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Quanto mais cedo, melhor

Especialistas defendem que a música deve estar presente na vida dos pequenos ainda na barriga da mãe. Aprendizado tem várias abordagens, de acordo com a faixa etária


postado em 21/04/2019 05:05

 Com apenas 15 anos, Isabella toca violino há quase uma década (foto: Ronayre Nunes/Esp. CB/D.A Press )
Com apenas 15 anos, Isabella toca violino há quase uma década (foto: Ronayre Nunes/Esp. CB/D.A Press )


Para profissionais da área, a música é fundamental para um crescimento saudável e deve estar presente na vida da criança até mesmo antes do nascimento: “A mãe já pode começar com estímulos vocais desde a gestação, pois ajuda no desenvolvimento da fala, do aparelho fonador. Isso passando também pelas canções de ninar, que vão dar continuidade a esse treinamento”, ensina o professor Ricardo José Dourado Freire, do Departamento de Música da UnB.


Em relação às fases de aprendizado prático, Freire detalha que existem várias abordagens. Para as crianças mais jovens, há o método Suzuki – uma filosofia que, de acordo com a Associação Musical Suzuki, defende a participação dos pais no processo de ensinamentos desde a mais tenra idade – por volta dos 4 anos. “Mas é uma adaptação que precisa de um profissional muito especializado. A faixa etária que a gente mais indica para essa introdução musical é junto ao começo da escola, geralmente aos 6, porque a criança está numa fase de aprendizado em diversas vertentes. A partir dos 10, já temos um aprendizado mais similar ao dos adultos, com foco na profissionalização.”


Para Felipe Guimarães, professor de bandolim infantil do Clube do Choro de Brasília, outro fator que pode ajudar na musicalização dos pequenos é a influência de casa. “Os pais são fundamentais nessa vontade das crianças, são uma influência direta. Se existir esse estímulo de levar o filho a espetáculos, colocá-lo para escutar os instrumentos em diferenteS ritmos, fica muito mais fácil.” Ele explica, porém, que a musicalização é uma coisa e a aula de instrumento é outra. “A musicalização é a ideia do estímulo, com vários instrumentos, na construção, apreciação musical, ambientes sonoros. Então, é algo que vai além do estúdio”, diferencia.

DESDE BEBÊ
A música faz parte da vida de Isabella, de 15, desde a barriga da mãe, a nutricionista Dulce Cardoso Batista Barradas, de 47. Ela colocava música para a filha ouvir. Com 2 anos, tinha aulas no condomínio onde mora, com a professora e cantora Célia Porto. Na época, ainda não tocava violino ou qualquer outro instrumento musical. A voz, o corpo e a família eram as ferramentas de aprendizado. “Foi algo importante não só para ela, como para mim e para o pai. O tempo que passávamos juntos na aula era de muito valor para o nosso vínculo”, relembra a mãe, que, até hoje, faz questão de acompanhar as aulas da filha.


Depois, Isabella entrou no projeto de Musicalização para Crianças da UnB, onde Célia ainda dá aulas. Com bebês de 6 meses até crianças de 5 anos, a ideia é trabalhar a percepção musical, ligada a uma diversidade de ritmo e melodia. “Além disso, ressaltamos a importância do contato com a família e promovemos o que está ficando quase extinto no mundo: o pai brincar com a criança, cantar, fazer jogos de mão, que tínhamos antes e perdemos. Ensinamos os pais a brincar musicalmente com o filho”, explica Célia Porto.


O objetivo não era transformar Isabella em uma profissional da música, nem mesmo que ela tocasse algum instrumento para sempre. Mas, de forma natural, foi o que ocorreu. Por volta dos 5 anos, ela teve contato com diversos instrumentos e acabou se interessando mais pelo violino, o qual toca na orquestra juvenil da UnB. “Quando escolhi, achei interessante o instrumento em si, toda a complexidade, o som que ele (o violino) tem, enfim, tudo isso”, explica a jovem.
Para a mãe, a música teve uma grande influência na personalidade de Isabella. “A música ajudou a agregar ainda mais valores para a vida dela, para que crescesse com um coração bom.” Sem falar na socialização: “Ela tem contato com pessoas diferentes, tem que trabalhar em equipe. Na orquestra, tem projetos com crianças”.

TRABALHO DURO Isabella estuda violino cerca de meia hora por dia e, semanalmente, tem 45 minutos de aula particular e duas horas de prática na orquestra. Haja dedicação e disciplina. Em especial para uma menina de 15 anos. Dulce acredita que a música lhe ensinou a ter comprometimento com tudo o que faz, além de ajudar na memória e na concentração. “Em tudo o que se propõe a fazer, ela se empenha. Com a audição muito apurada, na escola ela consegue aprender muito rápido, prestando atenção às aulas, e lembra de tudo que o professor ensina”, identifica.


O orgulho é claro. Em especial porque Isabella retomou uma tradição da família, com dois bisavôs autodidatas na música. No ano passado, foi a primeira vez que a tímida jovem se apresentou para os colegas da escola. Cursando o primeiro ano do ensino médio, Isabella diz que não pretende ficar só no violino: “Quero ainda aprender a tocar flauta, mas não a normal, a transversal”. Entre risos, a mãe completa: “Ela acha a flauta normal muito básica”.


“A música me preenche. Com ela, eu me sinto mais completa, dá para me expressar, eu me sinto melhor”, comenta Isabella, que já compôs três faixas no violino. “Para falar a realidade, é bem difícil, porque você começa a fazer e percebe que já existe algo parecido, mas é bem gratificante.” As inspirações para as canções foram a cachorrinha, o circo e o forró. Sobre o futuro, Isabella explica, ao lado da professora Talita Paiva, que acompanha a jovem há sete anos, que tem o sonho de se tornar médica, mas que nunca deixará a música para trás.

Palavra de especialista - Arina Botelho Gomes e Cláudia Salgado, diretoras do Allegretto

Música favorece o desenvolvimento da linguagem

 “Estudos científicos têm demonstrado os benefícios da educação musical para o desenvolvimento global das crianças, estimulando as habilidades auditivas, visuais, cognitivas, linguísticas, comunicativas, criativas, motoras e interpessoais, o que envolve os dois hemisférios do cérebro. Uma educação musical consistente favorece o desenvolvimento da linguagem, pois estimula o processamento auditivo por meio de atividades que exercitam percepção e memórias auditiva e rítmica. Promover o desenvolvimento desses aspectos perceptuais é fundamental para o sucesso na alfabetização da criança, pois assegura a aquisição de habilidades necessárias para a leitura e escrita, além de auxiliar no raciocínio matemático. Tocar um instrumento musical envolve, além da acurácia perceptiva, refinamento no planejamento e execução motora, concentração, compreensão do texto musical, memória e desenvolvimento da autoestima e da sensibilidade. A experiência musical apresenta-se também como excelente canal para sublimar o estresse, a melancolia e aquietar a alma. É comprovado o efeito terapêutico de atividades musicais com crianças com síndromes, transtornos do desenvolvimento, em indivíduos acometidos por doenças neurodegenerativas e pacientes em estados terminais. Além de todos esses benefícios proporcionados por uma sólida educação musical, ressaltamos o maior legado da música: o prazer estético, a forma sublime, encantadora e criativa de se relacionar com o universo musical, seja tocando um instrumento, cantando ou como bom ouvinte.”


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