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Após denúncia sexual, Gustavito volta à tona com 'música de elevação'

Cantor, compositor e violonista lança nesta quarta (13) no Verão Arte Contemporânea o disco 'Universo reflexo', realizado com Thiago Braz e resultado de sua pesquisa sobre %u2018música de cura%u2019


postado em 13/02/2019 05:02

(foto: JUAREZ RODRIGUES/EM/D.A PRESS )
(foto: JUAREZ RODRIGUES/EM/D.A PRESS )

 

“Quando fui questionado, e quando estava no maior momento
de fragilidade emocional e sofrimento, percebi que a resposta estava justamente na minha verdade. Se ela estava sendo questionada, tinha que me agarrar nela, pois a verdade é real. Minha consciência sempre esteve em paz”

“Passei a me apresentar para um público menor, mas de maior qualidade. É diferente você tocar para 200 pessoas que estão bêbadas num bar e tocar para 20 que estão num local única e exclusivamente para te ver”


 Gustavito, cantor, compositor e violonista

 

Gustavo Amaral, o Gustavito, de 32 anos, pega emprestado o refrão de Me curar de mim (2015), canção da pernambucana Flaira Ferro que viralizou dois anos atrás, para falar do atual momento de sua carreira. “Olha que coisa mais maravilhosa esse verso: ‘Quero me curar de mim’. Todo mundo quer se curar de si, pois todos nós temos coisas para melhorar”, afirma o cantor, compositor, arranjador e violonista.

Universo reflexo, terceiro álbum de Gustavito – e primeiro em parceria com o também violonista e compositor Thiago Braz, de 35 –, busca esse caminho. “De tragédia o mundo está cheio. No interior a gente diz que gente besta e pau seco não acabam no mundo. Se nós procurarmos focar nosso olhar no que é ruim, só vamos ver coisa ruim e provavelmente entrar em depressão. Nossa proposta foi olhar para coisas boas. Há um movimento mundial de música de cura, música de elevação. É um mercado que extrapola esse pequeno nicho do carnaval belo-horizontino, tem mais a ver com world music, música étnica”, afirma Gustavito, cofundador dos blocos Então, brilha! e Pena de Pavão de Krishna.

O novo trabalho, com sete faixas, começou a ser concebido em 2015. Vem a público nesta quarta (13), na programação do Verão Arte Contemporânea, com show no Teatro do Centro Cultural Minas Tênis Clube. Além de Gustavito e Thiago Braz, autores de todas as canções, estarão no palco os músicos Ricardo Passos e Edson Fernando, ambos pesquisadores de música étnica.

O processo foi tão intenso que os quatro acabaram montando um grupo, Atotoo (pronuncia-se atôtô), que,  num futuro breve, deverá lançar seu próprio disco. Atotoo, explica Gustavito, significa silêncio em iorubá. “E é também a saudação para Obaluaiê, o orixá responsável pela cura das doenças.” O show ainda terá as participações de Sérgio Pererê, do flautista Alexandre Andrés (parceiro de primeira hora de Gustavito, que capitaneia com ele uma nova banda, Florall) e o contrabaixista Tiago Buiú.

A realização do disco aponta para um redirecionamento na carreira de Gustavito, que se viu no centro de uma enorme polêmica em 2017. Foi também sua forma de superar as feridas desse processo, segundo ele diz.

SOFRIMENTO “Quando fui questionado, e quando estava no maior momento de fragilidade emocional e sofrimento, percebi que a resposta estava justamente na minha verdade. Se ela estava sendo questionada, tinha que me agarrar nela, pois a verdade é real. Minha consciência sempre esteve em paz.”

O questionamento a que o músico se refere foi uma acusação de má conduta sexual feita em rede social em março de 2017. Uma jovem, identificada por pseudônimo, o acusa de tê-la dopado com um óleo de massagem durante um encontro. Ainda segundo a denunciante, Gustavito lhe transmitiu uma DST.

Sobre esse episódio, ele diz: “Sofri uma acusação falsa que gerou um linchamento virtual. Estou movendo uma ação na Justiça, por isso não posso falar sobre isso.” O caso foi analisado em um capítulo do livro A vítima tem sempre razão? – Lutas identitárias e o novo espaço público brasileiro (Editora Todavia, 206 páginas), publicado no fim de 2017 pelo filósofo e ensaísta Francisco Bosco.

