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Helvécio Carlos


postado em 02/01/2019 05:05

AGORA VAI
OS DESEJOS DE UM ANO NOVO


Devagarinho, ainda curtindo a ressaca da virada, 2019 finalmente começou. A coluna HIT foi atrás de algumas pessoas em busca de opiniões, expectativas para o ano novo e, claro, casos que, de alguma forma foram marcantes. Boa leitura e que tenhamos o pé direito ficando no chão até dezembro.


Deus Mu-dança

Sapato novo, calça nova, carro novo, novos hábitos alimentares, novo corpo malhado, amores renovados, amizades idem. Todo dia 2 de janeiro a história se repete. É tempo de renovar. Tem sido assim pelos meus últimos 46 anos. O eterno Deus Mu-dança (obrigado, mestre Gil!) sempre se manifestando neste dia. Mas não faz muito tempo que percebi que a mudança nunca acontece quando acordamos hoje, prontos para o trabalho, o estudo ou as férias – se você é do tipo que tira alguns dias em janeiro para isso. É preciso disposição, vontade, tranquilidade, ação, foco, fé. Nada disso cairá no seu colo. E, sobre isso, vale uma historinha que envolve o culto ao corpo. Foi num dia 2 de janeiro que resolvi começar a nadar. Comprei óculos, touca, sunga e caí na piscina. Os dias foram passando, e a piscina foi enchendo, as raias lotadas de outros iguais a mim, procurando a nova era em suas vidas. O tempo passou, e acabei desistindo. Meses depois, sem a pressão do dia 2, voltei, com a piscina vazia, o sol brilhando lá em cima e, cá embaixo, a certeza de que não é o planejamento do dia 2 que vai fazer o seu ano melhor, mas a vontade de realizá-lo todos os dias, o tempo todo. Feliz Ano Novo, o ano todo! E bora nadar!
Rodrigo James, jornalista


Bora olhar pra frente!

O tempo não para. Mas, de vez em quando, você pode parar. Ou melhor, deve. E, cá pra nós, não existe momento melhor que a troca do calendário para isso. Olhar para trás. Véi do céu! Que ano doido foi esse que passou!? A correria de sempre! Os problemas que apareceram como num passe de mágica! Pow! As deliciosas vitórias que pareciam impossíveis. Ou mesmo aquele simples e saboroso café diário antes da labuta. É, amigo, a cada dia que passa bate mais forte a certeza de que o amanhã depende muito mais de nossas próprias escolhas do que de fatores ou “erros” externos. Véi, na boa. Bora olhar pra frente! Mas vê se não esquece de pelo menos determinar pra que lado fica o “pra trás”. O que não repetir? Em que não insistir? E no que realmente se apegar. É isso aí! Vale demais dar um tempo e pensar. Pensar positivamente. Pra você, pros seus e pros demais também. Afinal, o tempo só existe para as pessoas. E são apenas elas que importam quando ele passar.
Leo Soares, empresário


Um lema Titã para chamar de seu

Claro, costumamos esperar pelo melhor a cada nova passagem de ano, a cada novo ciclo. Pessimismos ou entusiasmos exagerados à parte, não custa nada fazer aquela fezinha nas vibes positivas, né? Ainda mais num país como o Brasil! Que impere o “lema Titã”, em loop: “Só quero saber do que pode dar certo, não tenho tempo a perder”. Até porque, sem uma dose vital de otimismo a cada restart, a realidade nua e crua tende a nos colocar sempre na posição de devedor. Ou na de alguém que pode sempre se superar. Chega de superação. Relaxemos, ora bolas! Chega de contar as contas, de reclamar do trânsito, de fazer tudo parecer mais difícil do que é. Façamos do simples e trivial uma nova muda de felicidade. A cada respiração, inalamos sobrevida. Cá estamos! Vivos! E, como Jorge Furtado nos mostrou naquele filme sobre aventuras e desventuras, na praia, durantes as férias: “houve uma vez dois verões”. O mais legal da vida é quando, melhor ou pior, um verão nunca é igual ao outro. Essa é a graça. Querer criar rotina e agenda até para a felicidade é tirar dos momentos mais significativos sua principal magia – a imprevisibilidade. Do sol que pede o churrasco à chuva que encomenda o baralho.
Terence Machado, apresentador de TV


Longe do pecado da gula

Minas é pé-atrás, ressabiada, zelosa, desconfiada. É capaz, como ninguém, de fazer calado, fazer pra dentro, com fé, com verdade. Também é força, é trabalho, é beleza, é minério. E, é, claro, comida boa, mesa de se fartar, pratos de encherem os olhos e agradarem a alma. É uma ginástica às avessas para o abdômen, que bem sabe do prato extra e sabor diferenciado. A fartura da festa da virada de Ano-Novo faz par com a mesa farta do Natal. Mais um ano acabou sem que se conseguisse olhar torto para aquele tropeiro farto, de prosa com o tutu do lado. Mais uma sequência de festas em que o lombinho recheado insistia com a linguiça caseira ser mais gostoso e mais apreciado. Mais um teste para o chester de cara virada pra o frango caipira com ares de dono da casa. O novo ano chegou prenunciando o prazer da gula com que se esvazia a mesa. Haja igreja para tanta culpa ou pecado.


