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Estado de Minas

Família fica americanizada


postado em 16/01/2019 05:10


A coluna do último sábado sobre a jornalista e poeta Célia Laborne, que lançou naquela data seu livro Rota de sonhos, teve uma boa resposta através de e-mails. Uma delas, que faço questão de destacar, referia-se à citação do fato de ela ter ido morar numa casa de repouso porque não tem irmãos. Enganei-me, ela tem dois: Angelo e Darcílio Laborne. Porém, minha informação não estava totalmente incorreta. Durante muitos anos, Célia morou em um apartamento na Rua Antônio Aleixo, ao lado do Minas Tênis Clube. Algumas vezes fui levá-la em casa, e ela dizia que gostava de morar sozinha para não dar trabalho a cunhadas. No que tinha, é claro, a maior sabedoria. Morar com irmão já é complicado, com cunhada no meio não dá muito para encarar.

E Célia seguiu seu temperamento ao escolher a casa de repouso onde vive com todo conforto e independência. Visitei algumas dessas casas nos Estados Unidos, perfeitas para moradoras ricas. Eram dotadas de confortos como academia, piscina, salão de beleza, restaurante e muitas lojas de artigos importados. Ninguém precisa sair de lá para se enfarpelar.

Aqui, o conforto não chega a esse nível, pois as demandas são menores, assim como as cidades. E moradoras que podem se locomover com segurança certamente aproveitam algum tempo do dia para fazer shopping. Que, afinal, é uma boa forma de distração e de gastar o tempo – e dinheiro, claro.

Uma leitora, que confessa ter muita vontade de morar em uma casa assim, pede o endereço de onde Célia está. Trata-se da Integridade – Espaço de Atividades e Residencial Sênior, que fica na Rua Sinval de Sá, 609, Cidade Jardim. Nunca estive no local, mas só pelo fato de ela morar lá há vários anos, o estabelecimento é mais do que recomendado.

Tenho a maior admiração por pessoas que escolhem esse tipo de moradia a partir de uma certa época da vida. Afinal de contas, o envelhecimento não é um maravilhoso tempo em que tudo é bom, legal, agradável. Quem vive muito sabe que a cada dia “basta a sua provação”, como diz a Bíblia. E essa provação é o espelho do organismo, por mais que ele esteja bem cuidado, bem tratado.

Morar fora do círculo familiar é uma boa maneira de poupar parentes de uma série de aborrecimentos e queixas. Não incomodar é a máxima mais importante da velhice. Aquela avó na cadeira de balanço, de cabelos brancos e crochê na mão, é uma figura que já caiu da moda há tempos. Quando ela consegue se recolher a uma moradia exclusiva e só aparece para festejar, o quadro é bem outro, a apreciação é maior. Assim como a saudade.

Acontece que a sociedade brasileira, sempre tão ligada aos laços familiares, está se aproximando do comportamento americano. Então, é cada vez mais comum colocar pessoas da família em casas de repouso para não ter com o quê se preocupar. Todos nós conhecemos casos e mais casos de pai ou mãe colocados nesses espaços porque os familiares preferem se livrar de uma preocupação diária, de um cuidado constante.


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