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Estado de Minas

Canseiras comuns


postado em 09/01/2019 05:02


De uma coisa tenho certeza: sou das mais antigas clientes da Drogaria Araujo. Compro lá desde os tempos do fusquinha que entregava remédios e levava enfermeiros para dar injeção em sua casa a qualquer hora da noite. Não esqueço sequer o telefone, 27-5000. Comprava tanto que, quando sumia, alguém de lá telefonava, perguntando se não estava precisando de alguma coisa. Conhecia os encarregados de aplicar injeção, o que era muito comum na época. Era cliente tão fiel que fui recebida na filial da cidade, aquela perto da rodoviária, pelo diretor da época, Eduardo Araujo, que me mostrou tudo, inclusive o setor onde eram preparadas as fórmulas e ainda me presenteou com um relógio com a marca da empresa. Senti quando ele morreu, porque quebrava qualquer galho daqueles que surgem à noite, quando não é possível ter acesso a médicos e não era caso de recorrer a hospitais.

Quando ele “foi embora”, foi substituído pelo irmão, Modesto Araujo, que ocupa bem o lugar de Eduardo. Só que as coisas mudaram, a cidade cresceu, o controle da venda de medicamentos ficou completamente controlada e ainda por cima o público ganhou dois alentos: os medicamentos de uso constante, que são fornecidos pelo governo, com a garantia do pedido médico, que não deve ter mais de seis meses, e os descontos de alguns itens fornecidos pelos laboratórios.

E é aí que a coisa pega. Existe um problema que sofro mensalmente e que sempre juro que não vai se repetir no mês seguinte. Tenho uma mania de fazer com os medicamentos o mesmo que faço com o suprimento doméstico: compro tudo de que preciso uma vez por mês para garantia e sossego. Não são poucos, substituem a insulina que por obra e graça de meu médico, Walter Caixeta, uso em lugar daquelas picadas diárias, três por dia não é brincadeira. Com o correr o tempo, e do uso diários, fica difícil encontrar uma área livre do corpo para aplicar a injeção.

O medicamento gratuito tem um defeito corriqueiro: mesmo quando a farmácia tem a liberação de seu uso, a cada vez é preciso pedir licença ao laboratório, ou não sei a quem. O comum é o programa estar fora do ar. Na maioria das vezes, prefiro pagar o remédio, mesmo tendo a receita, para não ficar dependendo de um retorno do sistema. A questão dos descontos, para a compra constante dos mesmos medicamentos, é mais complicada. Além da receita, é preciso o fornecimento de documentos pessoais e contar com a graça de Deus. Todas as vezes, sem exceção, é preciso telefonar para o laboratório para passar o número dos documentos e receber deles o número da liberação do produto. Passo por esse purgatório todos os meses – e nunca, mas nunca mesmo, a liberação está correta quando chegamos ao caixa para fazer o pagamento.

Uso sempre a Drogaria Centenário, que é no meu caminho, sou conhecida e saudada nominalmente por várias funcionárias. Mas conseguir um pagamento rápido, é outro problema sério. Na semana passada, fui fazer minha compra mensal e, entre idas e vindas da gerente da hora, para conferir os dados, gastei mais de 40 minutos. Parece nada, mas é muito, principalmente porque gosto de fazer minha compra no horário de almoço. A explicação da moça do caixa é que o sistema estava lento, a liberação com problemas e por aí vai. Fico tão impaciente que penso em mudar minha compra de lugar. Mas sou igual gato – apesar de não gostar nem um pouco desse bicho – quero voltar sempre para lugares que conheço, onde sou conhecida, me sinto à vontade. Modesto Araujo podia bem dar uma atenção extra a esse tipo de problema, que acredito não ser só meu.


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