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TER CULPA NO CARTÓRIO


postado em 18/02/2019 05:04

É o que se diz quando alguém comete uma infração. Ao pé da letra, nada a ver com as rotineiras funções de um cartório. Acusados de algum delito, somos convocados para o registro da ocorrência e, quando for o caso, ter o assunto encaminhado à Justiça.


Cabe a pergunta: de onde surgiu a tal culpa no cartório?. A resposta nos leva aos tempos em que a Igreja enfrentava movimentos heréticos. Diante dessa ameaça, o Vaticano criou o chamado Tribunal da Santa Inquisição, com a missão de punir ações consideradas ofensivas à doutrina católica. Os acusados sofriam um processo que abrangia amplo leque de penalidades, do singelo arrependimento e respectiva penitência ao extremo horror da morte na fogueira.


Para avaliar o histórico dos envolvidos, a Igreja mantinha um cartório onde registrava os processos, o que acabava manchando o nome da pessoa. A incômoda situação levava muitos a caçoarem de um ex-condenado dizendo que ele tinha culpa em El notário. Ainda bem que o mundo está livre dos tempos da Inquisição...

 

ARAXÁ – O berço do nome dessa acolhedora cidade mineira vem da língua dos índios araxás, ferozes habitantes da região e, portanto, nada receptivos. A palavra significa lugar onde primeiro se avista o sol. Quando lá chegaram os bandeirantes, foram recebidos com franca hostilidade. Numa festa indígena, porém, aproveitando-se do descuido dos nativos, os invasores atacaram de surpresa e os dizimaram. Lá se estabeleceram e, em homenagem aos primitivos ocupantes da região, conservaram o nome da tribo: araxá. Hoje, a cidade tem cerca de 100 mil habitantes e tem vocação para o turismo, a pecuária e microempresas que fabricam deliciosos doces. É estância hidromineral com fontes de águas sulfurosas e radioativas, lama medicinal e famosos banhos terapêuticos nas imediações do Grande Hotel, onde, nos anos do Estado Novo, funcionava movimentado cassino. Araxá tem suas lendas e histórias, como a de dona Beija (Ana Jacinto de São José), personagem-mito interpretada por Maitê Proença em novela da extinta Rede Manchete. Entre os araxaenses mais conhecidos estão os irmãos Olavo e Toninho Drummond, o primeiro, destacado poeta e ministro do TCU, e seu irmão, diretor da Rede Globo em Brasília, além do engenheiro Paulo Janot Borges, pioneiro da capital do país. Araxá aguarda a reabertura do jogo, pronta para fazer rolar novamente a bolinha da roleta e oferecer boas atrações a quem a visita, como nos áureos tempos. O presente texto retifica incorreções anteriores, detectadas por vários leitores, com escusas da coluna. Coisas do ofício de pesquisador...


EPOPEIA – O berço dessa palavra é o grego épos, verso, + poicô, faço, produzo, e se refere à narrativa, em forma de versos, de feitos memoráveis. Exalta ações retumbantes, capazes de provocar admiração. Eterniza lendas seculares e tradições ancestrais preservadas por determinada comunidade. Geralmente as reveste de exageros próprios à sua imponência. Os melhores modelos ocidentais de epopeia são poemas de Homero, A Ilíada e Odisseia. Ambos contam as peripécias da guerra de Troia, repleta de heroísmo – e emoldurada pela formosura de Helena…

CAIXA-PREGO – O leitor pergunta se existe realmente uma cidade com o estranho nome de Caixa-Prego, corriqueiro em frases do tipo “vai ser longe assim em Caixa-Prego”. Realmente, prezado leitor, a cidade não existe. O que há é uma pequena vila de pescadores chamada Cacha-Prego, no município de Vera Cruz, Ilha de Itaparica, sempre lembrada por João Ubaldo Ribeiro, filho da terra. Em suas proximidades, durante a maré baixa, formam-se piscinas rasas que reúnem grandes cardumes do peixe-prego. Os pescadores podem pescá-lo ou pegá-lo com as mãos. Nem é preciso anzol. Sobre o nome da pequena cidade, trata-se de variação do verbo catar, comum na região como cachar. Seu uso corrente transformou cata-prego em cacha-prego, daí a expressão popular que lembra localidade remota, talvez inalcançável. Coisa parecida com a Tonga da Mironga do Kabuletê, singular criação da fértil cabeça de Vinicius de Moraes.


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