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Estado de Minas REPORTAGEM DE CAPA

Checklist para 2020

O Bem Viver vai acompanhar o passo a passo das promessas de oito personagens que se comprometeram a cumprir objetivos considerados factíveis na chegada do novo ano


postado em 05/01/2020 04:00

Mais um ano começa e vem por dentro o desejo de fazer diferente. Depois da virada, algo novo paira no ar. Como diria o poeta, “ainda bem que existem janeiros”. Na rua, em casa, no trabalho, por todos os lugares, cada um revela sonhos e objetivos que se entrelaçam na perspectiva de um ânimo renovado. Em vários campos da vida, seja família, profissão, estudo, relacionamento afetivo e social, economia ou finanças pessoais, por exemplo, quando se abre uma atmosfera de recomeço, é fundamental avaliar os reais caminhos a serem seguidos para acertar o alvo. Neste início de ano, acompanhamos pessoas de perfis diferentes, condições socioeconômicas e idades variadas, que traçaram planos para 2020 e estão dispostas a cumprir as metas.

 

(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
 

 

Estreia no mercado editorial

 

Samuel de Almeida Leão Rabello tem 18 anos e cursa letras na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A escrita e a leitura estão na veia, algo que herdou de um tio, escritor e jornalista, e que ele pratica desde criança. O amor pela leitura fez o percurso pela escrita natural. “Sempre que tinha a oportunidade de ganhar presentes, pedia livros. É uma paixão sem explicação. Nasci adorando ler e comecei a escrever quando tinha 8 anos”, conta.

 

Desde dezembro, ele estabeleceu propósitos para 2020. Já começou a produção de um livro, um romance policial, e firmou o compromisso de, ao longo deste ano, escrever entre três e quatro páginas, no mínimo, por dia, da obra que pretende lançar daqui a dois anos. Para o estudante, o livro faz parte de um planejamento maior. “É uma estreia no mercado editorial, e quero fazer um teste sobre o mercado e a crítica”, diz. Para este 2020, ele conta que também estabelecerá uma rotina de estudos para aproveitar ao máximo o curso de graduação. “Não vou faltar e farei todas as provas.” 

 

(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
 

 

Emagrecer pelo menos 15kg

 

Ademira Fernandes, de 54 anos, é diarista. A principal meta para este ano é perder peso. “Quero emagrecer pelo menos 15 quilos e voltar ao meu peso normal”, conta. Ela diz que vai procurar uma nutricionista para orientá-la e, a partir deste mês, a ideia é começar a fazer caminhadas, reeducação alimentar e praticar o pilates com mais frequência. Diabética, conta que o objetivo vai além da estética – é uma questão de saúde. “Vou cortar o doce, o carboidrato, ingerir mais frutas, verduras, proteínas. Eliminar o refrigerante e cerveja só de vez em quando. Um compromisso comigo mesma”, ressalta. “Fico triste quando visto uma roupa e não serve. Gordura nunca é coisa boa. Até para andar é ruim, dá dor nas pernas”, acrescenta.

 

Batalhadora, diz que vai continuar trabalhando enquanto puder. “Peço a Deus para que o emprego melhore para todos. Em 2019, aconteceram muitas tragédias. Tenho fé que as coisas vão melhorar, em geral.” A filha, de 30 anos, está com casamento marcado para este ano, e isso também terá influência na rotina de Ademira que, até então, tinha a moça como companhia no dia a dia da casa. “A vida vai mudar.” Outra intenção é encontrar periodicamente com os irmãos, que vivem no interior de Minas Gerais. 

 

(foto: 50mm Fotografia/Divulgação)
(foto: 50mm Fotografia/Divulgação)
 

 

Novos desafios na profissão

 

Anna Clara Lopes Ferreira concluiu o curso de medicina em dezembro. “O ano passado foi de mudanças”, diz Anna que, aos 24, agora tenta ingressar na residência médica na área de pediatria, que tem duração de três anos. Ela fez o teste para entrar no programa e o resultado será divulgado no fim deste mês. E isso é o que vai determinar seu futuro nos próximos meses. “São muitas possibilidades. Se eu passar para um hospital de BH, vou morar em BH, se for para Uberlândia, mudarei para essa cidade”, esclarece ela que, por enquanto, reside em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira.

