Jornal Estado de Minas

Astronomia

Chance de estudar a atmosfera de um exoplaneta vizinho

Durante os últimos 25 anos, os astrônomos descobriram uma grande variedade de exoplanetas, feitos de rocha, gelo e gás, graças à construção de instrumentos astronômicos projetados especificamente para buscas desses objetos. Além disso, usando uma combinação de diferentes técnicas de observação, esses cientistas foram capazes de determinar um grande número de massas, tamanhos e, portanto, densidades dos planetas, o que os ajuda a estimar sua composição interna e aumentar o número daqueles que foram descobertos fora do Sistema Solar.





No entanto, estudar a atmosfera dos planetas rochosos, o que permitiria caracterizar completamente aqueles exoplanetas semelhantes à Terra, é extremamente difícil com os instrumentos disponíveis atualmente. Por isso, os modelos atmosféricos para os rochosos ainda não foram testados. Agora, o Instituto de Astrofísica das Canárias (Espanha) e o Instituto Max Planck de Astronomia (Alemanha) descobriram uma super-Terra quente em órbita ao redor da estrela anã vermelha Gliese 486, a apenas 26 anos-luz do Sol. A pesquisa foi publicada na revista Science. 

O planeta que eles descobriram, chamado Gliese 486b, tem massa 2,8 vezes maior que a da Terra e é apenas 30% maior. “Calculando sua densidade média a partir das medidas de sua massa e de seu raio, inferimos que sua composição é semelhante à de Vênus ou à da Terra, que têm núcleos metálicos em seu interior”, explica Enric Pallé, pesquisador do IAC e coautor do artigo.

Paisagem seca Gliese 486b orbita sua estrela hospedeira em um caminho circular a cada 1,5 dia, a uma distância de 2,5 milhões de quilômetros. Apesar de estar tão perto de sua estrela, o planeta, provavelmente, conservou parte de sua atmosfera original (a estrela é muito mais fria que o nosso Sol), de modo que é um bom candidato para ser observado com mais detalhes pela próxima geração de telescópios espaciais e em Terra. 





Para Trifonov, “o fato de esse planeta estar tão perto do sol é emocionante, porque será possível estudá-lo com mais detalhes usando telescópios poderosos, como o iminente James Webb Space Telescope e o ELT (Extremely Large Telescope), em construção”.

Gliese 486b leva o mesmo tempo para girar em seu eixo e para orbitar sua estrela hospedeira, de modo que sempre tem o mesmo lado voltado para a estrela. Embora Gliese 486 seja muito mais fraco e frio que o Sol, a radiação é tão intensa que a superfície do planeta aquece até pelo menos 700K (cerca de 4300C). 

Por isso, a superfície do planeta é, provavelmente, mais parecida com a de Vênus do que com a da Terra, com uma paisagem quente e seca, com rios de lava ardentes. No entanto, ao contrário de Vênus, Gliese 486b pode ter uma atmosfera fina.

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