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Estado de Minas Pesquisa alimentar

HCor procura por pacientes com infarto recente para pesquisas

O estudo, feito no âmbito alimentar, avaliará se a dieta cardioprotetora brasileira melhora os níveis de gordura e açúcar no sangue de pacientes infartados


09/09/2020 15:30 - atualizado 09/09/2020 16:55

(foto: Pixabay)
(foto: Pixabay)


Uma pesquisa, realizada pelo Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), em parceria com o Ministério as Saúde, está recrutando pacientes com mais de 40 anos e que tiveram infarto agudo do miocárdio (IAM) recente.

Isso porque o estudo multicêntrico, parte do projeto Dica-Nuts, do Hospital do Coração (HCor), tem como objetivo avaliar se a dieta cardioprotetora brasileira melhora os níveis de gordura e açúcar, bem como de peso, nessas pessoas. 

“O intuito é avaliar esses pacientes com infarto recente, pois, apesar de já termos evidências, conhecimento e muitas publicações de teses sobre alguns padrões alimentares considerados cardioprotetores – que fazem bem para o coração –, ainda não se tem certeza sobre este mesmo efeito em pacientes que infartaram recentemente. Temos, ainda, poucas pesquisas, ensaios e estudos clínicos que avaliam as intervenções especificamente neste público”, explica a nutricionista e pesquisadora do HCor Aline Marcadenti. 

Neste contexto, Aline cita, inclusive, a proposta de alimentação cardioprotetora brasileira disponível gratuitamente no site da Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição (Cegam), do Ministério da Saúde, como um impulso para o estudo.  

“Essa proposta, como uma diretriz alimentar, foi testada em um grande ensaio clínico em todo o país, que avaliou somente pacientes que tiveram doenças cardiovasculares de qualquer tipo nos últimos 10 anos. Então, foi uma população um pouco mais ampla. Exatamente por isso, o estudo atual irá especificar essa população para analisar justamente o efeito da alimentação cardioprotetora em pacientes que tiveram infarto nos últimos seis meses”, elucida. 

A pesquisadora pontua que, neste sentido, além do objetivo principal do estudo – avaliar o efeito da alimentação cardioprotetora brasileira no colesterol ruim, o LDL, de pacientes com infarto recente, serão avaliados, também, outras possíveis evidências, sendo elas: o impacto da alimentação protetora em outros padrões lipídicos no desenvolvimento de diabetes e os parâmetros de peso

Mas toda pessoa que infartou recentemente pode participar? Não. De acordo com Aline, assim como qualquer outra pesquisa, este estudo pode oferecer riscos à saúde dos pacientes. Portanto, algumas pessoas, capazes de apresentar reação adversa, não serão incluídas na pesquisa. 

“Temos uma equipe bem treinada para cuidar e auxiliar os pacientes. Mas, de qualquer forma, pessoas que têm alergia alimentar, por exemplo, não poderão participar desta pesquisa”, diz. 
 

"Os pacientes serão acompanhados nos ambulatórios de pesquisa, por quatro meses. Serão realizadas cinco visitas, nas quais os participantes do estudo receberão assistência da equipe de nutrição. Além disso, serão feitos exames de sangue na primeira e na última visita, de forma gratuita, a fim de monitorar os resultados"

Aline Marcadenti, nutricionista e pesquisadora do HCor

 

De acordo com os critérios de exclusão elencados pelo site oficial do HCor, quem não poderá participar do estudo serão: pacientes que têm indicação de revascularização (bypass ou enxerto cardíaco) nos próximos 4 meses; participantes desaconselhados por médicos; pessoal com HIV positivo em tratamento; pacientes com doenças inflamatórias crônicas ou com câncer; indivíduos que tenham dependência química ou que façam uso crônico de anti-inflamatórios, anticonvulsivantes e drogas imunossupressoras e mulheres grávidas ou em período de lactação

Além disso, usuários de cadeiras de rodas sem condições de avaliação antropométrica, pacientes com obesidade extrema ou em uso de suplementos dietéticos, indivíduos com rejeição e/ou alergia ao consumo de oleaginosas e pessoas participantes em outros estudos randomizados cuja intervenção comprovadamente interfira no desfecho também não poderão fazer parte do estudo

A pesquisa 


Aline conta que o estudo teve início no ano passado, com a coleta de dados. No entanto, de acordo com os relatos da pesquisadora, a pesquisa foi interrompida pela pandemia causada pelo novo coronavírus, ficando parada por longos meses, devido a impossibilidade de dar prosseguimento ao ensaio.  

Aline Marcadenti, nutricionista e pesquisadora do HCor (foto: Arquivo pessoal)
Aline Marcadenti, nutricionista e pesquisadora do HCor (foto: Arquivo pessoal)
“Agora, estamos retomando devagar, conforme a disponibilidade de cada centro de pesquisa e as autorizações recebidas pelos pacientes de retornarem aos consultórios e ambulatórios. A princípio, a nossa ideia é finalizar o recrutamento desses pacientes em novembro deste ano para, posteriormente, fazer a experimentação  com os alimentos da dieta cardioprotetora brasileira, coletar os dados, os analisar e divulgar os resultados”, resume o trabalho a ser feito a partir de então. 

Após o fim do recrutamento, segundo detalhamento feito por Aline, essa será a rotina de experimentação dos participantes do projeto: “os pacientes serão acompanhados nos ambulatórios de pesquisa, por quatro meses. Serão realizadas cinco visitas, nas quais os participantes do estudo receberão assistência da equipe de nutrição. Além disso, serão feitos exames de sangue na primeira e na última visita, de forma gratuita, a fim de monitorar os resultados.” 

Em função da pandemia, a pesquisadora relata que alguns acompanhamentos deverão ser feitos por telefone ou de forma remota para evitar que as pessoas se exponham ao risco. O recrutamento está sendo feito por meio do preenchimento de um formulário on-line disponibilizado pelo HCor. 

Atualmente, o estudo está em ação nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre, Goiânia, Maceió e São Luís. Porém, segundo a pesquisadora, em caso de sucesso, a pesquisa poderá sem ampliada para demais cidades do Brasil, o que, para ela, ainda é precoce para se afirmar, visto que nenhum resultado foi coletado

Para obter mais informações, acesse o site do HCor ou envie sua dúvida para o e-mail: dicanuts@gmail.com

* Estagiária sob supervisão da editora da Teresa Caram 


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