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Estado de Minas

Vitamina D não é eficaz na prevenção do diabetes

Estudo desenvolvido ao longo de dois anos e meio acompanhou mais de 2,4 mil pacientes adultos ao longo de 2,5 anos. Resultado foi apresentado em San Francisco


postado em 12/06/2019 04:18 / atualizado em 12/06/2019 16:05

(foto: pixabay/divulgação)
(foto: pixabay/divulgação)

 


San Francisco – Cerca de 13 milhões de brasileiros sofrem com o diabetes no Brasil e mais da metade deles não sabe que é portador da doença. Os dados são da Sociedade Brasileira de Diabetes, que estima que para cada paciente diabético existam pelo menos três em risco. Com isso, o número de pré-diabéticos no país gira em torno de 40 milhões de pessoas e aproximadamente 25% delas se tornarão diabéticos em cinco anos.


A prevenção é simples e se baseia na perda de peso e na prática regular de exercícios físicos. O mito de que a ingestão de suplementos de vitamina D poderia também ajudar a conter os índices glicêmicos, no entanto, foi derrubado. Segundo estudo apresentado na 79ª Sessões Científicas da Sociedade Americana de Diabetes (ADA, por sua sigla em inglês), em San Francisco, a vitamina D não tem efeito sobre a glicemia. O estudo avaliou os riscos para diabetes de 2.423 adultos acima de 30 anos, com índice de massa corporal entre 25 kg/m2 e 42 kg/m2, segundo critérios de pré-diabetes. Pacientes escolhidos aleatoriamente tomaram uma dose diária de 4.000 UI de Vitamina D3 ou um placebo, durante os 2,5 anos em que foram acompanhados pelos pesquisadores e submetidos a exames de sangue a cada seis meses.


Ao todo, 24,2% pacientes do grupo que recebeu a vitamina D desenvolveu diabetes, contra 26,7% do grupo que tomou o placebo, diferença considerada estatisticamente insignificante pelos pesquisadores.


“Mesmo que vários estudos anteriores tenham apontado aumento de risco para diabetes 2 entre pessoas com baixas taxas de vitamina D, percebemos que aumentar a ingestão da vitamina não reduz o risco de diabetes. Nosso estudo não mostra um benefício estatístico significativo nesse sentido”, disse o coordenador da pesquisa, Anastassios G. Pittas, endocrinologista e codiretor do Tufts Medical Center, em Boston (EUA). “Os resultados da nossa investigação confirmam a importância da realização de estudos clínicos para confirmar hipóteses levantadas por estudos observacionais e é um importante passo para a atualização das recomendações clínicas.”

 

 

Semaglutida oral é segura
para pacientes cardíacos

 

São Francisco – Um estudo apresentado pela farmacêutica Novo Nordisk ontem, no Congresso Anual da Associação Americana de Diabetes (ADA, por sua sigla em inglês), em San Francisco (EUA), mostra que a semaglutida oral é segura para pacientes portadores de diabetes tipo 2 com alto risco de eventos cardiovasculares.


O Pioneer 6 (nome dado ao estudo) analisou o risco da semaglutida de forma randomizada, em estudo controlado por placebo, que avaliou a segurança cardiovascular do medicamento em 3.183 pessoas com diabetes tipo 2, todas com alto risco de eventos cardiovasculares, ao longo de 16 meses.


Os resultados são baseados na observação de 137 primeiros eventos cardiovasculares adversos e um tempo médio de acompanhamento de 16 meses. Os principais resultados do estudo, chamado de Pioneer 6, foram apresentados na manhã de ontem.


“A doença cardiovascular é a causa mais comum de incapacidade e morte em pessoas com diabetes tipo 2 no mundo”, afirmou o Dr. Mansoor Husain, investigador do Pioneer 6 e principal autor do estudo, além de diretor do Centro de Pesquisas Cardíacas Ted Rogers, em Toronto, no Canadá. “O Pioneer 6 demonstra que a semaglutida oral não aumenta o risco de efeitos adversos cardiovasculares, além de trazer evidências mais concretas de como a droga atua no sistema cardiovascular.

REMÉDIO A semaglutida é um medicamento farmacêutico desenvolvido pela empresa dinamarquesa Novo Nordisk, que tem fábrica em Montes Claros, no Norte de Minas. Ela age no organismo estimulando a secreção de insulina pelo pâncreas e é comumente usado em injeções subcutâneas aplicadas com uma espécie de caneta. A principal vantagem do medicamento para pacientes brasileiros, até agora, é a possibilidade de injetar o medicamento em doses semanais, opção terapêutica recém-lançada no Brasil que reduz consideravelmente o número de injeções.


A empresa, no entanto, já desenvolveu a versão oral do medicamento, que está em fase de aprovação pelo FDA, nos Estados Unidos. A expectativa da empresa é que a semaglutida oral seja aprovada pelo FDA em setembro de 2020. Na Europa e no Japão, o medicamento deverá estar disponível ainda no primeiro bimestre de 2020. No Brasil, no entanto,

 

espera-se que o produto seja liberado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no segundo semestre de 2021.
“Os resultados do Pioneer 6 fortalecem ainda mais a evidência clínica geral para a semaglutida, baseando-se nos fortes dados relatados em todo o programa de testes”, disse Mads Krogsgaard Thomsen, vice-presidente executivo e diretor científico da Novo Nordisk. “Estamos entusiasmados com o potencial da semaglutida oral para se tornar o primeiro e único tratamento oral com GLP-1 para pessoas com diabetes tipo 2.”


O programa de desenvolvimento clínico da fase 3 do teste da Semaglutida oral, da Novo Nordisk, envolveu, ao todo, 9.543 pessoas com diabetes tipo 2 em 10 testes clínicos diferentes. (LC)

* A jornalista viajou a convite
da Novo Nordisk


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