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NO RITMO DO RISO

Concurso de Marchinhas Mestre Jonas realiza amanhã sua final em Belo Horizonte. Damares, Queiroz, Lula e Bolsonaro são personagens das 10 composições que disputam o título


postado em 27/02/2019 05:03

Tem protesto, tem crítica social, tem também exaltação ao próprio carnaval. Há 110 anos, a maestrina e compositora Chiquinha Gonzaga (1847-1935) criou aquela que é considerada a primeira marchinha carnavalesca da história, Ó abre alas. Desde então, o gênero se popularizou por sua abordagem jocosa de temas cotidianos. Os acontecimentos mais recentes, sobretudo na esfera política, são tratados de modo inspirado e irreverente pelos compositores.

A oitava edição do Concurso de Marchinhas Mestre Jonas, cuja final será realizada nesta quinta (28), no pré-aquecimento do carnaval, tem 10 músicas em disputa. Entre os temas (e personagens) que abordam estão a ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos), o ex-assessor parlamentar Fabrício Queiroz, o ex-presidente Lula e o atual, Jair Bolsonaro.

Especialistas em marchinhas sobre figuras políticas, os integrantes da Orquestra Royal – que se consagrou com o Baile do Pó Royal, em 2014 – marcam presença mais uma vez no evento. O compositor Vitor Velloso, autor também de Prefeito, libera o coller (uma crítica ao então prefeito de Belo Horizonte Márcio Lacerda  que proibiu a instalação de churrasqueiras, collers ou similares nas ruas da cidade), concorre neste ano com Overdose de goiaba. Ele e o parceiro Zé Maria da Viola definem a composição como “uma marchinha baseada em fatos surreais” e que conta a história de um caboclo ‘lariquento’ que encheu o bucho de goiaba e acabou sendo confundido com Nosso Senhor.

“A política é um prato cheio para a gente. E Damares, especificamente, está inspirando muita gente. Nem citamos nomes, nem nada, a história é muito bizarra. Então quisemos explorá-la de outra forma, contar de uma nova maneira”, diz Vitor. A marchinha se baseou no episódio relatado pela ministra de que ela pensou em se matar quando tinha 10 anos e então viu Jesus Cristo em cima de um pé de goiaba. “Nossa Senhora, que viagem, que doideira/Achei que era bobagem, que era brincadeira/Comi tanta goiaba que quase me indispus/E a doida me olhava fazendo o sinal da cruz”, diz um dos versos da marchinha, que tem uma pegada de frevo. “Ela tem essa pegada, sim, que é uma característica do Marcos Frederico, nosso intérprete. Isso já havia acontecido com uma das nossas marchas, Solta o cano. Há um tempo, Marcos vem investindo muito na guitarra baiana, que deixa a música rápida, mas num compasso de marcha frevo”, explica.


PÓDIO Os músicos da Orquestra compuseram outras marchinhas para a folia deste ano, sempre com temática política. Queiroz, o ex-ministro Gustavo Bebianno e o vice-presidente Hamilton Mourão embalam as composições. “Mas, como a gente tinha feito a Overdose de goiaba em janeiro, e já tinha toda uma pré-produção, decidimos inscrevê-la. Este ano temos muitas marchinhas explorando assuntos parecidos. É difícil apontar uma favorita. A disputa vai ser acirrada, mas a gente espera estar presente no pódio, como tem acontecido com o pessoal da Orquestra há anos”, diz Vitor Velloso.
Outra dupla que costuma marcar presença no Mestre Jonas é Jhê Delacroix e Helbeth Trotta. Ao lado de Marcos Frederico, a dupla venceu o concurso em 2017 com o Baile do cidadão de bem. Eles fazem uma citação dessa figura na marchinha, que é uma das finalistas da edição 2019, É carnaval. A composição faz uma homenagem à folia na capital mineira, mas sem deixar de dar suas alfinetadas políticas. “A gente quis fazer uma coisa não tão datada e fugir um pouco disso de ser só sobre política. Achamos que era importante resgatar as escolas de samba, a Banda Mole, todos os responsáveis por não terem deixado o carnaval em BH morrer. E também falar desse renascimento. Fizemos uma ponte entre o passado e o presente, lembrando que, no fim das contas, a folia aqui sempre teve essa marca da luta, da resistência, da ocupação do espaço urbano, de visibilidade às minorias”, afirma Helbeth Trotta.

