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Estado de Minas

VELHOS TEMPOS, NOVAS VITÓRIAS

Globo de Ouro abre a temporada de prêmios em Hollywood destacando a cinebiografia do Queen, os veteranos Michael Douglas e Glenn Close e o filme de Alfonso Cuarón sobre sua infância no México


postado em 08/01/2019 05:05

O ator Rami Malek entre os músicos do Queen Brian May e Roger Taylor. O longa sobre Freddie Mercury e o Queen, Bohemian rhapsody, saiu como grande vencedor (foto: FOTOS: MARK RALSTON/AFP)
O ator Rami Malek entre os músicos do Queen Brian May e Roger Taylor. O longa sobre Freddie Mercury e o Queen, Bohemian rhapsody, saiu como grande vencedor (foto: FOTOS: MARK RALSTON/AFP)


Cem jornalistas, os integrantes da Associação de Correspondentes Estrangeiros de Hollywood, são os votantes do Globo de Ouro. Oito mil pessoas, entre atores, diretores, roteiristas, produtores e outros profissionais do cinema, votam no Oscar, prêmio dado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.

Como primeiro prêmio televisionado do ano, o Globo de Ouro, tradicionalmente, tem uma importância grande para a indústria. Mas há muito já se sabe que ele pode apontar tendências, fortalecer candidatos, mas que não define os vencedores do Oscar. No ano passado, por exemplo, o Globo de Ouro premiou Três anúncios para um crime e Lady Bird como melhores filmes de drama e comédia, respectivamente. A Academia de Hollywood, por seu lado, escolheu A forma da água.

A votação para a 91ª edição do Oscar, em 24 de fevereiro, teve início nesta segunda (7). Os votantes da Academia terão até o dia 14 para escolher seus candidatos – o anúncio dos escolhidos será no dia 22 deste mês. Diante disso, a 76ª edição do Globo de Ouro, na noite de domingo (6), serviu para ratificar alguns nomes e diminuir o barulho em torno de outros.

Foi uma noite de surpresas e de prêmios divididos. Os dois troféus de Bohemian rhapsody, a cinebiografia musical mais vista da história (arrecadou US$ 550 milhões), fizeram a equipe de Nasce uma estrela colocar o pé no freio. A estreia de Bradley Cooper na direção e a interpretação de Lady Gaga como uma cantora aspirante eram dados como favoritos nessas categorias. Pois o filme saiu do Globo de Ouro com somente uma vitória – de canção original, para a balada Shallow.

Infiltrado na Klan e Pantera Negra, dois grandes filmes com realizadores, protagonistas e temática negros (Pantera Negra foi o primeiro filme de super-herói a ser indicado na categoria principal do Globo de Ouro), saíram de mãos abanando.



CRÍTICA DIVIDIDA

A interpretação vigorosa de Rami Malek para Freddie Mercury é o ponto indiscutível de Bohemian rhapsody, um filme rejeitado pela maior parte da crítica por sua leitura suavizada do Queen seu tom melodramático (não intencional). A surpresa, para além do troféu de melhor ator para Malek, foi o fato de Bohemian rhapsody, que caberia bem na categoria musical, ter saído como o melhor filme em drama – o Globo de Ouro divide suas categorias, tanto de cinema quanto de TV, entre comédia/musical e drama, sendo que o segundo desfruta de maior prestígio.

Com Malek eleito melhor ator em drama, Christian Bale, ironicamente, foi eleito o melhor ator em comédia por Vice, cinebiografia do ex-vice-presidente dos EUA Dick Cheney. E Glenn Close, magnífica em A esposa, colocou Lady Gaga para escanteio com o troféu de melhor atriz. A vitória de Glenn Close, já indicada ao Oscar seis vezes, coloca seu nome em evidência na disputa pela estatueta.

