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Movimento nos palcos

A partir de fevereiro, a Campanha de Popularização Teatro e Dança oferece 10 espetáculos de companhias mineiras, uma chance de conhecer a diversidade da produção contemporânea


postado em 16/01/2019 05:10

A Cia. Mário Nascimento apresenta Dança de brinquedo, que combina elementos da cultura popular e a linguagem das ruas(foto: Makely Ka/Divulgação)
A Cia. Mário Nascimento apresenta Dança de brinquedo, que combina elementos da cultura popular e a linguagem das ruas (foto: Makely Ka/Divulgação)



Que Minas Gerais tem tradição em dança não é segredo algum. Além de companhias consagradas e nomes de projeção nacional e internacional, a pesquisa e a diversidade de estilos e propostas é também uma das marcas da produção mineira. Parte da diversidade artística poderá ser vista na programação da Campanha de Popularização Teatro e Dança, promovida pelo Sindicato dos Produtores de Artes Cênicas de Minas Gerais (Sinparc). A partir do próximo mês, 10 espetáculos serão apresentados a preços populares em diversos palcos de Belo Horizonte. Oportunidade para o público conhecer trabalhos de gêneros bastante distintos: dança folclórica, de salão, musical, contemporâneo e jazz.

A Mimulus Cia. de Dança estreia no evento o espetáculo Âmago, com direção de Jomar Mesquita. Serão duas apresentações no Palácio das Artes, depois da pré-estreia realizada na sede da companhia, em setembro. “A gente gosta de fazer no nosso espaço. É momento intimista, em que recebemos o público mais de perto. Depois temos tempo de trabalhar e aperfeiçoar”, diz Jomar.

Embora a Mimulus participe da campanha desde 2000, é a primeira vez que estreia um espetáculo durante o evento. “É uma expectativa gostosa de fazer no Palácio das Artes”, adianta. A música brasileira embala o movimento dos bailarinos, com repertório composto por clássicos – Insensatez (Vinicius de Moraes e Tom Jobim), Acontece (Cartola) – e novas composições – Volta (Johnny Hooker), Louco desejo (Dona Onete). “Na trilha, temos duas a três versões da mesma música, com diferentes intérpretes. De maneira metafórica, mostramos que formas distintas de olhar e de pensar podem conviver”, afirma Jomar.

Inspirado no documentário Janela da alma (2004), de Walter Carvalho e João Jardim, Âmago mostra diferentes formas de ver. Um dos destaques do filme foi o depoimento dado pelo escritor português José Saramago (1922-2010). Ele dizia que, para conhecer algo, é preciso ver o outro lado, o que está por trás. “Dar-lhes a volta toda”, ensinou Saramago. A diversidade também se apresenta no cenário, que se revela de forma surpreendente. “É um cenário muito simples, que acaba revelando o âmago da companhia. O que o público normalmente não vê o que está por trás da cena”, diz Jomar.

Dirigido por Rosa Antuña, a Cia. Mário Nascimento leva ao palco Dança de brinquedo. O espetáculo, que estreou em 2018, transforma os bailarinos em brinquedos, levando o espectador a um mergulho no universo lúdico da cultura popular, jogando com os objetos e suas formas de despertar encanto. Mário lembra que a coreografia, embora aborde a temática da brincadeira, não é voltada apenas para o público infantil. Com muitas camadas de compreensão, promove reflexões que, na avaliação de Mário, são essenciais nesse momento político pelo qual passa o Brasil. A companhia sempre apresenta a dança como espaço da diversidade e combate à intolerância e traz aos movimentos elementos de dança urbana.

A campanha permite ao público tomar conhecimento do que tem sido produzido por companhias menos conhecidas. A Cia. de Jazz Emaline Laia apresenta o espetáculo Elementais (2017), com direção de Emaline Laia. A coreografia foi pensada a partir dos quatro elementos (terra, água, fogo e ar). “Procuramos expressar os elementos no corpo de cada bailarino. Fogo nas extremidades. Água nos movimentos ondulados pelo corpo. A terra no centro do corpo e o ar em movimentos fluidos e passos leves”, afirma Emaline. Na concepção da coreografia, a diretora trabalhou com o signo de cada um dos bailarinos, já que os zodíacos são representados pelos quatro elementos.