“É carnaval em BH. É hoje que eu vou me embriagar. Com o perfume da Cidade Jardim. Desfilo Liberdade, abram-alas pra mim”, diz a letra de É carnaval. “Até a nossa ideia de embriagar não é no sentido de beber, encher a cara, mas de sentir a nossa cidade e essa festa tão bonita”, comenta Trotta, que está com boa expectativa para o resultado. “Depende muito do público, já que, no fim das contas, é ele quem decide. Nosso refrão já virou meio chiclete e por isso estamos empolgados.”

ESTREIA Estreante no concurso, o sambista João Brás de Paula, de Viçosa, na Zona da Mata mineira, quis falar de um assunto que incomoda bastante as mulheres, sobretudo nestes tempos de folia, o assédio. “Acho que o homem entende disso melhor do que a mulher e como tenho só filhas, sobrinhas e irmãs, queria tratar desse assunto, que tem tudo a ver com o carnaval. Peguei o gancho da campanha Não é não e nasceu essa canção”, relata.

A música conquistou os presentes na semifinal realizada na sexta-feira passada, na quadra da Escola de Samba Cidade Jardim. “‘Não é não’, ela diz assim pro cidadão. Não me venha com abuso. Não me falte com respeito. Carnaval é alegria, paz e amor, diversão. Coloque sua fantasia e entra na folia com moderação”, diz um trecho da música. João tem uma trajetória no samba há mais de 30 anos e costuma participar de concursos de sambas-enredo na Mangueira e no Estácio, no Rio. Ele diz que ficou emocionado de chegar à final do Mestre Jonas, concurso que já se tornou o mais importante do gênero em Minas Gerais. “Fiquei muito feliz com esse reconhecimento. Todas as concorrentes são muito boas. Minha marchinha agradou muito às minhas filhas, mas também a outras mulheres e até aos homens. Acho que ela cumpriu sua missão e seria muito bacana se ela se sagrasse campeã”, diz.

Neste ano, o concurso vai distribuir R$ 15 mil em prêmios. Para a categoria marchinhas, o prêmio para o 1º lugar é de R$ 5 mil; o 2º lugar ganha R$ 3 mil; e o 3º lugar, R$ 2 mil. A edição deste ano trouxe como novidade o Hit do Carnaval, categoria que engloba composições de outros gêneros musicais, como pagode, música latina e arrocha. O vencedor vai levar R$ 5 mil. Na final de amanhã, além das marchinhas em disputa, o público vai conferir os cinco hits selecionados.

 

 

CONCURSO DE MARCHINHAS MESTRE JONAS
Final. Amanhã (28), a partir das 20h, no Mercado Distrital do Cruzeiro ( Rua Opala, s/nº, Cruzeiro). Ingressos a partir de R$ 15. Vendas pelo site www.sympla.com.br/mestrejonas.

 

 

As 10 mais

Confira as finalistas da edição 2019

1. A vida sorri pra nós dois (Valdênio Martinho)
2. Ao vencedor, as laranjas (Luiz Henrique Garcia e Pablo Castro)
3. É carnaval em BH (Jhê Delacroix e Helbeth Trotta)
4. Marcha do Capetão (Raquel Bernardes e Celso Paulo Pennini)
5. Marchinha da criação (Nilo Ibraim Hallack)
6. Não é não (João Brás de Paula)
7. Overdose de goiaba (Zé Maria da Viola e Vitor Velloso)
8. Santo profano, deusa mulher (Raphael Vidigal)
9. Solta a jararaca (Alexandre Resende, Bobó da Cuíca e Anésio Lopes)
10. Vale pra mim (Elio Domingos)

Categoria Hit do Carnaval:

1. DiBetim (Jefferson Gomes)
2. Eu vou (Matheus Brant e Tamara Franklin)
3. Funaná do moreré (Vitor Santana e Marcelo Albert)
4. Plantão do arrocha (Will do Arrocha e Gustavo Maguá)
5. Como te lhama (Carlos Bolívia)

Ouça as marchinhas do Concurso Mestre Jonas:
soundcloud.com/concursomestrejonas/sets/viii-concurso-de-marchinhas-1
 


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