Dos filmes, o campeão de troféus foi Green book – O guia. Um diretor que nunca foi levado a sério, Peter Farrelly (de Debi & Lóide e Quem vai ficar com Mary?, entre outras comédias com boa carga de escatologia), assume a narrativa que levou os troféus de melhor comédia, ator coadjuvante (para Mahershala Ali) e roteiro.



STREAMING

Mas o maior vencedor da noite foi a Netflix. Foram cinco troféus, dois deles barbadas que fortalecem o cenário de mudanças em Hollywood. O longa-metragem Roma, de Alfonso Cuarón, foi eleito o melhor filme estrangeiro do Globo de Ouro (prêmio de que ninguém duvidava) e ainda deu ao cineasta mexicano o troféu de melhor diretor.

Numa época em que os estúdios tradicionais estão sendo desafiados pelo streaming, a premiação de Roma, produção ambientada no México em que Cuarón apresenta um olhar reminiscente sobre sua infância, coloca mais lenha nesta fogueira.

A Netflix ainda levou dois prêmios (mais do que justos) para O método Kominsky (série de comédia e ator para Michael Douglas) e um (este bastante sem sentido, já que qualquer um dos quatro outros candidatos era melhor) para melhor ator em drama para Richard Madden, de Segurança em jogo.

A concorrente Amazon Prime Video recebeu dois prêmios de atuação: melhor atriz em comédia para Rachel Brosnahan, de The marvelous Mrs. Maisel (que já havia levado o troféu em 2018, pelo mesmo papel) e ator coadjuvante em minissérie para Ben Whishaw, de A very English scandal (esta inédita no Brasil).

The Americans, que encerrou em 2018 em alta após seis temporadas, só tinha esta chance para levar um Globo de Ouro. Tanto que, quando o título da produção sobre dois espiões russos que vivem como americanos nos EUA da década de 1980 foi anunciado como melhor drama, não houve surpresa (e justiça seja feita, foi um prêmio merecido).



ENGESSADOS


Outro favoritismo confirmado foi O assassinato de Gianni Versace: American crime story, que levou os troféus de melhor minissérie e ator para Darren Criss. Agora, história mesmo quem fez foi Sandra Oh. Primeira atriz de origem asiática a apresentar a cerimônia, ela, ao vencer o Globo de Ouro de atriz de série dramática por Killing Eve, tornou-se também a primeira atriz de origem asiática a receber o prêmio duas vezes (a anterior foi como coadjuvante por Grey’s anatomy).

Sandra Oh é ótima atriz. Como apresentadora, foi medíocre. Depois de edições barulhentas em 2015 e 2016 (sem atores negros entre os indicados), 2017 (com fortes críticas a Donald Trump) e 2018 (com protestos contra assédio sexual e os convidados vestidos de preto), a deste ano queria ser uma edição paz e amor.

Com seu parceiro Andy Samberg, Sandra Oh, de olhos sempre colados no teleprompter, não fugiu ao script – que deixou de lado o sarcasmo de apresentadores anteriores, como Ricky Gervais, Tina Fey e Amy Poeler.

Mesmo fugindo de polêmicas, a cerimônia teve seus bons momentos. Entre os discursos de agradecimento, Glenn Close pautou sua fala na desigualdade de gênero. “Temos que seguir nossos sonhos, temos que dizer: ‘Eu posso fazer isso’ e ‘eu deveria poder fazer isso’”, afirmou a atriz, que, em A esposa, desempenha o papel da mulher que vive à sombra do marido, um vencedor do Nobel de Literatura.

Outro bom momento foi o da presidente da Associação de Correspondentes Estrangeiros de Hollywood, a indiana Meher Tatna. Em seu discurso, a jornalista defendeu a liberdade de imprensa, categoria que é alvo de constantes ataques de Donald Trump, desde que ele assumiu a Presidência dos EUA.