Os efeitos para a carreira de Gustavito foram grandes. “A história me prejudicou muito, tive uma série de shows cancelados, por exemplo. Mas continuei, fui buscar outros caminhos. Dois meses depois (da denúncia), eu estava no México em turnê. Depois fui para o Canadá, Alemanha e Portugal. Ao voltar para Belo Horizonte, continuei trabalhando, fiz shows menores em outras cidades.”

Ainda em 2017, lançou dois discos coletivos: Dilá, do Tiãoduá (trio que tem com Luiz Gabriel Lopes e Juninho Ibituruna), gravado com 12 MCs mineiros, e L´Horizon, trabalho que uniu músicos brasileiros e franceses.

Desde 2018 ele não integra mais o Então, brilha!, do qual se afastou de comum acordo. “Se tive portas que se fecharam, encontrei outras. Encontrei um mundo maravilhoso, que é um circuito musical que corre por fora desse circuito oficial cultural. É o circuito da música de cura, das escolas de ioga, dos espaços holísticos. Passei a me apresentar para um público menor, mas de maior qualidade. É diferente você tocar para 200 pessoas que estão bêbadas num bar e tocar para 20 que estão num local única e exclusivamente para te ver”, afirma.

Pronto desde o final de 2018, Universo reflexo (selo Casazul) só começou a ser mostrado mais recentemente. Disco intimista e introspectivo, traz como base as vozes e os violões da dupla de cantautores. É uma instrumentação bem mais enxuta se comparado aos trabalhos anteriores de Gustavito, Só o amor constrói (2012) e Quilombo oriental (2015).

Na última semana, houve o lançamento do clipe de Eco, canção com temática ecológica que teve sua inspiração no zen-budismo. Ponto de harmonização, por seu lado, é um mantra.
Já Rasa, com a voz de Pererê, expressa um estado de consciência alcançado pela meditação. “Rasa é um termo em sânscrito e surgiu a partir do livro Música transpessoal, do musicólogo argentino Carlos D. Fragtman, que aborda várias formas de processo criativo que ultrapassam a pessoalidade. Ou seja, o sujeito vira o canal para a arte correr. Fala de um momento de transformação das pessoas”, explica Thiago Braz.

Transformação é uma palavra-chave para falar do atual momento da vida e da carreira de Gustavito. “A partir de 2015, fui me aproximando mais das práticas espirituais na vida pessoal”, diz ele, que se denomina espiritualista holístico. “Esta integração aconteceu de tal forma que a minha música se tornou indissociável da espiritualidade, da busca pelo autoconhecimento, dos valores fundamentais.”

Desfile no PPK


Longe do carnaval desde 2017, Gustavito retoma agora sua função no Pena de Pavão de Krishna, bloco que cofundou em 2013. Vai sair no PPK, que em 2019 repete o trajeto do ano anterior – na manhã do domingo, 3 de março, os integrantes pintados de azul sairão no Barreiro.

“A pauta das águas já era nossa principal bandeira antes de ocorrer o crime de Brumadinho. Nosso movimento pede, inclusive, a mudança de nome do estado de Minas para Águas Gerais, pois os recursos minerais vêm sempre das águas. Além disso, estamos com uma articulação forte com o Instituto Macunaíma, movimento sociocultural-ambiental (criado no Barreiro) que está lutando pela criação do Parque Ecológico do Barreiro de Cima, que tem muitas nascentes”, diz Gustavito.

“Antes, eu atuava em muitas direções, falava sobre muitos assuntos. Participava de um bloco de axé e outro de mantra, por exemplo. Minhas músicas tinham uma temática sociopolítica. Não deixei de apoiar movimentos sociais, mas, hoje em dia, acredito que não é mais o papel da minha música falar desse tipo de assunto. Prefiro que minhas músicas tragam coisas boas, elevação espiritual”, afirma.

 

 

VERÃO ARTE CONTEMPORÂNEA
Show de lançamento do álbum Universo reflexo, de Gustavito Amaral e Thiago Braz. Nesta quarta (13), às 21h, no Teatro do Centro Cultural Minas Tênis Clube – Rua da Bahia, 2.244, Lourdes. Ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia).
 


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