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Estado de Minas

Jovens e suas fraquezas


postado em 08/02/2019 05:06


Por que os jovens de hoje não conseguem enfrentar problemas? Outro dia, um grupo de mulheres estava conversando sobre a falta de estrutura dos adolescentes e jovens de enfrentar o bullying. Elas estavam na faixa dos 55 a 60 anos de idade e questionavam que o famigerado bullying nada mais é que o preconceito vivido por todos até o final do século passado. Chegaram à conclusão de que ninguém ficou traumatizado, nem parou de estudar, nem mesmo morreu por isso. Agora, o que se ouve falar é de um crescente número de depressão e suicídio por conta do bullying.

Crioulo, preto, macaco, sarará, palha de aço, baleia, macadame, mastodonte, Frankenstein, foguinho, lesma, espantalho, tonelada, minhoca, poste, fuinha, toinha, enfim, poderia fazer uma lista infindável de apelidos pejorativos e preconceituosos que eram dados aos colegas nos anos 1960 e 1970. Doía? Claro, mas a vida continuava, aprendíamos a lidar com a questão. Criança tem um lado mau.

A adolescência sempre foi um período de muitas mudanças na vida, tanto externas quanto internas, e mexem conosco mesmo sob circunstâncias favoráveis. São novos sentimentos e sensações, sofremos pressões diárias de pais, professores e colegas. Alguns conseguem passar por esse período e entrar na vida adulta sem muitos percalços, outros enfrentam mais problemas. Afinal, é nesta época que aparecem as ofertas de bebida, cigarro, drogas, sexo. Se a pessoa é mais frágil, insegura, tem estrutura familiar mais frágil, ou não a tem, está sujeita a experimentar novidades. Alguns, depois de saciar a curiosidade, se encontram e seguem a vida da forma que escolheram. Outros, mergulham em problemas mais graves e precisam de ajuda mais especializada. Sempre foi assim.

E voltamos à pergunta, por que os adolescentes e jovens de hoje não conseguem enfrentar e superar estes problemas?. Por que aumentaram tanto as taxas de suicídio entre essa faixa etária? De 1980 a 2000, a taxa de suicídio de pessoas entre 15 e 29 anos era de 4,1 para 100 mil habitantes. De 2000 para 2014, subiu para 5,6. Alguns psicólogos e sociólogos creditam isso à falta de limites.

Explicando: os pais estão cada vez mais omissos na criação de seus filhos. Não são poucas as cenas de famílias com dois filhos e uma babá para cada criança. E quando os pequenos estão com os pais, geralmente estão com celular ou tablet nas mãos para “dar sossego” aos responsáveis e estes poderem descansar ou se dedicar a outras tarefas, mesmo que seja o lazer com amigos. Outro dia, uma amiga perguntou onde levar uma hóspede que iria chegar e que vinha com uma criança. Sugeri alguns lugares, um deles sem área kids, e na mesma hora ela disse: “A gente dá um celular para ele”.

Outro fator importante é a permissividade. O que a criança quer, ela tem. Não sabe ouvir não. Ser humano em formação precisa de limites, precisa saber que não se pode fazer e ter tudo na vida. A maioria das crianças de hoje, quando ouve um não, faz birra, e rapidamente o não vira sim. “Consigo tudo o que quero”, é a mensagem recebida. Esse sentimento de posso tudo entra em conflito com problemas reais da vida e desestabiliza a criança e/ou o adolescente. Que pessoa está sendo formada?

Tem um dito popular que é uma máxima: “Você aprende pelo amor, ou pela dor”, e outro: “Ou se apanha em casa, ou na rua”. Ambos dizem a mesma coisa. Ou os pais ensinam a seus filhos em casa, onde serão corrigidos e receberão limites por parte de quem os ama, ou receberão limites e correções vida afora. O grande problema é o tamanho da consequência.

Gosto de citar dois grandes exemplos de homens que devem ter sofrido muito bullying e preconceito da vida: o australiano Nick Vujicic e o brasileiro Daniel Dias. Ambos nasceram com má-formação genética. O australiano é um dos maiores palestrantes motivacionais do mundo e o outro o maior medalhista paralímpico do mundo. Se tinham motivo para acabar com a vida? Acredito que muitos, mas escolheram viver e se tornar exemplo de vida e de superação. (Isabela Teixeira da Costa/ Interina)


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