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Kéfera vai de mulher famosa a garota rejeitada em 'Eu sou mais eu'

Comédia sobre bullying estreia nesta quinta (24) e tem 'um lado terapêutico para uma geração', segundo diretor Pedro Amorim


postado em 24/01/2019 05:02

Kéfera Buchmann, que está no ar na televisão, protagoniza e coproduz Eu sou mais eu, voltado ao público adolescente(foto: CATARINA SOUSA/DIVULGAÇÃO)
Kéfera Buchmann, que está no ar na televisão, protagoniza e coproduz Eu sou mais eu, voltado ao público adolescente (foto: CATARINA SOUSA/DIVULGAÇÃO)


A youtuber Kéfera Buchmann volta aos cinemas em Eu sou mais eu, novo filme de Pedro Amorim, que estreia nesta quinta-feira (24; confira salas e horários na página 4). Ela interpreta Camila Mendes, uma cantora arrogante e ególatra cujo único objetivo aparente é ampliar a fama e o sucesso já consolidados. Quando sua casa é invadida por uma fã em busca de uma selfie, o flash disparado pela câmera faz Camila perder os sentidos e despertar em 2004, quando ainda era uma adolescente insegura e impopular.

 

A premissa remete a duas comédias norte-americanas lançadas naquele ano: De repente 30, em que a personagem de Jennifer Garner faz o caminho inverso, saltando da adolescência para a maioridade; e Meninas malvadas, já que a Camila da juventude é alvo preferencial da crueldade das patricinhas de seu colégio. As já conhecidas tramas desses e de outros longas sobre colegiais ou viagens no tempo não permitem encontrar grandes novidades no roteiro, assinado por Angélica Lopes e LG Bayão.
Ainda atônita com a volta ao passado, Camila reencontra a excêntrica fã que invadiu sua casa. A moça lhe dá um aviso: para retornar à vida adulta, é preciso “ser mais você”. Erroneamente, a protagonista entende que deve replicar na adolescência seu comportamento de popstar e passa a bater de frente com Drica (Giovanna Lancelotti), a mais malvada e popular aluna da escola. Na empreitada, conta com a ajuda do nerd Cabeça (João Côrtes), seu único amigo.

 

A história foi desenvolvida a partir de argumento da própria Kéfera, que, além de protagonista, é produtora associada do longa. “Pela primeira vez me envolvi com um filme desde o começo, o que permitiu que esse tivesse mais a minha cara”, diz ela, em entrevista ao Estado de Minas.

 

Desde que saltou de seu canal 5incominutos, no YouTube, para a telona com É fada, em 2016, Kéfera já atuou em O amor de Catarina (2016) e Gosto se discute (2017). Ainda em 2019, ela roda a adaptação de seu terceiro livro, Querido dane-se, lançado em 2017. Na TV, a paranaense está no ar na novela Espelho da vida (Globo).

BULLYING Ainda que pelo viés do humor, Eu sou mais eu se propõe a abordar um tema importante: o bullying no ambiente escolar. Para interpretar a protagonista, Kéfera diz ter feito um mergulho intenso em seu próprio passado. “A história da Camila remete muito à minha vida. Acabei emprestando certas vivências à personagem”, diz. “Não tinha muitos amigos, era mais excluída. Implicavam com meu cabelo e com meu corpo, me chamavam de gorda, ameaçavam me bater. Algumas vezes, eu lanchava no banheiro, porque costumavam pegar minha lancheira e jogá-la do segundo andar, para que eu não tivesse o que comer”, conta.

 

Para Kéfera, experiências tão dolorosas podem ter efeitos permanentes e transformar quem passa por elas em pessoas amarguradas – caso de sua personagem. “São comportamentos cruéis demais na fase em que desenvolvemos nossa personalidade, formulamos nossos valores e princípios”, diz. A aposta é que Eu sou mais eu possa levar uma mensagem de autoaceitação ao público infantojuvenil.

 

Se pudesse voltar ao passado, como sua personagem, Kéfera diz que enfrentaria tudo novamente. “Entendo que ter passado por tudo isso me dá a chance de ajudar quem enfrenta esse problema”, afirma. “Independentemente de pertencer a um padrão ou não, é preciso gostar de quem se é. Quem já viveu esse problema vai se identificar com a Camila adolescente e quem passa por isso, hoje, vai perceber que ela tem algo a dizer e ensinar.”

JOVENS “O filme tem esse lado terapêutico de falar a uma geração que está tudo bem em ser diferente. Queremos propor a autenticidade, lembrando que, para ser autêntico, é preciso ter coragem”, afirma o diretor Pedro Amorim. Experiente em comédias para adultos – Mato sem cachorro (2013), Superpai (2014) e Divórcio (2017) –, o diretor volta agora seu olhar para o público jovem.
“No cinema brasileiro, faltam comédias que falem diretamente a adolescentes e jovens adultos. Foi muito bacana botar uma pedrinha nesse segmento em que há tanta história para contar”, diz Pedro Amorim, de 41 anos.

 

Se a trama pueril mira especialmente os adolescentes – faixa que concentra a maior quantidade de fãs de Kéfera –, o longa também tenta atingir o público jovem adulto, dada a nostalgia evocada por sua trilha sonora. Além da canção original Eu sou mais eu, Kéfera gravou hits do início dos anos 2000, como Ragatanga, do grupo Rouge, e Máscara, da roqueira Pitty. Há, ainda, divertidas referências ao Orkut, às videolocadoras e aos celulares Nokia, sem touch screen e com o famoso “jogo da cobrinha”.

LIÇÕES Ainda que incorpore uma lição moralizante direcionada aos mais jovens, Eu sou mais eu evita ser demasiadamente didático e politicamente correto, a exemplo das cenas de consumo de álcool. Ao mesmo tempo em que critica o comprometimento da autoestima pela imposição de determinados padrões de beleza, o roteiro não consegue escapar dessa armadilha em determinados momentos. Se o bonito contato com o avô (Arthur Kohl) contribui para desenvolver certo carisma na Camila adolescente, sua relação com a mãe (Flávia Garrafa) é superficial e restrita a conselhos estéticos.

 

“A intenção é retratar o adolescente como ele é, sem fazer ode a qualquer comportamento. Não quis pasteurizar uma geração, porque o filme acabaria se tornando irreal. Os jovens bebem escondidos dos pais, falam palavrões e fazem muita besteira. Mas nada é gratuito no filme: também mostramos o lado negativo dessas ações”, afirma o diretor.

 

Apesar de beber na fonte do cinema norte-americano, Amorim conta que a maior inspiração para o projeto veio da literatura do século 19: Um conto de natal, do inglês Charles Dickens. “Há um paralelo entre a Camila e aquele velho avarento, em confronto com seu passado e futuro. Ambos viraram pessoas egoístas e passam por um aprendizado. Em meio a isso, também quis brincar com o gênero, satirizando os filmes sobre viagem no tempo”, diz.

 

 

"A intenção é retratar o adolescente como ele é, sem fazer ode a qualquer comportamento. Não quis pasteurizar uma geração, porque o filme acabaria se tornando irreal. Os jovens bebem escondidos dos pais, falam palavrões e fazem muita besteira. Mas nada é gratuito no filme: também mostramos o lado negativo dessas ações”

Pedro Amorim,diretor

“A história da Camila remete muito à minha vida. Acabei emprestando certas vivências à personagem. Não tinha muitos amigos, era mais excluída. Implicavam com meu cabelo e com meu corpo, me chamavam de gorda, ameaçavam me bater”

Kéfera  Buchmann,
atriz
 


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