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Da despensa para a pele

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Das receitas caseiras de esfoliação com fubá e açúcar às máscaras de hidratação capilar com babosa, o uso de ingredientes da despensa de casa para criar cosméticos faz parte de um movimento global de conscientização ambiental, que passa pelo consumo, pelas escolhas alimentares e pela preocupação com o meio ambiente em geral. Skinfood, cuja tradução literal significa “alimentos para a pele”, é um conceito que tem ido na contramão das grandes indústrias de beleza ao apostar no uso de produtos naturais para a manutenção dos cuidados com a pele e cabelos.


Há cerca de um ano, a empresária Natália Cruz, de 33 anos, desenvolve cosméticos naturais para as clientes de seu salão de beleza. De acordo com Natália, foram suas alergias que inicialmente a levaram a fazer escolhas mais conscientes. “Sempre leio rótulos e me informo sobre a composição dos produtos que uso, desde a pasta de dente até produtos de limpeza”, diz.
Ela destaca que as formulações naturais costumam ter menor custo e contribuem para a diminuição do impacto ambiental. “Usando esse tipo de produto, sei exatamente o que estou colocando em meu corpo e os nutrientes que estão sendo absorvidos. Também faço dos momentos de preparação dos produtos algo terapêutico”, explica Natália Cruz.
Para a empresária, essa é uma forma de se aproximar da natureza e de si mesma. “Tirar um momento para experimentar uma receita simples e natural pode nos conectar e trazer benefícios não só para nossa pele e cabelo, mas para a mente e a alma”, conta.


A educadora Mariana Cabral Soares, de 24, lembra que começou a pesquisar alternativas ecológicas quando descobriu que muitos cosméticos tradicionais tinham ingredientes perigosos para a saúde. “Foi assim que me deparei com o universo gigantesco da cosmetologia natural. O legal é que você desenvolve consciência sobre seu corpo e ganha o poder de fazer cosméticos com a sua medida exata.”
De acordo com ela, para cuidar da pele, basta um “creminho” que seja totalmente natural. “Descobri que, basicamente, se você tiver um bom conhecimento de manteigas, óleos vegetais e essenciais, você pode criar um creme sob medida para a sua pele. Também descobri que menos é mais: você não precisa de vários produtos para nutrir a sua pele, muito menos se ele tiver mais de três linhas de ingredientes no rótulo”, observa.
Atualmente, sua rotina inclui tratamento com máscaras de argila verde com blend de óleos essenciais semanalmente. “Além disso, todos os dias uso, antes de dormir, óleo vegetal de gergelim com o blend de óleos essenciais de lavanda, palmarosa, gerânio e ylang-ylang na região dos olhos, nos lábios e nos seios. Eles hidratam e nutrem minha pele”, explica.


Os óleos essenciais foram mais uma descoberta da educadora. “São a essência da planta. Eles são superconcentrados e carregam a medicina que a planta oferece, sendo que uma gota de óleo essencial equivale a 24 xícaras de chá da mesma planta. Aprendi que uma boa mistura de óleos vegetais, acompanhada de óleos essenciais específicos para minha pele, são muito mais eficazes do que os produtos sintéticos que dizem conter algum extrato de planta”, explica.

ECOLÓGICOS Para Mariana Cabral, a população finalmente está compreendendo o que há por trás das propagandas de beleza: “Produtos perigosos para nossa saúde e altamente poluentes aos rios já que não são biodegradáveis”. Ela sugere que as pessoas comprem cosméticos de produtores locais ou façam o seu próprio, para economizar água. “As grandes indústrias de beleza estão criando um condicionador que você enxágua o cabelo em três minutos para economizar água do banho. Isso é um absurdo. Essas empresas gastam uma quantidade enorme de água para criar produtos danosos para a natureza e nosso corpo e querem que nós, sociedade civil, nos responsabilizemos pela escassez de água”, aponta a educadora.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabelece uma lista extensa de substâncias controladas baseada na legislação da União Europeia, onde mais de 1,3 mil substâncias prejudiciais presentes em cosméticos convencionais já foram banidas do mercado, entre elas disruptores endócrinos e substâncias cancerígenas ou que podem causar alergias na pele.


De acordo com o médico dermatologista Fábio Gontijo, o consumidor atual tem buscado produtos menos agressivos ao meio ambiente e que sejam de qualidade e seguros para o uso. “Tem surgido muitas marcas nacionais de cosméticos naturais, feitas por meio de processos artesanais em total respeito à natureza. Isso é bem bacana, mas é importante ter sempre um bom profissional para auxiliar nos produtos adequados e nas marcas de confiança”, orienta.
Fábio explica que produtos industrializados feitos à base de alimentos são frequentemente indicados pelos dermatologistas, mas deixa claro que “em caso de doenças de pele, como infecções pelo vírus da herpes, bactérias ou micoses, é entrar com antibióticos e antivirais”, destaca.

* Estagiária sob a supervisão da editora Teresa Caram

Dicas para uma pele saudável

z As frutas vermelhas – além de deliciosas – têm ação antioxidante e combatem os radicais livres prevenindo o envelhecimento precoce da pele. A vitamina C, por exemplo, melhora a absorção de ferro. Sem contar que essas frutas têm poucas calorias, muita água e um bom teor de fibras. Entre as queridinhas estão morango, amora e framboesa.


z Os frutos do mar em geral têm altas doses de zinco e outros minerais. O zinco tem ação cicatrizante e controla a produção de sebo das glândulas sebáceas, ajudando no combate a acne pela ação anti-inflamatória. Consumir uma boa variedade de oleaginosas é o segredo para garantir boas doses de ácidos graxos essenciais, como ômega 3, 6, 7 e 9.

z Sementes de girassol são uma excelente fonte de nutrientes e contêm, principalmente, uma alta concentração de vitamina E, um importante antioxidante para a pele.

Fonte: Fábio Gontijo, médico dermatologista