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Estado de Minas

Adeus à voz no Nouvelle Cuisine

Carlos Fernando, que se destacou nos anos 1990 com releituras criativas de clássicos do jazz, morre em São Paulo. Ele gravou com Toninho Horta disco dedicado a Chico Buarque


postado em 08/02/2019 05:06

Carlos Fernando (segundo à esquerda) com o Nouvelle Cuisine, na década de 1990(foto: Acervo)
Carlos Fernando (segundo à esquerda) com o Nouvelle Cuisine, na década de 1990 (foto: Acervo)

O cantor e artista plástico Carlos Fernando Nogueira, de 59 anos, ex-integrante da banda Nouvelle Cuisine, foi encontrado morto em seu apartamento, em São Paulo, na quarta-feira. De acordo com amigos, a causa da morte teria sido cardiomiopatia hipertensiva (enfarte causado por pressão alta). A cerimônia de cremação ocorreu ontem no Cemitério Vila Alpina, na capital paulista.

Com releituras particulares de clássicos do jazz, a Nouvelle Cuisine se destacou ao lançar dois discos com os vocais de Carlos Fernando: Nouvelle Cuisine (1988) e Slow food (1991), pela Warner.

O bom gosto do grupo chamou a atenção da crítica. Além de Carlos, ele contava com o baterista e vibrafonista Guga Stroeter, o contrabaixista Flávio Mancini Jr., o pianista Luca Raele e o guitarrista Maurício Tagliari, que atualmente comanda a gravadora YB Music.

EQUIPE Nouvelle Cuisine surgiu em 1987, durante encontros musicais na casa de Stroeter. O baterista e Carlos Fernando se conheceram garotos. Estudavam no Colégio Equipe, de onde surgiram músicos famosos de São Paulo, como Arnaldo Antunes e Paulo Miklos, fundadores da banda de rock Titãs.

Até metade dos anos 1990, a banda estabeleceu parcerias com nomes importantes da música brasileira, como Caetano Veloso, Gal Costa e Angela Maria. Lançou também os álbuns Novelhonovo (1995) e Free bossa (2000), por selos independentes.

Guga Stroeter disse à Folha de São Paulo que o parceiro foi “um marco do pós-modernismo na música”. Ele se refere à versão sugerida por Carlos para My funny Valentine, inspirada em arranjos do compositor armênio Aram Khachaturian e no solo de Miles Davis, além da interpretação de Sarah Vaughan.

O cantor apostou na carreira solo ao se separar da Nouvelle, com a qual passou a se apresentar esporadicamente. Gravou com Marisa Monte e fez um disco com o mineiro Toninho Horta dedicado à obra de Chico Buarque de Holanda, chamado Qualquer canção.

Porém, o projeto solo dele como cantor não evoluiu. Paulatinamente, Carlos Fernando passou a se dedicar a outras iniciativas. Trabalhou como artista gráfico para discos de Caetano Veloso, como Fina estampa.

Nos últimos tempos, atuou como arquiteto. Foi coordenador de arquitetura da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo e assinou o projeto de reforma da Casa Guilherme de Almeida, no Pacaembu, na capital paulista.

Também trabalhou como cocurador e museógrafo da exposição De uma estrela a outra, sobre o poeta Giuseppe Ungaretti, na Casa das Rosas, em São Paulo.


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