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Estado de Minas

Dcas de português


postado em 17/02/2019 05:09

Recado
“Por que as pessoas ficam inventando expressões estranhas ou usando
palavras estrangeiras quando é muito mais fácil falar português?”
Max Gehringer

 

Acordo de deuses
Zeus bate à porta do céu. São Pedro o recebe. Mal entra, o deus dos deuses ouve aplausos intermináveis. Entende logo. Anjos, arcanjos, serafins e demais moradores do paraíso recebem Bibi Ferreira. O dono da casa, fã dos fãs, está na primeira fila.  O senhor do Olimpo espera com paciência. Quando surge a oportunidade, aproxima-se de Deus. Os olhos de ambos se encontram. Gentil, mas determinado, o grego solta o vozeirão:


– O lugar da Bibi é no Olimpo. Lá vive Dionísio, o deus do teatro. Nada mais justo que fiquem juntos.


Protestos ecoam. Deus entende. Os celestes também querem a estrela. Sorri. Mira o visitante e propõe:


– Que tal ouvir a diva?


Bibi faz a escolha salomônica. Passará seis meses no Olimpo. E seis meses no céu. O calendário ajuda. No verão, quando o céu exibe todo o esplendor, a musa brilhará com os astros. Mas sobressairá. À noite, olhe para o alto. Lá estará ela.

Dionísio
O deus do teatro tem uma história pra lá de legal. Sêmele esperava um filho de Zeus. Um dia, quis ver o senhor do Olimpo em todo seu esplendor. Ops! Zeus era o deus dos deuses. Tentou demovê-la de tão arriscado pedido. Não conseguiu. Então se mostrou pra jovem. Explodiram clarões. Ela não aguentou tanta beleza. Morreu na hora. Zeus tirou o filho da barriga da mãe, abriu a própria coxa, pôs o bebê lá dentro e costurou a pele. Meses depois, o garoto nasceu bonito e cheio de saúde. Quando cresceu, tinha um propósito – alegrar a vida das pessoas.

Vidão
Descobriu a vinha e inventou o vinho. Viajou muito. Andava em carro puxado por panteras e decorado com folhas de hera e parreira. Com ele iam as bacantes, mulheres que se vestiam de pele de leão. Elas viviam em festas. Bebiam, dançavam, cantavam e contagiavam crianças e adultos de entusiasmo, animação e otimismo.

E agora?
Dionísio vive entre nós. O deus frequenta as comemorações em que os convidados se sentem tão felizes como se estivessem no paraíso. Ele aparece nas festas e reuniões de amigos. Como saber se está presente? Olhe pra lá e pra cá. Todos estão felizes? Não duvide. Dionísio está no pedaço. Com ele, Bibi Ferreira.

Último adeus

A rainha dos musicais nos deixou. Telejornais, depois de tantas tragédias, explodiram de alegria. Ao dar a notícia, mostravam imagens da diva em palcos de Europa, França e Bahia. Em todos, era só brilho. Repórteres terminavam a apresentação falando em “hora do último adeus”. Muitos estranharam. “Último adeus” seria pleonasmo? A resposta: não. Há despedidas e despedidas. Nas mais curtas, dizemos tchau, até já, até logo, até logo mais. Nas médias, até a vista. Nas compridonas, adeus. Durante a vida, podemos dar vários adeuses à mesma pessoa. Na morte, damos o último. Não é redundância.

Carícia
Aplausos acariciam os ouvidos de músicos, atores, declamadores, contadores de histórias. Se o público ficar de pé, a satisfação cresce. Mas só chega ao auge se a plateia entoa em coro o italianíssimo “bravo, bravo, bravo!” A palavra em português tem vários significados. Um deles: irritado, enraivecido, chateado. O outro, o bem-amado. Na língua dos Césares, de Marcello Mastroianni e Sophia Loren, o dissílabo usualmente quer dizer ótimo, excelente, capaz, hábil.

Leitor pergunta

O jornal A Tribuna de quarta-feira publicou a frase “Rock rural está mais vivo do que nunca”. Fiquei na dúvida. O do está correto? Ou seria “Rock rural está mais vivo que nunca”?
Fernando Pateo, São Vicente

Nas comparações, Pateo, o do é facultativo. Você escolhe. A alternativa é acertar ou acertar: Rock rural está mais vivo do que nunca. Rock rural está mais vivo que nunca. O discurso do diretor foi mais aplaudido (do) que o do presidente. Maria é menos estudiosa (do) que os irmãos.


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