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Estado de Minas Corpo humano

Que tal se ver do avesso? Conheça o corpo humano por dentro

O corpo humano é uma máquina que não para. Não é perfeita, mas consegue a extraordinária proeza de crescer, reproduzir-se e curar a si mesmo


30/08/2020 04:00 - atualizado 29/08/2020 20:02

(foto: Tumisu/Pixabay)
(foto: Tumisu/Pixabay)


“Sabia que o cromossoma Y, o que dá origem aos seres humanos do sexo masculino, está em vias de extinção? Tem apenas 70 genes; outros cromossomas chegam a ter 2.000. E vem encolhendo desde há 160 milhões de anos. Ao ritmo atual de deterioração, estima-se que pode desaparecer por completo daqui a 4,6 milhões de anos. Sim, os homens podem desaparecer, restando apenas as mulheres!” Quem garante é o escritor norte-americano Bill Bryson, autor do best-seller Corpo – Um guia para usuários, da Editora Companhia das Letras.

Na obra, os leitores vão se deliciar com informações curiosas, assustadoras, espetaculares, meio nojentas, mas todas verdadeiras sobre como funciona o corpo humano. E, por favor, se repete por aí que ele é uma máquina perfeita, pare! A máquina, não só emperra, como chega um momento em que não terá mais como ser consertada.

Entre tantas curiosidades, do espanto ao encantamento diante de máquina tão incrível, Bill Bryson nos conta tudo, começando da pele e do pelo, passando pelos trilhões e trilhões de micróbios – criaturas minúsculas, que proporcionam um bem espantoso, como ele enfatiza: “Não se iluda. O planeta é dos micróbios. Estamos entregues aos seus caprichos. Eles não precisam de nós. Sem eles, morreríamos em um dia” –, até o cérebro, coração, o sistema imune, vísceras, sono, nervos, câncer, sono, dor e muito mais.

Inspirado pelo livro, o Bem Viver convidou médicos para falarem da beleza do funcionamento da área que dominam: um cardiologista, dois cirurgiões plásticos e um oncologista. Todos discorrem ao longo desta reportagem sobre pontos que mais chamam a atenção no corpo humano.

Descobertas que intrigam, fatos extraordinários e anedotas irresistíveis, como outro dado de Bill Bryson sobre a pele. Você sabia que a superfície mais externa da epiderme, o estrato córneo, é composta de células mortas? “O que se concluiu que tudo o que nos torna belos está morto. Onde o corpo entra em contato com o ar, somos todos cadáveres”, frase marcante do autor, entre tantas ao longo da leitura, mais do que prazerosa.

E que as sobrancelhas oferecem um banquete para milhares de ácaros, que devoram suas células com se fossem “uma gigantesca tigela crocante de flocos e milho” e que “a cada segundo, todos os dias, o corpo executa uma quantidade incalculável de tarefas (um quatrilhão, um nonilhão, um vigintilhão, essas quantidades existem!) sem exigir um segundo de sua atenção?
 
 
 
 

Nada mais parecido com 
a complexidade de uma orquestra que o corpo humano


Marcus Bolívar, 
cardiologista, professor da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais (FCM-MG) 
 
 
 
COMPLEXA ORQUESTRA 

O bacana é a ideia de descobrir o corpo humano do avesso, saber que ele é formado por vários sistemas que envolvem órgãos que atuam para manter as funções vitais e perfeitas do organismo em conjunto. E tudo, seguramente, é de uma beleza quando se para para prestar atenção, imaginar e perceber como a máquina humana tem a precisão de distribuir as tarefas para cada área responsável agir sempre que necessário.

Marcus Vinícius Bolívar Malachias, médico cardiologista, Ph.D. em ciências cardiovasculares pela USP e professor da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais (FCM-MG), vai traduzir esta máquina a partir de uma orquestra de música, o que captura nossa leitura.

“A vida, como nas sinfonias, é composta de movimentos, começando com o ‘prelúdio’ ou mesmo uma ‘overture’ (abertura) do nascimento, seguido pelo ‘andante sostenuto’ dos primeiros passos, o ‘sherzo’ das brincadeiras da infância, o ‘prestíssimo’ da juventude, o ‘alegro ma non molto’ da maturidade, seguido do ‘adagio spirituoso’ da terceira idade, até a chegada do ‘réquiem’ (descanso, em latim) ao ‘finalle’.”

É bom saber, no entanto, que o último movimento de toda sinfonia é vibrante e capaz de trazer esperança à complexa orquestra do corpo humano quando essa executa os seus últimos compassos. A música é capaz de nos acompanhar mesmo após a morte, nas chamadas ‘missas’, compostas usualmente por cinco partes: Kyrie, Gloria, Credo, Sanctus e Agnus Dei.

O cardiologista lembra que, para Aristóteles, “a arte imita a vida”. Já para Oscar Wilde, “a vida imita a arte mais do que a arte imita a vida”. “Apesar do avanço da ciência, sobretudo nos últimos 20 anos, há ainda muitas sequências da partitura da vida a serem decifradas, assim como a célebre e definitiva 8ª sinfonia de Franz Shubert, que recebeu o epíteto de 'Inacabada'.

O bom médico é aquele que acolhe o seu paciente como o bom músico toca o seu instrumento, com sensibilidade, respeito, precisão, comprometimento e arte. Afinal, na medicina, assim como na música, são fundamentais o conhecimento, a experiência e o talento, mas é imprescindível o amor pelo que se faz.”
 
 
  
SERVIÇO
 
 
(foto: Reprodução )
(foto: Reprodução )
 
Livro: 
Corpo – Um guia para usuários
Autor: Bill Brson
Tradução: Cássio de Arantes Leite
Editora: Companhia 
das Letras
Páginas: 426
Preço sugerido: 
R$ 79,90




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