Jornal Estado de Minas

PIONEIRISMO

Hospital de Divinópolis realiza cirurgia inédita com prótese em 3D

O Complexo de Saúde São João de Deus (CSSJD), em Divinópolis, na Região Centro-Oeste de Minas Gerais, realizou procedimento inédito no estado. A equipe de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial e Odontologia Hospitalar conduziu o procedimento de reconstrução total de maxila e mandíbula atrófica. Essa é a segunda vez que a intervenção cirúrgica ocorre no país. A primeira foi no Rio de Janeiro.





 

A prótese de titânio foi desenvolvida por meio de uma tecnologia chamada manufatura aditiva ou impressão 3D. Ela foi doada pela CPMH, empresa sediada em Brasília que cria protótipos customizados para a reconstituição da face, arcada dentária, mandíbulas.  A técnica permite a confecção de peças sob medida para atender as necessidades de cada paciente. 

 

De acordo com o CSSJD, a prótese é feita a partir de um exame de tomografia computadorizada, para que a partir da imagem da anatomia do paciente possa ser realizada a confecção da prótese. O procedimento foi realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O paciente é um idoso, de 72 anos, convivia com uma perda óssea desde os 18 anos, resultando na perda precoce dos elementos dentários. 

 

A operação realizada busca promover a restauração oral de pacientes que perderam dentes e ossos, sendo submetidos a um tratamento que se fosse realizado de forma convencional seria mais longo. Com esta tecnologia adotada, o objetivo foi substituir outras técnicas utilizadas e reduzir o tempo de recuperação do paciente. A cirurgia durou cerca de cinco horas.





 

“Hoje trouxemos a oportunidade de uma reabilitação completa do paciente em uma única cirurgia, devolvendo toda a capacidade funcional perdida para ele, trazendo melhorias no ponto de vista de qualidade funcional, estético e principalmente a aceitação e autoestima”, explicou o cirurgião-dentista especialista em cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial, Thiago Aguiar. 

 

O responsável técnico da CPMH, Rander Avelar, tratou a intervenção como “solução inovadora e segura”. Segundo ele, a evolução tecnológica trouxe novos tipos de tratamento, novas terapias. “No caso do paciente em questão, assim como ele, vários outros não sabem que existe tratamento para uma atrofia óssea. Em anos anteriores, esses tipos de atrofias severas impossibilitavam a reabilitação dentária dos pacientes. Hoje com essas placas sob medida é possível ofertar o tratamento”, explicou. A tecnologia passa a ser uma possibilidade de tratamento tanto no Brasil como em outros países.

 

O papel social do CSSJD com a população do Centro-Oeste mineiro foi um dos motivos que o levou a ser selecionado como parceiro para o procedimento. “O Complexo de Saúde São João de Deus está presente na história de vida de milhares de pessoas ao longo de seus 52 anos. Somos gratos por isso e hoje ainda mais por fazer parte da história e deste processo de recuperação da autoestima que há tanto tempo aguardava por uma solução para o problema”, comentou o diretor administrativo jurídico do CSSJD, André Waller.





 

O procedimento inédito, segundo a diretora-presidente do hospital, Elis Regina Guimarães reforça o trabalho desenvolvido pela instituição para fazer com que ela figure como referência em todo o Brasil. “A partir do momento que realizamos um procedimento como este, estamos mostrando para o país o nosso pioneirismo, inovação”, declarou. Ela ainda colocou a unidade à disposição para treinar e capacitar novos profissionais da área para que esta técnica seja desenvolvida em outros estados.

 

De acordo com a assessoria do hospital, o paciente passa bem e está em recuperação. A cirurgia foi realizada na sexta-feira (11/12).

 

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