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Estado de Minas COVID-19

Estudo compara o novo coronavírus a demais doenças respiratórias

O artigo faz um mapeamento das taxas de mortalidade por COVID-19 e mostra, em paralelo, o mesmo panorama em relação a outras doenças respiratórias no Brasil


postado em 28/04/2020 11:00 / atualizado em 28/04/2020 12:04

Estudo compara taxas de mortalidade no novo coronavírus e outras doenças respiratórias(foto: Pixabay)
Estudo compara taxas de mortalidade no novo coronavírus e outras doenças respiratórias (foto: Pixabay)
Um estudo publicado pela revista InterAmerican Journal of Medicine and Health, da Faculdade São Leopoldo Mandic, mostra uma comparação entre os índices de óbitos por causa respiratória, normalmente esperados ao longo do ano no Brasil, e as taxas de mortalidade do novo coronavírus. A pesquisa traz ainda dados comparativos entre os efeitos causados por pandemias no país. 

Intitulado “Covid-19 em contexto: comparação com a mortalidade mensal por causas respiratórias nos estados brasileiros”, o artigo aponta que a sazonalidade, ou seja, variação dos dados em um curto espaço de tempo, se difere nas seis regiões brasileiras. Além disso, o estudo destaca que o número de óbitos, por doenças respiratórias, se eleva em determinado período do ano, como no outono e no inverno.  

Em paralelo a isso, o novo coronavírus representou, em março deste ano, cerca de 1,69% das mortes registradas como problemas respiratórios no Brasil. Ao considerar a primeira quinzena deste mês, essa proporção chega a 24%.  

Neste contexto, a pesquisa indica que, com 103 mortes, o Amazonas é o estado brasileiro com o quadro mais grave do país, com crescimento de 151% na média de óbitos do estado em relação a anos anteriores.  

No entanto, Wladimir Jimenez Alonso, pesquisador do Epidemiologia das Doenças Transmissíveis (Epidot) e autor do estudo, pontua que esse aumento deve ser reconsiderado e contextualizado. “Abril foi o mês em que o Amazonas mais registrou óbitos e, normalmente, esse é o mês que o estado mais registra mortes por causas respiratórias, pois na região equatorial as infecções desse tipo ocorrem com maior frequência na época de chuva, e não na estação fria.” 

O segundo maior índice de mortes por COVID-19, em relação à média de óbitos respiratórios típicos, é observado no Amapá (53,85%), seguido por Roraima (46,15%), Pernambuco (39,8%), São Paulo (39,2%), Rio de Janeiro (36,3%), Ceará (29,5%) e Distrito Federal (28,3%). Nos demais estados, a proporção é menor que 20%. 

Alonso explica que na comparação com o número esperado de mortes respiratórias, os óbitos em decorrência do novo coronvírus, em muitas cidades, ainda representam uma parcela minoritária. “Certamente, cada falecimento é uma tragédia e temos que levar esta pandemia a sério. Mas nesse mesmo mês morreram tipicamente 106 mil pessoas, em muitos casos por doenças e acidentes preveníveis.” 

O artigo destaca, ainda, um comparativo dos efeitos causados pela pandemia de Influenza H1N1, em 2009, que causou 2.787 mortes a mais do que o esperado. Desse número, mais de 90% ocorreram nos meses de maio, início da proliferação da doença, junho, julho e agosto. 

Dessa forma, Alonso ressalta a relevância presente na discussão de tal experimento. “Como os eventos estão se sucedendo muito rapidamente, a sociedade está sendo inundada por informações, sem tempo de digeri-las corretamente. O resultado é uma perigosa visão de túnel. Nosso estudo é uma contribuição para que se avalie o impacto da COVID-19 dentro da realidade das mortes respiratórias e outras que ocorrem normalmente no Brasil.” 

Projeção 


O pesquisador pondera sobre delinear uma possível curva de mortalidade a partir deste estudo. E, ressalta que diversos fatores podem contribuir para a contaminação e o desenvolvimento, de forma grave, da doença. O número de óbitos em decorrência da COVID-19 também pode sofrer interferências pré-dispostas

“A sazonalidade das infecções respiratórias pode ter um papel no impacto do vírus. Mas este é só um fator que deve ser avaliado juntamente com a proporção da população suscetível, que se avalia com testes por amostragem aleatória de uma parcela representativa da população, com o sucesso de soluções farmacológicas e com a capacidade de absorção de doentes graves pelo sistema de atendimento”, diz. 

 

Consequências 


Ainda, em comparação, Alonso destaca que a pandemia que assolou o mundo em 2009 propiciou que os casos de síndrome respiratória aguda grave se tornassem notificação compulsória no Brasil. E, portanto, acredita que o cenário atual precisa de mais atualizações no sistema de saúde. “É preciso que o Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde, coloque à disposição os dados das mortalidades de todas as causas, no Brasil, em tempo real para que os epidemiologistas possam desenvolver o que for necessário.” 

O pesquisador ressalta, ainda, que em meio à pandemia atual, é importante comparar e mesmo aprender com erros cometidos e ocorridos na época em que o país sofreu com o vírus da Influenza H1N1. “Naquele momento, houve uma grande relutância em relação ao uso dos antivirais, que teve como consequência um aumento importante no número de mortes evitáveis, principalmente entre grávidas. Se devemos aprender com o passado, esta é uma lição que não deveríamos esquecer.” 

* Estagiária sob a supervisão da editora Teresa Caram


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