Se há uma coisa que devemos temer são os perversos. Muita gente acredita que não existe maldade. Talvez não exista maldade pura, mas um tipo de maldade e bondade amalgamada com peso para um dos lados, sim. Todos temos uma parcela de afetividade e isso inclui a agressividade. Somos mesclados em bondades e maldades. Altruísmo e egoísmo. Generosidade e crueldade. O medo nos protege de excessos de ousadia.
Quando a vontade de gozo perverso se desembaraça de outras pulsões, ganhando território e se expandindo, é de doer. E quando misturam tudo com a fé na religião, a receita é infalível. Pode aprisionar a alma na escravidão, mascarada na promessa de solução para todos os problemas. As pessoas buscam na religião um sentido para a existência. E encontram esse sentido nas religiões.
As fontes de sofrimento são comuns a todos. Uma delas é a dissolução do corpo, que envelhece e morre. Ninguém fica para semente. Pode até durar muito mais do que precisava, mas não temos hora para partir.
A religião resolve a angústia diante da morte, que, então, deixa de ser o nosso fim. Para uns, é a espera até o Juízo Final. Para outros, a espera da reencarnação. Tamanha fé não é experimentada por todos. Há quem encare a finitude. Outra fonte de sofrimento são as ameaças vindas da natureza. Catástrofes, tempestades, furacões que abalam nossa “segurança”. Coisa ilusória, porque qualquer um desses acontecimentos nos arranca o teto – e foi-se a proteção. Sem esquecer guerras, violência urbana e outras deformidades da cultura.
Enfim, sofremos mais do que tudo na convivência.
O estranho é ameaçador. O eu é o bom. O que desconheço é ruim. Assim, vamos nesse roça-roça difícil e atribulado, nos virando como podemos.
Temos um inconsciente, um estranho em nós. Crer num desses João de Deus oferecendo-se é sinônimo do perigo de cair objeto-dejeto dos perversos, que têm apenas vontade de gozar do outro, aproveitar-se da fantasia do outro e de seu corpo sem limites. Ai de nós, os carentes de salvação!!!.