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Estado de Minas SAÚDE

Anvisa quer banir gordura trans dos alimentos até 2023

Agência aprova regras para controlar uso pela indústria do ingrediente, que, segundo a OMS, é responsável por 500 mil mortes por doenças cardiovasculares a cada ano no mundo


postado em 18/12/2019 04:00 / atualizado em 18/12/2019 08:54

Indústria usa a gordura trans no processo de fabricação para dar textura e crocância aos biscoitos (foto: DENIS CHARLET/afp - 12/6/16)
Indústria usa a gordura trans no processo de fabricação para dar textura e crocância aos biscoitos (foto: DENIS CHARLET/afp - 12/6/16)

Brasília – A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou ontem regras para controlar o uso de gorduras trans industriais em alimentos e banir o uso de gordura parcialmente hidrogenada até 2023 no país. A norma deve ser implantada em três fases e o objetivo é evitar o consumo excessivo das gorduras, que estão ligadas ao aparecimento de doenças cardiovasculares.

De acordo com a agência, na primeira fase, será imposto um limite de 2% na presença da gordura trans (ácidos graxos trans industriais) sobre teor de gordura total do alimento, com prazo de adequação até 1º de julho de 2021.

"Nessa mesma data, entrará em vigor a fase de restrição de gordura trans industrial para os demais alimentos, com a adoção do mesmo limite de 2% de gorduras trans industriais do total de gordura presente nos alimentos em geral, industrializados e comercializados no varejo e atacado", explica a agência.

Na terceira e última fase, será banida a gordura parcialmente industrializada, principal fonte de gordura trans nos alimentos industrializados, a partir de 1º de janeiro de 2023.

As gorduras trans, de acordo com a Anvisa, estão presentes na formulação de biscoitos, massas instantâneas, margarinas, sorvetes, pratos congelados, chocolates e pipoca de micro-ondas. Estudos apontam relação entre o consumo desse tipo de gordura e o aumento do risco de doenças cardiovasculares.

"Desde 1990, porém, evidências científicas apontam para riscos à saúde decorrentes desses ingredientes, como aumento do colesterol ruim (LDL) no organismo e redução do colesterol bom (HDL)", informa a nota da agência.

Ainda segundo a Anvisa, a Organização Mundial da Saúde (OMS) tem publicado recomendações para redução do consumo de gorduras trans desde 2004 e, atualmente, 49 países já contam com medidas para restringir a presença da gordura nos alimentos, entre eles: Estados Unidos, Argentina, África do Sul, Canadá e Chile.

Indústria

Em nota, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) afirmou que a mudança contou com o apoio da entidade e que o setor já vem reduzindo a quantidade de gordura trans nos produtos. "O setor sabe da importância dessa medida para o consumidor. As empresas associadas da ABIA já vêm, há alguns anos, alterando suas fórmulas com o objetivo de diminuir significativamente o teor de gorduras trans dos alimentos. Portanto, o impacto das novas regras deverá ser mínimo. A indústria brasileira investe consistentemente na inovação de seu portfólio. Já reduziu os teores de gorduras trans e sódio dos alimentos e está em processo a redução de açúcares."

Qual é o risco do consumo?

O consumo de gordura trans acima de 1% do Valor Energético Total que uma pessoa ingere diariamente já aumenta de forma significativa o risco de desenvolvimento e morte por doenças cardiovasculares, principalmente as que atingem os vasos sanguíneos do coração, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Isso porque, ao ser ingerido, esse tipo de gordura favorece o aumento do colesterol ruim (LDL) e diminui o colesterol bom (HL).

Em maio deste ano, a OMS alertou que pelo menos 5 bilhões de pessoas no mundo correm risco de desenvolver doenças relacionadas ao consumo de gordura trans. A organização estima que o ingrediente cause 500 mil mortes por ano no mundo.

No Brasil, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte e de internação hospitalar. Em 2015, foram 424.058 óbitos causados por enfarte agudo do miocárdio, hipertensão, arritmias e outras complicações cardiovasculares, 31% do total.


Quais alimentos contêm gordura trans?

Biscoitos salgados, doces e outros alimentos assados
Pipoca de micro-ondas
Massas instantâneas
Pizzas e salgados congelados
Manteiga vegetal e margarina em barra
Chocolates
Creme para café
Glacê pronto para uso, entre outros


Como será a eliminação da gordura trans dos alimentos?

A decisão da diretoria colegiada da Anvisa estabeleceu que o processo ocorrerá em etapas:

1ª) Será imposto um limite de 2% na presença da gordura trans (ácidos graxos trans industriais) sobre teor de gordura total do alimento, com prazo de adequação até 1º de julho de 2021.

2ª) Nessa mesma data, entrará em vigor a fase de restrição de gordura trans industrial para os demais alimentos, com a adoção do mesmo limite de 2% de gorduras trans industriais do total de gordura presente nos alimentos em geral, industrializados e comercializados no varejo e atacado.

3ª) Será banida a gordura parcialmente industrializada, principal fonte de gordura trans nos alimentos industrializados, a partir de 1º de janeiro de 2023.
Obs.: Atualmente, não há quantidade máxima definida pela agência. Os produtos importados também precisarão seguir essas regras.

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O que é gordura trans?

Também conhecida como gordura vegetal hidrogenada, a gordura trans é usada para melhorar o aspecto e também aumentar o prazo de validade de alimentos industrializados. É formada a partir de um processo químico: óleos vegetais líquidos, como o óleo de soja, são transformados em gordura sólida com o uso de hidrogênio. Quanto mais hidrogenada, mais consistente a gordura fica.

É esse processo que deixa crocante, dá textura e um prazo maior de validade para biscoitos, pipoca de micro-ondas, pratos congelados, massas instantâneas e chocolates.

Existe também a gordura trans natural, que surge no processo de digestão dos animais ruminantes (por exemplo: boi, carneiro, cabra) e está presente em carnes, leite e queijos. O percentual, porém, é pequeno, não oferecendo riscos maiores à saúde.
 



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