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Estado de Minas

Quando a gravidez engorda o filho

Mulheres fumantes ou obesas durante a gestação têm risco aumentado de dar à luz crianças acima do peso. O parto e os primeiros dias do bebê podem ser prejudicados pela complicação


postado em 02/12/2018 05:02

Na pesquisa conduzida por cientistas norte-americanos, bebês de grávidas com obesidade tinham em média 100g a mais e ossos do corpo maiores(foto: minvervino júnior/cb/d.a press %u2013 11/10/16)
Na pesquisa conduzida por cientistas norte-americanos, bebês de grávidas com obesidade tinham em média 100g a mais e ossos do corpo maiores (foto: minvervino júnior/cb/d.a press %u2013 11/10/16)

 

 

Maus hábitos durante a gravidez podem interferir no peso dos bebês ainda durante a gestação e logo nos primeiros dias de vida. Pesquisadores dos Estados Unidos identificaram essa relação acompanhando tanto grávidas que estavam acima do peso quanto fumantes. Os resultados dos dois estudos foram divulgados em revistas científicas e chamam a atenção para a importância de seguir as recomendações médicas a fim de garantir a saúde dos filhos.


Cuilin Zhang, pesquisador do Instituto Nacional Eunice Kennedy Shriver de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano, alerta que os cuidados devem começar ainda nos planos de maternidade. “Nossos resultados ressaltam a importância de obter um peso corporal saudável antes da gravidez. Também sugerem que os médicos devem monitorar cuidadosamente a gravidez de todas as mulheres obesas, independentemente de elas terem ou não complicações de saúde relacionadas ao excesso de peso”, explica.


A equipe escolheu mais de 2.800 grávidas para acompanhar o índice de massa corporal (IMC), resultados de ultrassonografias e o peso dos bebês logo após o parto. A conclusão foi de que mulheres obesas têm o risco aumentado de dar à luz uma criança atipicamente grande, tanto maior quanto mais pesada. O fêmur dos filhos de obesas, por exemplo, foi, em média, 0,8 milímetros mais longo que o de recém-nascidos de não obesas, e eles também pesavam cerca de 100g a mais.


A condição pode acarretar em complicações tanto para as mulheres quanto para os bebês: ela aumenta o risco de a criança sofrer fratura óssea durante o parto e de a entrega ser feita por cesariana. No caso da mãe, são aumentadas as possibilidades de ocorrência de hemorragia pós-parto ou sangramento excessivo no nascimento dos filhos.
Divulgado no Jama Pediatrics, o estudo não tinha a intenção de explicar a razão dos fenômenos, mas a equipe acredita que, como as mulheres obesas são mais propensas a ter resistência à insulina, níveis mais altos de açúcar no sangue podem ter promovido o crescimento excessivo dos fetos.

GENE ALTERado No caso das fumantes, o aumento do peso de recém-nascidos pode estar relacionado a mudanças na regulação de genes ligados ao desenvolvimento de células adiposas. Cientistas da Universidade do Kentuck levantaram essa hipótese ao detectar uma alta quantidade da proteína chemerina — ligada ao ganho de peso — em tecidos bebês que foram geridos em contato com a fumaça do cigarro.


A equipe usou os prepúcios descartados de recém-circuncidados para estudar os níveis de chemerina desses neonatos. Segundo os cientistas, a pele é segura de ser analisada, simples de coletar e tem propriedades similares às de outros tecidos, como o adiposo. As análises mostraram maior quantidade da proteína na pele de lactentes cujas mães fumaram durante a gravidez.


Kevin Pearson, um dos autores do estudo, divulgado na Experimental Physiology, destaca que outras investigações têm relacionado o tabagismo na gravidez ao risco aumentado de parto prematuro e de nascimento de crianças abaixo do peso. O efeito contrário, porém, começa a ser detectado e, segundo ele, merece mais investigações. “Gostaríamos de trabalhar em maneiras de melhorar os programas de cessação do tabagismo ou em maneiras de aumentar os níveis de exercício em fumantes como forma de combater resultados na prole, mas admitimos que ainda estamos no início, começando a arranhar a superfície desse tema.”

 

Nicotina e morte súbita

 

O contato com a nicotina durante a gravidez, mesmo que seja por meio de uso de adesivos e de cigarros eletrônicos, aumenta a chance de ocorrência da síndrome da morte súbita do lactante, o óbito inesperado de crianças com menos de um ano de vida geralmente enquanto elas dormem. A constatação foi feita por pesquisadores da Geisel School of Medicine at Dartmouth, em Nova Hampshire, nos Estados Unidos, e detalhada no Journal of Physiology.


Segundo os pesquisadores, liderados por Stella Lee, a exposição à substância pode afetar o sistema nervoso central do bebê, gerando deficiências no sistema cardiorrespiratório que o deixam mais vulnerável em situações de baixa quantidade de oxigênio. Dessa forma, em caso de uma obstrução respiratória, por exemplo, o recém-nascido com essa alteração tem mais risco de morrer que uma criança saudável.


Os autores chamam a atenção para o fato de que a complicação com o bebê ocorre independentemente da forma com que a mãe entra em contato com a nicotina. Para eles, o resultado sugere que adesivos de nicotina e cigarros eletrônicos não são uma alternativa segura aos cigarros durante a gravidez. Novas etapas de investigação estão previstas. “Continuaremos a identificar os possíveis fatores de risco e a considerar como podemos tratar os bebês que têm um mecanismo (cardiorrespiratório) comprometido”, adianta Aihua Li, coautora do estudo.


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