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Estado de Minas CORPO E MENTE

A força do equilíbrio

Evento aberto ao público, no Museu das Minas e do Metal, reúne especialistas para debater a interface entre meditação, psicanálise, neurociência e o impacto na saúde de todos


postado em 01/03/2020 04:00





Viver em equilíbrio requer aceitar os altos e baixos da existência e aprender a lidar com as situações que nos causam desconforto e frustrações. Como a prática e a interface entre meditação, psicanálise e neurociência contribuem para a conquista do equilíbrio emocional e do autoconhecimento? Cinco especialistas vão se reunir em 7 de março, em Belo Horizonte, para uma conversa em torno dessa questão durante o evento “O infinito é onde sou – O não nascido – Diálogo entre meditação, psicanálise e neurociência”.

A psicóloga e psicanalista Bernadette Biaggi, monja da tradição Sotoshu de zen-budismo e fundadora do Istituto Biaggi Psicoterapia Psicoanalisi Cultura e Arte Brasil Italia, explica que vários estudos científicos têm demonstrado que a prática da meditação favorece a capacidade de aprendizagem e concentração, ajuda a perceber melhor as próprias emoções e a lidar com elas favorecendo o bem-estar. 

No âmbito da saúde mental, ela cita que vários estudos documentaram os benefícios em sintomas de ansiedade e depressão e seu potencial para melhorar padrões de sono, além dos benefícios subjetivos da prática. “Do ponto de vista psíquico e mental, é importante deixar claro que a meditação não cura problemas mentais, mas alivia os sintomas e pode ser considerada uma terapia de apoio a um processo psicote- rapêutico. Ela é um caminho facilitador da ampliação e mudança interna do nosso olhar. Cada vez mais ela tem sido reconhecida por profissionais de saúde. Não podemos desconsiderar as evidências científicas de seus benefícios. Atualmente, a meditação tem sido usada no âmbito hospitalar e seus efeitos positivos para a saúde se baseiam em uma modificação da atividade cerebral.”

Bernadette Biaggi destaca que há vários tipos de meditação. “Em princípio, é algo relativamente simples e natural em que o praticante percebe tudo o que vê ou ouve e acompanha as suas sensações corporais internas e seus diálogos mentais. Paulatinamente, passa a não dar excessiva atenção a nenhuma percepção ou pensamento isolado, retornando a um foco impessoal, livre de julgamentos numa mente consciente mais fluídica, no qual os fatores de incômodo tornam-se menos perturbadores, permitindo uma sensação de bem-estar.”

INFELICIDADE 

Conforme a psicanalista, muitos pensam que deixar a mente divagar seja benéfico, porém, os psicólogos Matthew A. Killingsworth e Daniel T. Gilbert, da Universidade de Harvard, fizeram uma pesquisa importante por meio de um aplicativo para saber quanto tempo as pessoas passam no dia a dia pensando naquilo que elas estão fazendo no momento ou quanto tempo passam pensando em outras coisas. “Constataram que, em média, o ser humano passa 47% do tempo em que está acordado pensando em outras coisas que não aquilo que ele está fazendo ou que está ocorrendo no momento. Ou seja, não estamos presentes no nosso presente. E o mais interessante é que constataram que quanto mais tempo a pessoa passa pensando em outras coisas (mind wandering), maior o índice de infelicidade, depressão e ansiedade.”

Portanto, destaca Bernadette Biaggi, o excesso de sensorialidade da mente, modo de relação típico dos quadros de transtornos narcisistas, dos indivíduos que buscam prazeres imediatos em detrimento da realidade, impede o contato com um “eu” mais intuitivo, primordial e autêntico. “A prática da atenção plena cultiva uma resposta de menor percepção dessa sensorialidade, favorecendo o aumento do limiar de tolerância ao desconforto e à frustração, propiciando uma confiança de que somos capazes de sustentar formas mais realísticas de lidar com as pressões inerentes ao existir, sem lançar mão do imediatismo tão visível nos nossos dias”, afirma.

"Do ponto de vista psíquico e mental, é importante deixar claro que a meditação não cura problemas mentais, mas alivia os sintomas e pode ser considerada uma terapia de apoio a um processo psicoterapêutico"

Bernadette Biaggi, 
psicóloga, psicanalista e monja zen-budista
 
 
 
 
Autores e temas das palestras

» A psicóloga, psicanalista, monja da tradição Sotoshu de zen-budismo e fundadora do Istituto Biaggi Bernadette Biaggi falará sobre “A capacidade negativa e a sensorialidade da mente” e como se libertar do filtro dessa sensorialidade que achata a mente e se tornar uma forma de evasão da vida nos prazeres imediatos entre voracidade, onipotência e transtornos narcisistas que impedem a conquista de uma maior autopercepção interna e presença na vida.

» A neurocientista e pós-doutora em psicobiologia Elisa Kozasa abordará o tema “Cérebro, meditação e equilíbrio emocional”.

» O mestre em filosofia Diogo César Porto da Silva vai falar sobre “As possibilidades do nada para o não nascido”, entendendo o conceito do “nada absoluto” desenhado pelo filósofo japonês Nishida Kitar, por meio do qual ele ensaia superar a lógica do pensamento ocidental.

» A psicanalista Kathy Havens (monja Isshin) discutirá “O círculo do zen no divã”, no qual relacionará o significado do círculo zen com a psicanálise, abordando tanto a atitude do terapeuta quanto do paciente.

» O psiquiatra e doutor em medicina celular e molecular Frederico Garcia abordará o tema “Aplicando o reducionismo para explicar a neurociência por trás da meditação”.




Serviço

Debate: O infinito é onde sou – O não nascido – Diálogo entre meditação, psicanálise e neurociência
Local: Museu das Minas e Metal – Praça da Liberdade, s/nº, Bairro Funcionários, Belo Horizonte-MG
Dia: 7 de março, sábado
Horário: das 8h às 14h30
Inscrições: www.sympla.com.br
Alvo: aberto ao público em geral


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