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Nos passos de Jagger

Método utilizado na cirurgia cardíaca do vocalista dos Rolling Stones é menos agressivo, com mais efetividade e segurança. Técnica não é disponibilizada no SUS, o que gera polêmicas


postado em 05/05/2019 05:06

O vocalista Mick Jagger, de 75 anos, se submeteu a uma intervenção menos invasiva (foto: Chris Jackson/Getty Images/Divulgação %u2013 4/4/16)
O vocalista Mick Jagger, de 75 anos, se submeteu a uma intervenção menos invasiva (foto: Chris Jackson/Getty Images/Divulgação %u2013 4/4/16)
O astro do rock Mick Jagger, de 75 anos, vocalista da lendária banda Rolling Stones, passou por cirurgia no coração recentemente. O artista teve de se submeter a uma substituição de válvula no coração. O que chamou a atenção foi o método adotado para fazer a intervenção cardíaca. Trata-se da tavi ou tavr, que são siglas de implante (ou reposição) da válvula aórtica transcateter, aprovado na maioria dos países – inclusive no Brasil, pela Anvisa.

Segundo o cardiologista Marcus Bolívar, diretor clínico do instituto de Hipertensão de MG e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, a tavi é recomendada para tratamento de pacientes com estenose grave da valva aórtica, a porta que comunica a via de saída do coração com a artéria aorta. “A doença acomete de 3% a 5% das pessoas com 75 ou mais, embora possa ocorrer em pacientes mais jovens. A doença faz com que haja um obstáculo (entupimento na válvula) à saída do sangue bombeado pelo coração para a artéria aorta e daí ao restante do corpo”, explica.

A tavi é uma técnica menos invasiva para cirurgia no coração. Idealizada pelo cirurgião francês Alain Cribier, foi realizada pela primeira vez em abril de 2002. “Até então, o único tratamento para a estenose valvar aórtica grave era a cirurgia cardíaca de peito aberto, com o implante de uma prótese em substituição à valva doente”, comenta o cardiologista.

A tavi é uma técnica em que é possível levar e implantar a prótese valvar no lugar da válvula doente, dentro do coração, por meio de um tipo de cateterismo feito por punção na região da virilha (artéria femoral). “Ela pode ser implantada com uma simples sedação e a internação média é de apenas três dias. Estudos têm revelado menos chances de complicações e mortes com a utilização da nova técnica”, frisa o médico.

Porém, nem todos os pacientes com estenose valvar aórtica podem se beneficiar da nova técnica. “Dificuldades de acesso pela via femoral e anatomia desfavorável da valva são alguns dos entraves ao uso da técnica”, conta. Além disso, há um questionamento sobre a vida útil do método para jovens. A presença de valva aórtica bicúspide (uma alteração congênita na qual a valva aórtica tem apenas dois folhetos em vez de três e que pode evoluir para estenose) também pode constituir relativa dificuldade para o sucesso da nova técnica”, destaca Bolívar.

NO BRASIL O implante já está incorporado à rotina de muitos hospitais cardiológicos brasileiros, com certificações específicas. Porém, a grande polêmica é em relação à sua implementação no SUS e na ANS. Apesar de o PLS 688/2015, que determina a inclusão do tratamento na rede pública, ter sido aprovado em comissões federais, ainda há uma demora para a sua efetivação. “O MPF ingressou com uma ação civil pública para que a ANS aprove a inclusão da tavi no rol de procedimentos, pois essa agência já negou cinco submissões, de forma pouco fundamentada. A ação foi julgada favoravelmente em primeira instância, e está em grau de recurso”, explica Marcus Bolívar.

De acordo com ele, a discussão entre o custo e a efetividade é o principal dificultador no processo de incorporação de novas tecnologias. “No caso da tavi, já há suficientes estudos clínicos de grande porte realizados que comprovaram a superioridade da nova técnica sobre a cirurgia convencional para a maioria dos pacientes portadores de estenose valvar aórtica, mas, obviamente, não para todos”, aponta.

Marcus Bolívar garante que a tavi é bom exemplo do que a ciência e a tecnologia podem fazer pela saúde. “Há pacientes que não têm outra alternativa de tratamento, pois não reúnem condições para a cirurgia cardíaca aberta e são condenados pela gravidade da doença”, comenta. O cardiologista ainda diz que “muitas vidas têm sido perdidas pela demora da utilização do método na saúde pública e mesmo na suplementar”.

* Estagiário sob a supervisão
da subeditora Elizabeth Colares


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