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Estado de Minas

'Uma pessoa infectada pode infectar outras duas', diz especialista

Mulher de 22 anos está internada em Belo Horizonte com sintomas da doença


postado em 28/01/2020 12:24 / atualizado em 28/01/2020 15:33

Jovem de 22 anos está internada no hospital Eduardo de Menezes, em Belo Horizonte, com sinais de infecção pelo coronavírus. Caso está sob investigação (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
Jovem de 22 anos está internada no hospital Eduardo de Menezes, em Belo Horizonte, com sinais de infecção pelo coronavírus. Caso está sob investigação (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)

Depois de descartar um caso de contaminação pelo novo coronavírus chinês, Minas Gerais registra mais uma suspeita sobre a doença que começou a se espalhar no fim de dezembro a partir da cidade de Wuhan, epicentro do problema. Já são mais de 4 mil pessoas que contraíram o coronavírus e 106 mortes relacionadas ao mal na China.

De acordo com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, a paciente internada em Belo Horizonte apresenta sintomas compatíveis com o protocolo da enfermidade. Ela disse que não esteve no mercado de peixes em Wuhan, não teve contato com nenhuma pessoa doente e não procurou nenhum serviço de saúde quando esteve na cidade. Outras 14 pessoas próximas da paciente estão sendo monitoradas.

A Secretaria de Estado de Saúde informou, por meio de nota, que a estudante de 22 anos foi internada na UPA Centro-Sul, na última sexta-feira (24), e foi transferida para o hospital Eduardo de Menezes nesta terça-feira. O ministro disse, porém, que não existem evidências de que o vírus esteja circulando, mas recomendou que a população evite viajar à China.

Luiz Henrique Mandetta afirmou que o quadro da jovem é estável, sem complicações. Ele explicou que a previsão é de que a confirmação sobre a contaminação da brasileira seja divulgada na sexta-feira (31).

Um ponto principal sobre a postura que deve ser adotada para minimizar a proliferação da doença é que o comportamento do coronavírus ainda não é totalmente conhecido. É o que explica o médico infectologista membro da Sociedade Mineira de Infectologia (SMI), Carlos Starling. "As informações que vêm da China ainda são limitadas, são informações preliminares. Um dado básico é que uma pessoa infectada pode infectar outras duas", esclarece.

(foto: Lakruwan Wanniarachchi/AFP )
(foto: Lakruwan Wanniarachchi/AFP )

Nesse contexto, o especialista diz que é fundamental identificar rapidamente casos suspeitos, já que o momento crucial para controle da epidemia é agora, exatamente quando acontecem as primeiras notificações. "É o caso dessa moça que acaba de ser internada. Ela esteve no local onde o problema acontece e é importante passar por esse processo de investigação, monitoramento e isolamento", explica Carlos Starling.

Diante da possibilidade da doença se espalhar a partir dessa paciente, uma atitude inicial é identificar sua rede de contatos, ou seja, os indivíduos com quem conviveu nesse período, e observar com atenção as situações em que os sintomas se manifestarem.

(foto: Tang Chhin Sothy/AFP)
(foto: Tang Chhin Sothy/AFP)

Quando surge uma suspeita, o médico ensina que o sujeito deve permanecer em lugares afastados de outras pessoas, recluso, por um intervalo entre sete e dez dias, até os sintomas (como tosse e coriza) desaparecerem. "Esse é o período de suspeição", orienta.

Sobre o risco de disseminação do coronavírus em Minas Gerais, Carlos Starling diz que não é algo ainda que se pode confirmar com certeza, justamente pelo fato do comportamento e o padrão de circulação do micro-organismo ainda não serem de todo conhecidos. "Mas sempre há essa possibilidade. Os profissionais de saúde que tiveram contato com essa paciente podem ser os mais acometidos por esse tipo de epidemia. É essencial que todos tomem as medidas de precaução", salienta.

Em 21 de janeiro, outra paciente chegou a UPA-Centro Sul, na capital mineira, com sintomas respiratórios compatíveis com a doença viral aguda causada pelo coronavírus. A mulher de 35 anos esteve em um evento internacional em Xangai e desembarcou na capital mineira em 18 de janeiro. Ela chegou a ser conduzida ao Hospital Eduardo de Menezes para observação. Profissionais de saúde recolherem uma amostra de sangue e encaminharam para a Fiocruz, no Rio de Janeiro. A instituição, no entanto, verificou que se tratava de um caso de rinovírus humano (HRV).

Os trantornos com o coronavírus chinês têm sido comparados a outras situações de disseminação de doenças pelo mundo. Identificado em 1976, o vírus do ebola chegou a nove países, infectou mais de 33 mil pessoas e causou pouco mais que 13,5 mil mortes. Em 2002, quando se manifestou, o vírus da síndrome respiratória aguda severa (SARS) contabilizou mais de 8 mil casos, 774 mortes, em 29 países diferentes. Em 2012, o vírus da síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS) contaminou quase 2,5 mil pessoas e ocasionou 858 mortes em 28 países.


Carlos Starling ensina que o cuidado básico para se proteger do contágio é evitar ir para a região onde o surto acontece. E, para quem, por acaso, está retornando desses locais, o importante é ficar atento aos sinais de uma possível infecção respiratória grave, semelhantes aos de uma gripe, como tosse, febre, mal estar de início súbito, evoluindo para uma insuficiência respiratória. "Se, ao voltar dessa região, a pessoa apresentar esse quadro, é fundamental procurar assistência médica e informar que esteve nesses lugares", orienta.

Outras medidas preventivas para evitar a contaminação com o coronavírus são as mesmas que devem ser tomadas em casos de síndromes respiratórias agudas: evitar lugares fechados e com muita gente, uso de máscaras, luvas e capotes, lavar e higienizar frequentemente as mãos, principalmente antes de consumir algum alimento e após tossir ou espirrar, utilizar lenço descartável para higiene nasal, cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir, evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca, não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas, manter os ambientes bem ventilados, evitar contato próximo a pessoas que apresentem sinais ou sintomas de infecção respiratória. "Também manter um estado de vigilância, com atenção para  o aparecimento de algum sinal de infecção", ensina Carlos Starling.


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