Conteúdo para Assinantes

Continue lendo ilimitado o conteúdo para assinantes do Estado de Minas Digital no seu computador e smartphone.

price

Estado de Minas Digital

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas digital por R$ 9,90/mês. Experimente 15 dias grátis >>

Estado de Minas

A VIDA DA CIDADE

Exposição Urbano fotográfico, que será aberta amanhã na CâmeraSete, traz registros de BH entre as décadas de 1930 e 1960 feitos por Wilson Baptista, o fotógrafo amador apaixonado pela capital mineira


postado em 26/02/2019 05:09

(foto: FOTOS: WILSON BAPTISTA/DIVULGAÇÃO)
(foto: FOTOS: WILSON BAPTISTA/DIVULGAÇÃO)




No Aurélio, amador é aquele que se dedica a arte ou ofício por prazer, não por profissão. Em seus 100 anos de vida, Wilson Baptista (1913-2014) foi funcionário da Prefeitura de Belo Horizonte e dos Correios. Também foi escrivão. Mas foi como amador que ele se realizou, deixando um legado que ainda tem muito a revelar. Como fotógrafo, usou uma câmera até o fim da vida. E a capital mineira foi uma de suas grandes personagens.

Nesta terça (27), no CâmeraSete, as imagens de Baptista voltam à cena na exposição Urbano fotográfico, que reúne 44 fotografias da vida da capital mineira das décadas de 1930 a 1960. “Ele fotografava tudo, mas o que talvez definisse seu trabalho é a forma, principalmente nos anos 1930 e 1940, quando ele andava muito com a câmera fotográfica na cidade. Meu pai era um formalista”, afirma Paulo Baptista, curador da exposição.

Paulo é o único dos oito filhos de Baptista que abraçou a fotografia como profissão (é professor da Escola de Belas Artes da UFMG). Os outros sete, assim como o pai, são amadores. Urbano fotográfico nasce como um desdobramento do livro homônimo, lançado em julho de 2018. A obra, organizada por Paulo Baptista, Renata Marquez e Marconi Drummond, documenta, por meio de 115 fotos, a vida de uma cidade em constante expansão. Para a pesquisa do livro, os organizadores vasculharam 7 mil negativos.

O livro apresenta, por exemplo, a imagem de uma trupe de trapezistas Zugspitzen, que faz uma travessia na corda bamba do Edifício Acaiaca para o do Banco da Lavoura, na Praça Sete. A performance aérea fez com que muita gente se deitasse na Avenida Afonso Pena para pode ver melhor homens suspensos sem qualquer proteção. Outro flagrante é o descarrilamento de um bonde, que caiu do Viaduto da Floresta, chamando a atenção das pessoas que frequentavam o local. Isso na Belo Horizonte da primeira metade do século 20.

ACERVO Essa é apenas uma parte do acervo de Baptista. Paulo, que guarda todo o material em casa, acredita que o pai deixou algo em torno de 30 mil negativos. “Tem muito mais a ser descoberto”, afirma o curador, que coordena um projeto de preservação do acervo do pai. A pesquisa abrange catalogação, digitalização e publicação.

Na década de 1950, Wilson Baptista foi um dos fundadores e o primeiro presidente do Foto Clube de Minas Gerais. Nessa época, organizou e participou de exposições e de salões nacionais e internacionais. Mas foi efetivamente a partir de meados dos anos 1990 que as imagens de Baptista passaram a se tornar mais conhecidas, quando teve início uma série de exposições de seu trabalho em espaços culturais de BH. Além disso, suas fotos também passaram a ilustrar publicações de arquitetura e história da capital mineira. Ao morrer, em janeiro de 2014, a mostra Escavar o futuro, reunião de suas fotografias, estava em curso no Palácio das Artes.

No recorte selecionado para o CâmeraSete, um dos destaques é uma série sobre a abertura da Avenida Amazonas, em 1941. “Naquele momento, estava sendo urbanizada. São imagens da avenida na altura do Cine Amazonas, no Bairro Barroca. Ali era tudo de terraplenagem. São fotos bastante surrealistas, não se acredita que seja Belo Horizonte”, explica o curador.

Mais antiga é uma série noturna, da inauguração da Praça Raul Soares, em 1936. Há alguns personagens de BH, como ambulantes e comerciantes dos anos 1930 e 1940. “Tem algumas ainda que ele considerava mais pessoais, chamava de abstrações.”

PRIMEIRA CÂMERA A câmera fotográfica foi apresentada a Baptista na década de 1920. “Eu tinha 13 anos e um médico casado com a sobrinha do meu pai apareceu lá em casa com uma maquininha caixote, Kodak, com um formato que hoje não existe mais: 6½ por 11... Depois me emprestou essa máquina e eu fiquei com ela... Tirei uma quantidade de retrato da família, e quando a gente ia a Santa Luzia na casa dos meus avós tirava fotografia, guardava”, afirmou ele, em 2006, em depoimento para o Programa de História Oral do Centro de Estudos Mineiros da UFMG.

Começou ali e não parou mais, a despeito de um campo de visão limitado – desde a infância, só enxergava com o olho esquerdo. Seus registros acompanham praticamente nove décadas. “Ele fotografou muito dos anos 1930 aos 1960. Depois diminuiu um pouco, para retomar mais intensamente na década de 1980”, conta Paulo. Utilizou, em seus registros, principalmente câmeras alemãs das marcas Adfa e Zeiss Ikon Contax. Abandonou o filme em 1995, quando passou a utilizar uma câmera digital.

Fotografou até o fim. Em seu último ano de vida, fazia fotos coloridas de coisas que chamavam sua atenção no quintal de sua casa.


WILSON BAPTISTA: URBANO FOTOGRÁFICO

Exposição na CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais, Avenida Afonso Pena, 737, Centro, (31) 3236-7400. Abertura terça (26), às 19h. Visitação de terça a sábado, das 9h30 às 21h. Até 25 de maio. Entrada franca.


Publicidade