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Por amor aos avós e à família


postado em 19/02/2019 05:07






Uma das relações mais bonitas que existe é de avós com seus netos. Não digo que seja assim com todos, mas a grande maioria das pessoas têm ligação especial com um de seus avós e guardam lembranças, histórias e sentimentos que carregam para toda a vida.

A coluna ficou sabendo de uma dessas histórias, que ultrapassou o comum. Ercy Guerra, para preservar a memória de seus avós, transformou o casarão onde moraram, em Pirapora, em museu. Com um detalhe, todos os custos para montar a empresa, restaurar a casa, o mobiliário e manter o funcionamento do museu é custeado por ela.

Neta primogênita de Camillo José dos Santos e de Henriqueta Conceição dos Santos, desde os primeiros meses de vida foi criada na casa dos avós. Sua mãe Edith a deixava aos cuidados dos avós enquanto lecionava no Grupo Escolar Fernão Dias, em Pirapora.

Ercy cresceu nesta casa, recebendo o carinho, atenção e muitos mimos de seus avós e tios. Desde adolescente, já passava por sua cabeça o desejo de transformar o casarão de estilo colonial mineiro, construído em 1906, em museu. Conseguiu colocar a ideia em prática depois que a última das três tias solteiras faleceu, em 2010.

Reuniu com os herdeiros e propôs a compra de suas partes na casa para criar o museu, preservando a memória do avô e de sua família. Acordo fechado, passou para as questões práticas legais. Fundou, então, o Instituto Museu Casa Camillo dos Santos (IMCCAS), em maio de 2015, assumindo todas as despesas. Restaurou a casa, bem como o mobiliário da época de casamento de seus avós (1901).

Ercy inscreveu o IMCCAS no Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), em 2015, e a Câmara Municipal de Pirapora reconheceu o Instituto Museu Casa Camillo dos Santos como sendo de utilidade pública. O museu foi inaugurado em 24 de setembro de 2017, com uma missa em ação de graças.

Camillo José dos Santos, mais conhecido como Camillo dos Santos, nasceu em 1871, na Fazenda das Porteiras, na Vila de Nossa Senhora e Almas de Guaicuhy, em Minas Gerais, hoje, Barra do Guaicuí. Em 1883, foi para Arraial de São Gonçalo de Pirapora, a convite de seu tio materno, Manuel Conceição Araújo.

O avô de Ercy se casou com Henriqueta, teve oito filhos. Foi rico fazendeiro da região, mas era humilde e ajudava os mais necessitados. Doou terras de sua fazenda, construiu o Cemitério Santo Antônio, o Asilo São Vicente de Paulo, o Santuário Santo Antônio, ajudou a emancipar Pirapora de Curvelo, em 28 de outubro de 1911.

Camillo recebeu do então presidente da República, Hermes Rodrigues da Fonseca, uma carta patente de capitão ajudante da guarda nacional do batalhão de infantaria da comarca de São Francisco, em 12 de novembro de 1913. Foi delegado de polícia, juiz de paz, confrade e vereador. Faleceu em 1º de dezembro de 1965, aos 94 anos.

Lindo ver o quanto um homem fez por sua região e sua cidade. Erly contou muito mais, infelizmente o espaço da coluna é limitado e não podemos descrever toda a vida de seu avô. A criação do museu foi uma homenagem muito bonita e mais do que justa. Belo exemplo, que nem todos podem fazer, não porque seus antepassados não mereçam, mas porque não são todas as pessoas que possuem recursos financeiros para bancar a criação e manutenção de um museu. (Isabela Teixeira da Costa/Interina)


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