MOTIVAÇÃO Jomar Mesquita destaca a importância da Campanha de Popularização para a Mimulus Cia. de Dança. “A campanha é um impulso para iniciarmos o ano. Tem todo um sabor poder começar o ano com essa energia e essa motivação”, diz. Para ele, os ingressos a preços populares incentivam o público ir ao teatro. Ele espera casa cheia em todos os dias de apresentação – a Mimulus foi premiada pelo Sinparc por conquistar o maior público no segmento dança durante uma das edições. “Conseguimos atingir o público que normalmente não vai ao teatro”, diz Jomar

Para Mário Nascimento, o evento promovido pelo Sinparc é a maior campanha de fomento ao teatro realizado no Brasil. “As pessoas gostam de ir ao teatro. Muitas vezes não vão por falta de condições financeiras. Um ingresso de R$ 50 pesa no bolso”, analisa. A Cia. de Jazz Emaline Laia participa da campanha há quatro edições e a expectativa é ter casa lotada em todos os dias de apresentações. “A campanha é uma vitrine muito legal. Gostamos muito de fazer parte da cultura de Belo Horizonte”, diz Emaline.

Três perguntas para...

Rômulo Duque
Coordenador da Campanha de
Popularização Teatro e Dança

Como é feita a escolha dos espetáculos de dança?
Quando começou, a campanha não tinha dança, era só teatro. Há 15 anos, começamos a perceber que não fazia sentido a dança não fazer parte, tendo em vista a importância nacional de Minas nesse cenário. Aqui temos importantes grupos de dança e profissionais competentes. Foi um acerto ter incorporado. Temos grupos tradicionais como a Mimulus, Primeiro Ato e Sarandeiros. E, a cada ano, surgem novos grupos para participar.

Qual é a percepção do público em relação à campanha?
Os espetáculos têm sempre muito bom público, o que demonstra que a cidade gosta de assistir. Percebemos que há um público que gosta de dança, mas também muita gente que conhece o Grupo Corpo e Primeiro Ato e vai para conhecer o trabalho de novos grupos. Muita gente pensa que a dança é para a elite. Mas, na campanha, com preços populares, podem ir e assistir e tomam gosto pela dança e se identificam. Tem gente que quer até virar bailarino depois de ver os espetáculos.

Quais espetáculos fazem mais sucesso? Tem algum gênero que atrai mais o público?

A dança de salão movimenta muita gente. Mas percebemos que os espetáculos de dança em geral têm público cativo. Acredito que há pouca produção da dança durante o ano. É um tema que estamos discutindo.



PARA TODOS OS GOSTOS

» ALÉM-MAR
Com Sarandeiros. Direção de Gustavo Côrtes e Petrônio Alves. Quinta (21/2), às 20h30. Sesc Palladium. Ingresso: R$ 15

» AMAR-TE
Interpasso Cia. de Dança. Direção de Cassiano Rodrigues. Quinta (14/2) e sexta (15/2), às 20h. Teatro Raul Belém Machado. Sábado (16/2), às 20h30, e domingo (17/2), 19h. Teatro Francisco Nunes. R$ 18
» ÂMAGO
Mimulus Cia.de Dança. Direção de Jomar Mesquita. Sábado (9/2), às 21h, e domingo (10/2), às 19h. Palácio das Artes. R$ 18

» BALANÇA BRASIL
Direção de Carlos Moreira. Quinta (14/2), às 20h30. Centro de Cultura Sesiminas. R$ 15

» BATUCA TANGO
Cia. El Abrazo. Sexta (22/2) e sábado (23/2), às 21h. Centro Cultural Minas Tênis Clube. R$ 18

» DANÇA DE BRINQUEDO
Cia. Mário Nascimento. Direção de Rosa Antuña. Sábado (16/2) e domingo (17/2), às 16h; sábado (23/2) e domingo (24/2), às 16h. R$ 10

» ELEMENTAIS
Cia. de Jazz Emaline Laia. Direção de Emaline Laia. Sexta (22/2), às 20h. Teatro Francisco Nunes. R$ 15.

» LALANGUE: CARTA À MÃE
Cia de Dança Palácio das Artes. Direção de Cristiano Reis. Sexta (22/2), às 20h30, e sábado (24/2), às 19h. Palácio das Artes. R$ 10

» O PRÓDIGO
Ide Núcleo de Arte e Dança. Quinta (7/2), às 20h. Teatro Marília. R$ 18.

» TRAÇADO – ONDE TUDO COMEÇA OU TERMINA
Cia. Café com Dança. Sexta (8/2), sábado (9/2) e domingo (10/2), às 20h. Centro Cultural Minas Tênis Clube. R$ 18

Venda de ingressos e informações: www.vaaoteatromg.com.br.


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