 

“Dependendo do resultado, vou mudar de casa, de ambiente. São novos desafios. Estou esperando um ano de muito aprendizado e crescimento pessoal. Finalmente vou colocar em prática tudo o que venho preparando há seis anos, desde o início do curso de medicina. Sempre fui conectada com crianças. ” As transformações também passam pelo relacionamento com o namorado, com quem está junto há dois anos e meio. "Pode virar um namoro a distância. Às vezes, precisamos abdicar de algumas coisas para aprender as maiores lições. Sair da zona de conforto e amadurecer”, diz. 

 

(foto: Altivo Aquino/divulgação)
(foto: Altivo Aquino/divulgação)
 

 

 

Mergulho na América do Sul

 

O professor de literatura Flávio de Castro comprometeu-se a publicar um livro a cada dois anos. Passando pelos percursos da poesia, tem obras lançadas em 2016, 2018, e a próxima deve ser em 2020. Aos 44 anos, ele diz que, quando apresenta um livro, logo depois encontra um vazio que o faz querer escrever de novo. Flávio tem atuação principalmente em pré-vestibulares. A partir deste ano, começa a gravar podcasts voltados para literatura de preparação para o vestibular, no início já com 20 gravações. 

 

Neste mês, está com viagem programada para a Colômbia com a namorada, e esse é um passeio que integra um contexto maior de conhecer a América do Sul. “Já fui ao Chile, Argentina, Bolívia, Peru e Uruguai. Depois da Colômbia, quero ir para o Equador e a Venezuela”, diz. Ele também tem vontade de conhecer a América Central. “Acho importante conhecer o continente, que passa por um momento de convulsão”, afirma Flávio, que sonha ter filhos, ainda que esse não seja até então um plano concreto. “Outro plano sério mesmo é preservar minha saúde mental nesse cenário apocalíptico em que vivemos e não enlouquecer junto com a política.” 

 

(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
 

 

Finalizar um antigo projeto

 

Aos 81 anos, Dayse Faria é um exemplo de força e vitalidade. Dançarina referência em Minas Gerais, foi a primeira bailarina de dança do ventre de Belo Horizonte e é precursora da dança oriental no estado. Dayse tem passagem pelo balé clássico, pelas danças folclóricas e pelo teatro. A aptidão para a dança é evidente desde a infância.

 

Há 20 anos, Dayse está debruçada em um grande projeto, que intenciona concretizar neste 2020. Trata-se de um livro de memórias sobre a dança clássica em Minas Gerais, que começa com um patriarca do estilo, o gaúcho Carlos Leite. Em Belo Horizonte, Carlos Leite iniciou sua carreira bem-sucedida como professor, e criou em 1948 a pioneira escola de dança clássica de Minas Gerais. Dayse está reunindo material para a obra, a partir de cartas e relatos, com a colaboração de amigas da dança. “Sinto que é essa é uma obrigação que tenho. Minha vida é a dança”, frisa. Outra ideia para este ano é conceber um curso profissionalizante de dança do ventre, incluindo ensinamentos sobre música e línguas árabes. 

 

(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
 

 

Viajar e voltar a dançar

 

A funcionária pública aposentada Célia Evangelina Gonçalves Hilário, de 67 anos, quer reservar um tempo para viajar mais este ano. A mudança de apartamento e um acidente de carro ocorrido em junho passado dificultaram a realização desse desejo. Nos últimos anos, manteve uma média de uma viagem internacional anualmente, o que não foi possível em 2019. As últimas viagens que ela fez foram para Madri, Lisboa e Sevilha. Agora, marcou com as amigas uma ida para a Europa ou para algum lugar da América do Sul entre abril e maio.

 

Vinda de uma família numerosa, Célia é mãe de três filhos adultos e tem quatro netos, com os quais passa boa parte do tempo livre. Dedicada a eles e amante de uma boa leitura, ela diz que também é hora de pensar no que mais gosta e resgatar os hobbies prediletos. “Comecei a fazer aulas de dança flamenca em 2019, mas tive que parar por causa do acidente. Vou retomar. Também está entre meus planos  ler mais e ir mais ao cinema este ano”, conta.  

 

 

 


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