação das enzimas metabolizadoras de etanol, como a aldeído desidrogenase, melhorando a desintoxicação, ou ainda atuar como antioxidantes e agir sobre os sintomas da ressaca. Entretanto, ainda são poucas as evidências científicas que comprovem essa eficácia.
Beber outra dose pela manhã ameniza os sintomas? Não. A ressaca é causada pelo acúmulo de metabólitos de etanol no organismo. Dessa forma, o consumo de nova dose de álcool, resultando no acúmulo de mais metabólitos, não soluciona o problema.
Quanto tempo dura a ressaca? Varia de oito a 24 horas, com média de 18,4 horas após o cessar do beber, ou 12 horas depois de acordar.
Uma revisão científica, que teve o objetivo de analisar os efeitos da ressaca no funcionamento cognitivo, revelou que memórias de curto e longo prazo, velocidade psicomotora e atenção sustentada são as funções mais afetadas no dia seguinte. Esses prejuízos têm implicações para a performance intelectual e habilidade práticas como dirigir.”
Impressionante a importância e a profundidade desse estudo científico. Grande contribuição para a humanidade. .