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Estímulo em região cerebral ameniza sintomas de Parkinson


postado em 08/03/2019 05:02

(foto: Jovemsulnews/Reprodução)
(foto: Jovemsulnews/Reprodução)

 

 



Pesquisa da Faculdade de Medicina da UFMG conseguiu identificar que a estimulação de um subgrupo de neurônios localizados na superfície do cérebro, na região do córtex motor secundário, leva à melhora de sintomas da doença de Parkinson. A descoberta é o primeiro passo para o tratamento mais eficaz da doença, no qual é possível obter ganhos na função motora e cognitiva, o que nenhum outro procedimento é capaz.

O estudo foi publicado na revista Journal of Neuroscience, periódico da Sociedade Americana de Neurociência. Os testes foram feitos em camundongos com a doença, que tiveram áreas específicas do cérebro estimuladas por meio da técnica chamada optogenética.

Atualmente, existem dois métodos principais para tratar a doença de Parkinson: por meio de medicamentos ou procedimento cirúrgico. O tratamento medicamentoso, no entanto, deixa de fazer efeito após alguns anos de uso. A alternativa para alguns pacientes que não têm melhora com o medicamento é a realização de procedimento cirúrgico, que emprega a estimulação elétrica para corrigir as áreas cerebrais com atividade alterada.

No entanto, o procedimento cirúrgico utilizado atualmente é de alto risco, por ser necessário implantar eletrodos em áreas profundas do cérebro afetadas pela doença. Além disso, o emprego de corrente elétrica não consegue direcionar os estímulos para células específicas, fazendo com que todas as células que estiverem próximas ao implante sejam perturbadas, mesmo as saudáveis.

POTENCIAL

Por isso, o objetivo da pesquisa foi investigar o potencial terapêutico da estimulação em regiões superficiais do cérebro, desde que elas se conectassem com as áreas profundas disfuncionais. “Descobrimos que a manipulação da atividade de áreas superficiais é suficiente para levar à melhora. Essa observação indica que, futuramente, o procedimento cirúrgico possa ser simplificado, diminuindo os riscos decorrentes da manipulação de áreas profundas do cérebro. Além disso, nossa técnica só afeta o tipo de neurônio envolvido na doença”, explica o biomédico e neurocientista Luiz Alexandre Viana Magno, pós-doutorando do programa de pós-graduação em medicina molecular da Faculdade de Medicina da UFMG.

Ele ressalta que a pesquisa é um ponto de partida para outros estudos. “Pode ser que a gente consiga encontrar outras áreas cerebrais, também localizadas na superfície do cérebro, que, quando estimuladas, causem benefícios terapêuticos ainda maiores do que aqueles que observamos. É como fazer mineração. Uma vez você acha uma pepita de ouro e fica muito feliz. Mas, algum dia, você pode encontrar uma ainda maior”, conclui.


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