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Estado de Minas SAÚDE

COVID-19: Medicamento entra em fase de testagem clínica no Brasil

O objetivo do estudo é encontrar um tratamento capaz de diminuir os efeitos da infecção pelo novo coronavírus. 13 centros brasileiros participam dos testes


19/01/2021 12:34 - atualizado 19/01/2021 14:44

O medicamento ABX464 está em fase de testagem clínica no Brasil e pode apresentar resultados promissores, segundo pesquisadores(foto: Abivax/Divulgação)
O medicamento ABX464 está em fase de testagem clínica no Brasil e pode apresentar resultados promissores, segundo pesquisadores (foto: Abivax/Divulgação)

Em busca de cessar a pandemia de COVID-19 e diminuir riscos de internação, um novo medicamento para tratar a doença entrou em fase de testagem clínica. Trata-se de um fármaco produzido pela empresa de biotecnologia Abivax, que tem como norte o sistema imunológico para desenvolver tratamentos eficazes. 

Nomeado como miR-AGE, o estudo do remédio contra o novo coronavírus já foi aprovado pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), bem como por órgãos sanitários da França, Alemanha, Reino Unido e Itália. Ainda, México, Chile e Peru aguardam aprovação. 

Enquanto isso, no Brasil, os testes clínicos devem começar em breve em cerca de 13 centros de pesquisa clínica. Para isso, já se aceitam admissão de voluntários com quadros clínicos confirmados de COVID-19, acima de 65 anos ou com fatores de risco. Os pacientes receberão o remédio por 28 dias via oral. “Na atual situação, sem imunidade em massa contra a COVID-19, necessitamos de um tratamento rápido que reduza a gravidade da doença”, afirma Hartmut Ehrlich, CEO da Abivax. 

De acordo com os coordenadores do estudo, o medicamento ABX464 tem potencial efeito benéfico triplo no tratamento contra infecções pelo Sars-Cov-2. Isso porque ele tem atuação antiviral, anti-inflamatória e reparadora de tecidos. Deste modo, o efeito anti-inflamatório serve para tratar a hipercitonemia e a síndrome da hiperinflamação – principal causa de desconforto respiratório e de morte em pessoas contaminadas pelo novo coronavírus – observadas em participantes com COVID-19.  

Já o efeito antiviral tem o objetivo de inibir a replicação do vírus. Ainda, as propriedades de reparação tecidual irão prevenir uma portencial disfunção pulmonar de longo prazo após a infecção.

Jorge Kalil, professor de imunologia clínica e alergia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do estudo miR-AGE no Brasil, diz que o medicamento pode ter resultados promissores na avaliação de seu poder anti-inflamatório, haja vista estudos anteriores. 

“ABX464 é um composto em fase final de desenvolvimento que tem um novo mecanismo de ação no tratamento de participantes com doenças inflamatórias. Os estudos de fase 2b/3 testam o potencial de um novo candidato terapêutico na prevenção da inflamação grave que leva à síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em participantes idosos ou de alto risco para a COVID-19. A molécula já apresentou eficácia transformacional em participantes com colite ulcerativa, doença também inflamatória. Além disso, ABX464 apresentou segurança favorável em mais de 300 voluntários e portadores de HIV ou colite ulcerativa.” 
 

"Esse medicamento pode trazer mais segurança diante da situação complicada que estamos vivendo. Sabemos que ainda não temos nada no mercado que previna o COVID-19, e os indícios das fases anteriores de teste deste medicamento mostram uma experiência muito positiva e, portanto, esperamos que poucos pacientes cheguem a internar ou ter sequelas. Em tempos incertos, com vacina para poucos, termos uma medicação promissora no mercado e que vem se mostrando eficaz é esperança"

Juliana Gomes da Rocha, co-investigadora do estudo da Abivax no Brasil, em Roraima, no Centro Oncológico de Roraima %u2013 CECOR

 

Apesar disso, Philippe Pouletty, presidente do Conselho da Abivax, pede cautela: “o estudo miR-AGE com ABX464 foi endossado por especialistas de renome na França, Europa, e Estados Unidos. Esperamos que ele, com exclusivas propriedades antiviral, anti-inflamatória e de reparação tecidual, e conveniente administração por via oral, demonstre ser uma terapia promissora para pacientes com a COVID-19. Mas vale lembrar que a fisiopatologia dessa doença é complexa, portanto, devemos ser cautelosos com relação ao potencial sucesso do estudo miR-AGE”. 

Porém, Hartmut Ehrlich destaca que, caso a segurança e eficácia do medicamento seja comprovada, a empresa buscará disponibilizá-lo o quanto antes, diante da urgência frente à complexidade da COVID-19.