RESPOSTAS


Mas o que a TV não mostrou – e fez barulho na imprensa e nas redes sociais – foram as falas dos cineastas Alfonso Cuarón e Bryan Singer. O primeiro, durante entrevista logo após sua premiação, retrucou um repórter que comentou sobre o lançamento não convencional de Roma, via Netflix – na opinião do jornalista, tal distribuição seria ruim para a indústria, já que prescinde de salas de cinema. “Quantos cinemas você acha que exibiriam um filme mexicano, em preto e branco, falado em espanhol e dialeto, um drama sem nenhuma estrela no elenco?”

Já Singer, o diretor de Bohemian rhapsody, não foi à festa nem sequer foi citado nos discursos de agradecimento do melhor filme. Singer foi demitido faltando duas semanas para o fim das filmagens (e substituído por Dexter Fletcher), mas seu nome recebeu créditos no filme.

Na época da demissão, circularam notícias sobre constantes brigas do cineasta com Rami Malek, bem como seus atrasos no set – Singer, além disso, foi acusado de estuprar um jovem de 17 anos em 2003, o que ele nega. No Instagram, na madrugada desta segunda, o diretor postou uma imagem das filmagens de Bohemian rhapsody em que ele está de costas, na cadeira do diretor, com a legenda: “Que honra. Obrigado”.

Onde e quando ver os vencedores


Dos vencedores do Globo de Ouro, somente Bohemian rhapsody está em cartaz nos cinemas de BH – como o filme estreou em 1º de novembro, ele está em final de temporada, ocupando poucas salas. O primeiro homem e Nasce uma estrela já saíram de cartaz. Já Roma, lançado em 14 de dezembro, pode ser visto na Netflix.

Nesta quinta-feira (10) chegam aos cinemas os vencedores A esposa e Homem Aranha no Aranhaverso. Já no dia 24 estreiam no Brasil Green book – O guia, Se a rua Beale falasse e A favorita. Vice será lançado no circuito comercial no dia 31.

Já entre as séries, somente duas são inéditas no país. Ainda não há data para que A very English scandal entre no catálogo da Amazon Prime Video. E Escape at Dannemora, minissérie dirigida por Ben Stiller para o canal Showtime, não tem previsão de estreia por aqui.

QUEM LEVOU
Confira os premiados do 76º Globo de Ouro

Cinema


Filme – drama: Bohemian rhapsody
Filme – comédia ou musical: Green book – O guia
Ator em drama: Rami Malek (Bohemian rhapsody)
Atriz em drama: Glenn Close (A esposa)
Ator em comédia ou musical: Christian Bale (Vice)
Atriz de comédia ou musical: Olivia Colman (A favorita)
Ator coadjuvante: Mahershala Ali (Green book – O guia)
Atriz coadjuvante: Regina King (Se a rua Beale falasse)
Diretor: Alfonso Cuarón (Roma)
Roteiro: Nick Vallelonga, Brian Currie e Peter Farrelly (Green book – O guia)
Filme em língua estrangeira: Roma (México)
Animação: Homem-Aranha no Aranhaverso
Canção original: Shallow (Lady Gaga, Mark Ronson, Anthony Rossomando e Andrew Wyatt, por Nasce uma estrela)
Trilha sonora: Justin Hurwitz (O primeiro homem)


Televisão


Série – drama: The Americans (Fox Premium)
Ator em drama: Richard Madden (Segurança em jogo, Netflix)
Atriz em drama: Sandra Oh (Killing Eve, GloboPlay)
Série – comédia ou musical: O método Kominsky (Netflix)
Ator em comédia ou musical: Michael Douglas (O método Kominsky)
Atriz em comédia ou musical: Rachel Brosnahan (The marvelous Mrs. Maisel, Amazon Prime Video)
Minissérie ou telefilme: O assassinato de Gianni Versace: American crime story (Netflix a partir do dia 17)
Ator em minissérie ou telefilme: Darren Criss (O assassinato de Gianni Versace: American crime story)
Atriz em minissérie ou telefilme: Patricia Arquette (Escape at Dannemora)


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