VOTO DE CABRESTO
Uma das instituições mais anacrônicas da política brasileira, felizmente hoje em declínio. É o sistema de controle do poder político através do abuso da autoridade, da compra de votos ou da utilização da máquina pública, o chamado coronelismo, mecanismo ainda recorrente nos mais pobres rincões do país. A figura do coronel – o mandão do pedaço – era muito comum durante os anos iniciais da República, principalmente nas regiões do interior. O coronel era um grande fazendeiro que usava seu poder para garantir a eleição dos candidatos que apoiava. Cabresto tem seu berço no latim capistrum, mordaço, freio, brida. É conhecida manipulação do voto, fiscalizada por capangas do coronel. Expediente que acaba eternizando na política local uma casta ou dinastia que se perpetua durante anos, até décadas. Você sabe de quem estou falando… Símbolo do retrocesso, da violência e do privilégio de outubro tenha chegado a hora de a onça beber água nas lonjuras tupiniquins onde a nação ainda vive na idade das trevas…
PSICODÉLICO – Adjetivo usado para designar drogas que provocam alucinação.
ESTAFERMO – Em tempos medievais, essa palavra era usada nos torneios de cavalaria. Era um boneco de madeira da estatura de um homem – fixo num pedestal sobre um eixo – que, numa das mãos, empunhava um escudo e na outra, um chicote. O cavaleiro partia célere em sua direção, lança em riste.
MAR DE ESPANHA – Outra cidade de nome curioso, sobretudo por estar localizada em Minas Gerais, onde não há mar. O berço dessa denominação veio da participação de alguns espanhóis no desbravamento do Vale do Paraíba.
HAICAI – Essa palavra, originalmente do japonês hai-kai, é uma forma poética nipônica breve, marcada pela concisão: hai, brincadeira, + kai, harmonia. São apenas três versos, o primeiro e o terceiro com cinco sílabas e o segundo com sete. Entre nós, Dalton Trevisan e Millôr Fernandes o praticam há muitos anos, mas escolhemos para você um haicai de Guilherme de Almeida, considerado o príncipe dos poetas brasileiros. Ei-lo:
INFÂNCIA
um gosto de amora
Comida com sol.
A vida
Chamava-se agora.