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Gina Rodriguez quer virar o jogo em favor dos latinos em Hollywood

Protagonista de 'Jane the virgin' estrela o longa 'Miss Bala', que tem 95% de profissionais latinos no elenco e na produção


postado em 03/02/2019 05:04

Gina Rodríguez em evento de campanha do candidato democrata ao governo da Flórida, em novembro passado (foto: Jeff J Mitchell/Getty Images/AFP)
Gina Rodríguez em evento de campanha do candidato democrata ao governo da Flórida, em novembro passado (foto: Jeff J Mitchell/Getty Images/AFP)

Quando a jovem professora mexicana de origem indígena Yalitza Aparicio foi indicada ao Oscar por seu primeiro papel no cinema, como a protagonista de Roma, de Alfonso Cuarón, a atriz Gina Rodríguez não segurou as lágrimas. “Fiquei muito orgulhosa! Finalmente me vi contemplada com uma latina ali (entre as indicadas à estatueta). Meu coração explodiu”, diz Gina. A vitória de Yalitza Aparicio no dia 24 de fevereiro seria a primeira de uma atriz de origem hispânica. E seria parte da “mudança real” pela qual lutam Rodríguez e muitos outros artistas latinos em Hollywood.

Aos 34 anos, Gina protagoniza Miss Bala, longa lançado na sexta-feira (1º/2) nos Estados Unidos. Trata-se de um remake da produção mexicana de 2011, adaptada para ser “um filme de ação para uma audiência global”. Precisávamos contextualizá-lo para a realidade de hoje, nos assegurarmos de que fosse um reflexo de uma mulher independente, forte”, disse Gina, que venceu o Globo de Ouro por sua atuação na série cômica Jane the virgin.

Miss Bala acompanha a história de uma jovem de origem latina criada em Los Angeles que viaja para Tijuana para ajudar uma amiga em um concurso de beleza, mas acaba envolvida no obscuro mundo do contrabando e narcotráfico na fronteira entre Estados Unidos e México.

Em meio a muitas balas, explosões e uma boa dose de exagero, Gloria, personagem de Rodríguez, se descobre capaz de fazer coisas que nunca imaginou, como atirar com um fuzil. A produção teve um elenco e uma equipe de produção com 95% de profissionais latinos.

MUDANÇA “Se latinos e latinas se unirem para apoiar Miss Bala, veremos uma mudança real. Não teremos só um filme, e sim muitos”, disse a atriz. “E acho que os estúdios começarão a colocar dinheiro em produções com latinos tanto à frente como atrás das câmeras”.

O longa foi dirigido por Catherine Hardwicke – do primeiro filme da saga Crepúsculo e Aos treze – que, embora não seja latina, cresceu na cidade fronteiriça de McAllen, no Texas, com “a riqueza de ambas as culturas”. “Não sou mexicana, mas tampouco sou completamente americana”, diz ela, que colocou muito desse “tema de identidade” própria no filme.

Num dos diálogos do longa, Gloria, uma “gringa” que fala pouco espanhol, e o vilão Lino (Ismael Cruz) comentam que quem é criado dos dois lados da fronteira acaba se sentindo mexicano demais para os Estados Unidos e “gringo” demais para o México.

E é assim que Rodríguez se sente, pois nasceu em Chicago e é filha de pais porto-riquenhos. Apesar de ter integrado o elenco de filmes como Aniquilação e Horizonte profundo, ela assegura que o caminho não foi fácil. “Tinha 32 anos quando consegui o papel para Miss Bala. Até então, não havia tido uma oportunidade como essa e, desde então, não tive outra oportunidade similar. São muito poucas”, afirma a atriz, que agradece a ídolos como Rita Moreno e Lupe Ontiveros por terem tornado “esse caminho menos difícil”.

ESPAÇO
E ela espera continuar abrindo caminhos. “Existem muitos de nós usando a nossa plataforma para abrir espaço para que outros fiquem de frente para as câmeras e aumentem a nossa comunidade”, diz Rodríguez, cuja produtora I Can And I Will (eu posso e eu vou) tem esse objetivo.

“A única forma de gerar a mudança é fazê-la você mesmo”, avalia. Ela desenvolve com a Disney uma série chamada Diário de uma presidente, sobre a adolescência de uma latina que chegará à Casa Branca quando adulta. O projeto está sendo gestado num momento em que o presidente Donald Trump impulsiona políticas anti-imigrantes que afetam principalmente os hispânicos.

“Espero que o lamentável ‘bullying’ desta Casa Branca nos lembre o quão fortes somos juntos”, diz ela. “Que saiamos mais companheiros, mais unidos e com mais vontade de proteger a nossa comunidade.” (AFP)


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