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Helvécio Carlos


postado em 06/01/2019 05:06

Gustavo Caetano e Rodrigo Pederneiras, do Grupo Corpo (foto: Arquivo Pessoal)
Gustavo Caetano e Rodrigo Pederneiras, do Grupo Corpo (foto: Arquivo Pessoal)
“Chegamos para ficar e declarar todo nosso carinho e respeito pela cidade”

Ao lembrar os 10 anos de criação do Bloco do Queixinho, Gustavo Caetano aponta o desfile de estreia como o mais marcante. “Você podia ficar deitado na Avenida Afonso Pena, no Centro, por uns 30 minutos que era raro passar um carro. Imagina só criar um bloco de carnaval num cenário desses? Imagine só uma cidade vazia e, de repente, surge um grupo de pessoas fantasiadas e com uma alegria sem fim tocando?

Foi inesquecível”, cita, lembrando que o percurso, com o Tico Tico Serra Copo, começou no coreto do Parque Municipal. “Quando vimos, estávamos arrastando um monte de gente”, acrescenta.

Este ano, o bloco vai prestar homenagem ao Grupo Corpo no desfile marcado para o domingo de carnaval.

A concentração, na Praça da Bandeira, está prevista para as 14h30. “A homenagem à companhia foi recebida com muito carinho por eles. Alguns bailarinos irão se juntar a nós. A ideia é mostrar que aquele cara, aquela mulher que está ali ao seu lado curtindo na maior alegria é aquele artista que, nos dias dos espetáculos do grupo, faz um solo maravilhoso e está ali junto e igual a você”, diz.

Para Gustavo, Belo Horizonte não tem um modelo de carnaval. “Essa diversidade e a espontaneidade fazem o carnaval funcionar muito bem. Isso é bom, pois mantém o caráter anarquista em alguns momentos e garante a liberdade de escolha em sermos o que quisermos”, afirma. Ele, contudo, defende a necessidade de avançar para além do carnaval focado na região Centro-Sul. “Existem várias representações culturais nas periferias, vilas, aglomerados e bairros fora da região da Avenida do Contorno que são maravilhosas e precisam entrar no radar da população.”



COM A PALAVRA
Gustavo Caetano
Fundador do Bloco do Queixinho


Por que a homenagem ao Grupo Corpo?

O Grupo Corpo é uma referência para a gente, um conglomerado diverso de bailarinos e bailarinas que se doam para fazer com perfeição. O inicio do grupo também foi marcado por dificuldades. Começar um projeto com tamanha intensidade não foi fácil, isso nos une de certa forma. Este ano, o Samba Queixinho completa 10 anos e, relembrando o início dessa epopeia, em 2009, pouquíssimas pessoas ficavam na cidade. Pensando nisso, simbolicamente, faz sentido para a gente essa homenagem e dizer que agora a cidade é uma cidade viva, pulsante e que os corpos que aqui ficam durante o carnaval são de pessoas que valorizam a cultura mineira, assim como o Grupo Corpo. Paulo Pederneiras e Rodrigo Pederneiras são referências e merecem esse carinho.

Ano passado, vocês homenagearam o Giramundo...

Sim, foi um dos momentos mais marcantes o desfile junto ao Giramundo. Somos eternamente gratos à generosidade da família Apocalypse. A Bia (Beatriz Apocalypse) aceitou nossa homenagem e cedeu vários bonecos para o desfile. Foi uma emoção sem fim andar pelas ruas da cidade acompanhado dela, do Ricardo e filhos, além dos bonecões que compuseram essa trilha visual de forma sublime. Em 2016, homenageamos também o Grupo Galpão. A rainha da bateria foi Esmeralda, a Veraneio usada por anos no espetáculo Romeu e Julieta do grupo. E contamos com a ilustre presença do Chico Pelucio na bateria, foi maravilhoso.

Vocês surgiram antes da explosão do carnaval em BH. Como o bloco funcionava antes e depois do boom?

Surgimos no reflorescimento dessa safra de carnaval de rua de 2009 pra cá, com todo respeito e reverência à história dos blocos de carnaval, caricatos e escolas de samba que sempre existiram e foram responsáveis por manter a chama acesa. Em um primeiro momento, a ideia era mostrar que dava para fazer carnaval na cidade e, num segundo momento, chamar as pessoas para a rua, encorajá-las a ficar na cidade, tocar um instrumento e montar um bloco de carnaval onde quer que fosse. O maior desafio era mostrar para o poder público que chegávamos para ficar e declarar todo nosso carinho e respeito pela cidade. Não tinha verba para nada, banheiro, estrutura, nada. Mas isso é o legal desse carnaval de luta. Vai acontecer, independentemente de ter estrutura ou não. Não é evento, é manifestação cultural! Hoje, depois de nove anos de ocupação, surgiram vários blocos com caras e formatos diferentes. Vimos que a sementinha plantada deu frutos de diversidade, jogamos luz para vários movimentos que existem para além do carnaval. Esse é o nosso legado.

Como vocês fazem para se manter?

No início era perrengue puro, para muitos blocos ainda é. Porém, com 10 anos de existência não passamos tanta raiva. Você entende o que é bom para os componentes do seu bloco. Por exemplo, se o trajeto não tem tanta subida e descida, afinal, carregamos instrumentos durante oito horas seguidas, se tem árvore no percurso.... Esses detalhes dependem só da gente. Mas, em se tratando de manutenção do projeto o ano todo, como é o caso do Samba Queixinho, é importante apoio ou patrocínio de empresas privadas. Ministramos oficinas para as pessoas aprenderem a tocar um instrumento de escola de samba. O curso é concluído com a grande apresentação desses ritmistas no carnaval. No Barracão do Queixinho, acontece toda a magia da construção da nossa bateria, reconhecida como uma das mais caprichosas da cidade. Para levar o codinome de “A Kabulosa” Bateria do Samba Queixinho, contamos com apoio da Cemig e patrocínio da Amstel para a manutenção do nosso espaço.

Depois do desfile, dá tempo de curtir o carnaval em BH?

Este ano será uma correria. Daqui, sigo para o Rio de Janeiro, onde, na segunda-feira de carnaval, a banda do Queixinho toca com a Orquestra Imperial e o DJ Marlboro. Não tenho preferência por esse ou aquele bloco, curto todos. É claro que, pela minha agenda, será difícil acompanhá-los. Mas cito aqui os que fizeram parte do reflorescimento: Tico Tico Serra Copo, Peixoto, Mamá na Vaca, Manjericão, Tcha Tcha, Corte Devassa, Tetê a Santa, João Careca, Almas Empenadas, Bloco da Língua, Transborda, Angola Janga, Alô Abacaxi, Roda de Timbau...enfim, é impossível frequentar todos.

Como ocorrem os preparativos para os desfiles no carnaval?

Assim que termina os quatro dias de festa, tiramos um mês de férias e, na sequência, damos continuidade aos trabalhos. O Barracão do Queixinho foi fundamental para esse aprofundamento dos estudos e pesquisas dos ritmos das escolas de samba do Rio de Janeiro, que são a nossa referência e onde faço laboratório nas baterias. Temos o hábito de trazer o nosso padrinho, Mestre Odilon Costa – o maior mestre de baterias de escolas de samba pós-Mestre André –, e que nos passa toda a sua experiência de anos à frente de escolas como a Grande Rio. Trouxemos também dois diretores de bateria da Mangueira, Taranta e Peterson, além de Thayane, diretora da ala de chocalho da Vila Isabel. A gente gosta desses desafios.


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