Ah, pecado qual nada! Mais vale um gosto, como bem dizem os mais sábios.

É partilhando a alegria da mesa que se esquece o ouro arrancado com veneno das nossas montanhas sagradas. Assim, se apaziguam os problemas. Assim, vivemos nossa grande história. A grandeza do nosso fogão de lenha não seja um mero marketing. Que, no próximo ano, a gente viva mais doce e sofra menos ácido. Que a gente coma mais alegria e engula menos sapos.
Márcio Ares, escritor


Mesa farta

Ninguém há de negar que uma boa ceia de Natal, uma mesa farta, um peru, uma salada com uva passa, todo o pecado da gula sejam uma delícia. Enchem os olhos e o estômago, claro!

Quando eu era pequeno, lá no Serro, 13 irmãos, a vida muito pobre, via todo mundo preparando fartas ceias. Era doido para comer um bom tanto daquelas coisas. Hoje, poderia comer delas todas, mas o diabetes não deixa, o ácido úrico, o triglicérides. A pele do peru tem muito colesterol, a carne de porco tem muita gordura, os doces pioram a glicemia, o champanhe ataca o fígado... Um Möet Chandon fará mais estragos que um pudim de leite condensado? Minha mãe dizia que angu de um dia não engorda cachorro. Fome e tristeza também causam esses males. Comer ou não comer virou questão de vida ou de morte. Disso, resulta uma certeza: não adianta a gente se matar de tanto trabalhar, se, no final, temos que dizer para tanta gostosura: não devo, não quero, não posso, o médico proibiu!

Que, no próximo ano, a nossa cozinha continue extraindo, como sempre, o delicioso ouro das mãos que plantam, que colhem e que temperam. Que a alegria e a fartura das nossas mesas continuem sendo um belo agrado. Que o novo ano seja farto dos mais ricos pratos, do bolinho de chuva, do leitão à pururuca, do mingau de milho verde, do suco de frutas do cerrado.
Carlos Nunes, ator



2019, símbolo da esperança

Mesa farta parece mesmo coisa de mineiro. Natal e Ano-Novo sempre se deram com tanta coisa à mesa e tanta gente em volta. Misericórdia!!! É essa coisa da mesa enfeitada, alegria no rosto das crianças, da mãe, da tia, da festa que alegra e renova. Reunir-se à mesa é tornar a casa grande de amor e respeito. Que o novo ano, símbolo da esperança e não do medo, não nos assalte com a dor da insegurança, neste país em constantes transformações.

Lá em casa, com muitas sobrinhas, a alegria se confunde com as reclamações. Brigam contra o ritual. Ritual só é bom de barriga cheia, dizem. Reclamam de ser obrigadas a esperar; que não é justo; que estão morrendo de fome; que têm que se preparar, psicologicamente, para jantar é no outro dia; que, à meia-noite, já nem têm mais vontade de comer. Pequenas mentiras. Coisa de quem tem pressa de comer, pressa de viver, pressa de tudo!

O novo ano, quando nos bate à porta, é só promessa. Estar sozinha é também uma opção. Dizer, em silêncio e calma, o que se quer de alimento no ano por chegar. Mas, disso, as crianças lá de casa também não gostam. Ah, parece uma alma do além, tia! Só pra quebrar o clima!

Que o novo ano seja uma celebração igual às festas que o antecedem; que nos apresente algum tesouro que nos salve, na mesa e na arte. Somos todos um grande público que merece.
Jai Baptista, atriz


Por um mundo pé no chão

O que desejo no novo ano é mais originalidade, menos clichês e mais opiniões formadas baseadas, se possível, em menos hashtags que prevaleceram em 2018 (#diferenciado, #blessed, #prontofalei #noixx

#estamosdeolho, #sextou...). Que em 2019 as pessoas tenham um pouco mais de bom senso e, se puderem, sejam bem menos suscetíveis às opiniões alheias de redes sociais.
Leo Ziller, produtor


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