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Estado de Minas PALEONTOLOGIA

Dinossauro que se defendia com espinhos é descoberto na Patagônia argentina

Espécie herbívora que habitou o planeta há 140 milhões de anos apresentava um tipo de estrutura longa e pontiaguda no pescoço e nas costas


postado em 09/02/2019 09:15 / atualizado em 09/02/2019 09:24

Pesquisador adjunto do Conicet, Pablo Gallina com a réplica do Bajadasaurus pronuspinax (foto: Juan Mabromata/AFP)
Pesquisador adjunto do Conicet, Pablo Gallina com a réplica do Bajadasaurus pronuspinax (foto: Juan Mabromata/AFP)

Uma espécie de dinossauro herbívoro que viveu há 140 milhões de anos, dotado de espinhos defensivos no pescoço e nas costas, foi descoberta na Patagônia argentina, região conhecida como o “parque jurássico” do hemisfério sul. A descoberta foi publicada na seção Relatos Científicos da revista Nature.

Chamado Bajadasaurus pronuspinax, o dinossauro pertence à família Dicraeosauridae. Uma reprodução de seu pescoço espinhoso foi exibida no Centro Cultural da Ciência de Buenos Aires. “Acreditamos que os longos e pontiagudos espinhos, extremamente longos e finos, no pescoço e nas costas do Bajadasaurus e do Amargasaurus cazaui (outro dicraeosaurídeo) deviam servir para dissuadir possíveis predadores”, indicou Pablo Gallina, pesquisador adjunto do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (Conicet) e da Fundação Félix de Azara, da Universidade Maimónides.

Os saurópodes eram quadrúpedes que viveram entre o Triássico Superior e o final do Cretáceo Superior, caracterizados por seu grande tamanho e pelo comprimento de seu pescoço e rabo. “Achamos que se (os espinhos) fossem apenas estruturas de osso nuas ou forradas unicamente de pele poderiam ter sofrido rompimentos ou fraturas facilmente com um golpe ou ao serem atacados por outros animais”, acrescentou Gallina. Portanto, o paleontólogo sugeriu que “esses espinhos tiveram que ser protegidos por uma camada córnea de queratina, semelhante ao que ocorre nos chifres de muitos mamíferos”.

O Amargasaurus cazaui habitou o continente sul-americano cerca de 15 milhões de anos após o Bajadasaurus. Ambas as espécies foram descobertas na província de Neuquén, 1.800 quilômetros a sudoeste de Buenos Aires. Na região, foi encontrado, em 1993, o Giganotosaurus carolinii, considerado o maior dinossauro carnívoro de todos os tempos. A região da Patagônia é palco de frequentes descobertas paleontológicas.

ATRAÇÃO SEXUAL

“Algumas hipóteses indicam que os espinhos (de dicraeosaurídeo) serviam de suporte para uma espécie de vela que regulava a temperatura corporal dos dinossauros ou que formavam uma crista de exibição que lhes dava mais atrativo sexual”, indicou o Conicet, em comunicado.

O organismo disse que “especularam, por exemplo, que essas espécies podem ter tido uma corcunda carnuda entre os espinhos, que servia para armazenar reservas”. “Outra presunção é que os espinhos estavam cobertos com revestimentos de chifre, que cumpriam uma função defensiva contra possíveis ataques”, acrescentou a agência.

O crânio do Bajadasaurus é o mais bem preservado que se conhece de um dicraeosaurídeo. “Seu estudo sugeriu que esses animais passavam grande parte do seu tempo alimentando-se de plantas do solo, enquanto suas órbitas oculares, perto do topo do crânio, permitiam que controlassem o que ocorria no seu entorno”, disse o Conicet.

O nome da espécie se deve ao fato de ter sido encontrada na cidade de Bajada Colorada, com a participação do Museu Paleontológico Ernesto Bachmann, de Villa El Chocón.


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