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Preocupação com o bem-estar animal


postado em 18/04/2019 05:05

Ainda que os cientistas envolvidos no projeto ressaltem que, clinicamente, os cérebros não estivessem vivos, apenas com atividade celular, o trabalho levantou preocupação de especialistas em neuroética. Nita Farahany teme que, ao ser replicado em outras partes do mundo que não tenham leis estritas de bem-estar de animais envolvidos em pesquisas, o experimento possa ocasionar dor e/ou desconforto às cobaias. Ela ressalta que, embora o encefalograma não tenha detectado sinais de atividade das células, isso pode ser resultado dos muitos produtos químicos inibidores que compõem a solução irrigadora dos cérebros. “Se esses bloqueadores tivessem sido removidos em algum ponto, talvez a equipe teria detectado atividade”, escreveu a ex-presidente da Sociedade Internacional de Neuroética e professora de filosofia da Universidade de Duke.

Já Stuart Youngner, professor de bioética e psiquiatria, e Insoo Hyun, professor de bioética e filosofia da Universidade da Reserva de Case Western, em Cleveland, afirmaram, em um artigo da Nature, que o experimento faz questionar o que é morte. “Há décadas, bioeticistas e pesquisadores sobre políticas de transplantes têm lutado com a questão sobre quando devem parar de tentar salvar a vida de alguém para começar a salvar seus órgãos para beneficiar outra pessoa.” Eles lembram que há poucos dados científicos para dar suporte a essa decisão. “Clínicos discordam quando há uma chance de recuperação. E também há pouco consenso sobre qual nível de recuperação é ‘bom o suficiente’ da perspectiva do paciente e de suas famílias.”

No estudo com os porcos, os cientistas afirmam que jamais houve tentativas de recuperar a atividade funcional cerebral ou de “ressuscitar” os animais. “A restauração da consciência nunca foi o objetivo dessa pesquisa”, garante Stephen Latham, diretor do Centro Interdisciplinar de Bioética de Yale, que participou de uma teleconferência de imprensa sobre o experimento. “Os pesquisadores estavam preparados para intervir com o uso de anestesia e de redução de temperatura para parar qualquer atividade elétrica global organizada caso ela emergisse.” (PO)


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