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Estado de Minas

Em boa companhia


postado em 07/07/2019 04:05

(foto: Arquivo pessoal )
(foto: Arquivo pessoal )


O relacionamento com animais é sempre muito positivo, diz a psicanalista Cristiane Maluf Martin. Com esse vínculo, salienta, a criança aprende a cuidar do outro, ter empatia, reorganizar o tempo, assumir compromisso (pelo simples fato de olhar a comida, a água e a higiene). Mas, para ela, há o momento certo para a criança começar a se responsabilizar pelos bichos – não adianta ter o animal de estimação se ainda não for apta para mantê-lo. "A partir dos 7, essa noção de cuidado é melhor. É um exercício para a própria dinâmica familiar. A criança precisa saber que se trata de um outro ser vivo, não é o mesmo que um bichinho de pelúcia. Ao mesmo tempo, saber diferenciá-lo do ser humano. É um elo benéfico, mas há limites. Respeitando isso, o animal será uma boa companhia", orienta a psicanalista.

Para crianças tímidas, exemplifica, o animal pode ser um estímulo para a socialização, à medida que essa experiência seja de troca. "Hoje, a indústria dos pet shops é forte, porém, devemos considerar que eles não são humanos", ressalta Cristiane, sobre os excessos comuns dessa convivência, como fazer comemorações de aniversário para o bicho ou dar coleira de cristal Swarovski e roupa de grife. "Quando essa relação extrapola, em algum momento pode se tornar patológica", alerta.

Entre os pontos positivos, existem muitas situações. "Para crianças com paralisia cerebral, por exemplo, a terapia com cavalos é eficiente. Em alguns tipos de autismo, o animal, geralmente o cão, pode ajudar. Essa relação pode otimizar o desenvolvimento de habilidades motoras e, além dos aspectos sensoriais, também melhoras de cognição. Pode ser auxílio para crianças que sofreram algum trauma físico ou psicológico."

Esse relacionamento tem papéis interessantes. Todo o amadurecimento das crianças é beneficiado com o contato com pets durante a infância. “O desenvolvimento da criança que tem a companhia de um bichinho ocorre bem mais rápido”, afirma a pediatra Ana Carolina Sato. Os pais, no entanto, devem se cercar de atenção. Meninos e meninas com menos de 3 não estão cientes de sua força, da reação do animal, e seus movimentos podem ser bruscos, o que pode ocasionar no animal uma reação inesperada, como uma mordida ou arranhão mais forte. Para evitar esse tipo de situação, é importante que as brincadeiras sejam monitoradas por adultos.

TERAPIA 

A partir dos 12, para elas, e dos 14, para eles, a responsabilidade com o animal costuma aumentar. Nessas faixas etárias, eles podem assumir mais cuidados com os bichinhos, como trocar ração e água e passear. "Isso dá uma noção diferente para esses pequenos que estão chegando à adolescência: o olhar sobre o mundo muda quando tem alguém que depende de você", ensina Ana Carolina.

Pesquisas comprovam que conversar e brincar com animais é ainda uma solução para combater o estresse, uma verdadeira terapia. "Só a festa que se encontra diariamente quando chega em casa já é um banho de ânimo para ninguém botar defeito. Essa sensação de alegria que a interação com animais nos dá libera endorfina no cérebro, hormônio responsável pela sensação de bem-estar, além de ajudar no controle da pressão sanguínea e no sono", ressalta a pediatra. Simultaneamente, o próprio ato de brincar, passear e as atividades ao ar livre com o animal requerem esforços físicos, e exercício é saúde.

E não é só sobre cachorro. “Vale igual para qualquer bicho. Pode ser gato, peixe, tartaruga. Qualquer um”, esclarece a pediatra. A dica é saber escolher o novo integrante da família. “O ideal é que se consulte um veterinário de confiança e que se procure um bicho com temperamento parecido ao da criança – um animal calmo para uma criança mais tranquila, por exemplo”, explica Ana Carolina. Além disso, tem que ser adequado ao ambiente onde vai morar. Um animal enorme em um local pequeno, certamente, será um problema.
 
 


"A criança precisa saber que se trata de um outro ser vivo, não é o mesmo que um bichinho 
de pelúcia. Ao mesmo tempo, saber 
diferenciá-lo do ser 
humano. É um elo benéfico, mas há limites”

. Cristiane Maluf Martin, 
Psicanalista



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