“O desenho robusto e criterioso do estudo para ABX464 assegura que teremos importantes conclusões clínicas e científicas e, se bem-sucedido, trabalharemos junto às autoridades sanitárias para tornar o medicamento disponível o mais rapidamente possível. Já dispomos de cápsulas em estoque para o tratamento de aproximadamente 50.000 pacientes, e podemos aumentar a produção, em poucos meses, para o tratamento de mais de um milhão de pacientes.” 

MONITORAMENTO 


Segundo informações dos coordenadores do estudo, a conveniente administração por via oral do ABX464 permite o tratamento precoce de pacientes hospitalizados ou não. Assim sendo, os voluntários não hospitalizados tomarão uma cápsula do medicamento por via oral, uma vez ao dia, por 28 dias, em casa. Nesse cenário, durante o período obrigatório de quarentena – 14 dias –, os participantes receberão o tratamento e serão monitorados por telefone.  

A partir da terceira semana de tratamento ou a partir da data de liberação do médico especialista responsável pelo acompanhamento do paciente, os voluntários deverão comparecer ao hospital, uma vez por semana, para monitoramento. Além disso, o estudo de fase 2b/3 será conduzido de acordo com os padrões internacionais de pesquisa clínica na América Latina e Europa.  

“Para realizar os testes de forma assertiva, vale salientar que as pessoas admitidas no estudo poderão receber o medicamento ABX-464 ou, também, placebo, que é constituído por comprimidos semelhantes ao do estudo, porém sem qualquer efeito no organismo”, explica Marina Okoshi, médica pesquisadora e coordenadora do estudo no centro de Botucatu (Unesp - Faculdade de Medicina). 
 
Os testes clínicos do medicamento serão feitos com voluntários contaminados pelo novo coronavírus, que tomarão, por 28 dias, via oral, a cápsula do fármaco ou do placebo(foto: Abivax/Divulgação)
Os testes clínicos do medicamento serão feitos com voluntários contaminados pelo novo coronavírus, que tomarão, por 28 dias, via oral, a cápsula do fármaco ou do placebo (foto: Abivax/Divulgação)
 

Os centros de pesquisa que atualmente aceitam voluntários para os testes clínicos são: 

Hospital dos Servidores do Estado de Pernambuco, em Pernambuco; Policlínica Dr. Sérgio Arouca, no Rio de Janeiro; Centro Oncológico de Roraima, em Roraima; Hospital Regional Hans Dieter Schmidt, em Santa Catarina; Faculdade de Medicina de Botucatu, Instituição Fundação Faculdade Regional de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base de S. J. Rio Preto, Conjunto Hospitalar do Mandaqui e Hospital das Clinicas - Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), em São Paulo; Associação Bartholomeu Tacchini e Centro de Pesquisa Clínica, no Rio Grande do Sul. 

Ainda, há alguns centros de pesquisa que em breve abrirão processo de admissão. São eles: CPClin – Centro de Pesquisas Clínicas ltda, em São Paulo; Hospital São José de Doenças Infecciosas, no Ceará e Fundação Universidade de Caxias do Sul - Instituto de Pesquisas em Saúde/Hospital Geral de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. 

Para mais informações sobre o estudo clínico miR-AGE, acesse o site ou entre em contato, das 8h às 17h, via WhatsApp ou telefone pelo número: 0800 454 54 54. 

ESPERANÇA 


Philippe Pouletty afirma estar extremamente feliz em poder proporcionar uma possibilidade de tratamento para a COVID-19 à sociedade. Segundo ele, tal realização vai de encontro ao objetivo central da Abivax como empresa. “Nossa missão é desenvolver fármacos para melhorar e salvar a vida de pacientes e estou orgulhoso de poder utilizar a pesquisa da Abivax e sua expertise na luta contra a pandemia da COVID-19.” 

Para Juliana Gomes da Rocha, coinvestigadora do estudo da Abivax no Brasil, em Roraima, no Centro Oncológico de Roraima – CECOR, a palavra que melhor designa a possibilidade de ser ter uma medicação é esperança. Esperança de vida para pacientes de risco.
 
Segundo o estudo, o medicamento pode ajudar a reduzir os danos causados pela infecção por COVID-19, evitando as formas graves da doença e necessidade de internação(foto: Abivax/Divulgação)
Segundo o estudo, o medicamento pode ajudar a reduzir os danos causados pela infecção por COVID-19, evitando as formas graves da doença e necessidade de internação (foto: Abivax/Divulgação)
 

“Esse medicamento pode trazer mais segurança diante da situação complicada que estamos vivendo. Sabemos que ainda não temos nada no mercado que previna o COVID-19, e os indícios das fases anteriores de teste deste medicamento mostram uma experiência muito positiva e, portanto, esperamos que poucos pacientes cheguem a internar ou ter sequelas. Em tempos incertos, com vacina para poucos, termos uma medicação promissora no mercado e que vem se mostrando eficaz é esperança”, diz. 

*Estagiária sob a supervisão da editora Teresa Caram


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