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Estado de Minas

Dicas de português


postado em 20/01/2019 05:08

Recado
“Eu gosto de olhos que sorriem, de gestos que se desculpam, de toques que sabem conversar, de silêncios que se declaram.”

>> Machado de Assis


De armas, balas
e eufemismos

O presidente Bolsonaro baixou o decreto que libera a posse de arma. No pronunciamento, cumprimentou gregos, troianos, baianos e deputados da Bancada da Bala. São parlamentares que defendem o direito de o cidadão ter em casa revólver, pistola & cia. que mata.

Ao referir-se a eles, Sua Excelência adocicou-lhes a alcunha. Trocou Bancada da Bala por Bancada da Legítima Defesa. Recorreu ao eufemismo. Em vez da expressão que choca, causa dor ou provoca imagens desagradáveis, apelou para outra, mais branda.

Lançou mão de recurso pra lá de útil. Muitos não gostam de pronunciar a palavra morte. Sentem medo. O que fazem? Pedem ajuda ao eufemismo.  Manuel Bandeira chamou-a de “a indesejada das gentes”. Outros dizem passamento, falecimento, viagem, ida para a companhia do Senhor, passagem desta pra melhor, espichar a canela, vestir paletó de madeira, bater as botas. E por aí vai.

Diabo não fica atrás. A língua oferece mil artimanhas para fugir do coitadinho: demo, bicho, anjo rebelde, anhangá, beiçudo, canhoto, cão, coxo, coisa ruim. Valha-nos, Deus! Vade retro, satanás!

De montão
O coletivo de armas? É arsenal sim, senhores.

Sem plural
As férias se aproximam do fim. A moçada curte os últimos dias. Os pais vão atrás de matrícula, uniforme, material escolar. Fica aqui uma dica: material significa conjunto de componentes. Por isso não deve ir para o plural em locuções como material de construção (não materiais de construção), material hospitalar, material dentário, material bélico, material escolar. E por aí vai.

Vizinho prateado
O presidente argentino visitou o Brasil na quarta-feira. Não deu outra. O país que Mauricio Macri governa ganhou espaço em rádios, jornais, tevês e internet. Muitas notícias e uma curiosidade – a etimologia de Argentina. A história vem de longe, da mitologia romana. Argentarius era o deus que guardava as moedas de prata. Com o tempo, tornou-se o deus do dinheiro.


Na língua dos Césares, argentum significa prata. Argentina, do latim argentinus, que quer dizer de prata, que se parece com prata. O navegador italiano Sebastião Caboto, ao chegar ao rio que parecia mar, denominou-o Rio da Prata. A razão: por ali havia indígenas enfeitados com muita prata.

O deus endinheirado enriqueceu o léxico português. Eis quatro exemplos:

Argentar (ou argentear) – Pratear, tornar da cor da prata

Argentaria – Guarnição, talheres ou baixelas de prata

Argentário – Guarda-pratas, ou pessoa muito rica (milionária)

Argênteo – Prateado

É isso. O país vizinho, além de futebol guerreiro, carne boa e homens galanteadores, tem história. Viva!

Leitor pergunta
A regência do verbo chamar me confunde. Pode me ajudar?

Maria Clarita, Guarujá

Eta verbinho versátil! Chamar tem diferentes regências:

1) Na acepção de mandar vir, é transitivo direto: chamar o médico, chamar o secretário, chamar Maria, chamar os filhos.
2) Na acepção de dar nome, é transitivo direto ou indireto: chamaram-no salvador ou chamaram-lhe salvador.
3) Na acepção de invocar, é transitivo indireto com preposição por: Chamou por Deus. Chamou pelo filho antes de desaparecer.

Para ilustrar, leia o textinho de Álvaro Moreira:

“Quando eu morrer, com certeza vou pro céu. O céu é uma cidade de férias, férias boas que não acabam mais. Assim que eu chegar, pergunto onde mora lá minha gente que foi na frente. Dou beijos. Dou abraços. E depois?

Depois eu quero ir à casa de São Francisco de Assis. Pra ficar amigo dele, amigo de verdade. Tão amigo, tão íntimo que ele há de me chamar Alvinho e eu hei de lhe chamar Chiquinho.”


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