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Responsabilidade é de todos


postado em 14/04/2019 05:06

(foto: DarkWorkX/Pixabay)
(foto: DarkWorkX/Pixabay)

O mundo e o Brasil têm avanços na educação inclusiva, mas estão longe do ideal. Na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, missão ambiciosa adotada por 184 estados-membros da Unesco, a meta é assegurar a educação inclusiva e equitativa de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos. A educação transforma a vida e é o principal impulsionador para o desenvolvimento da sociedade.

A educadora e escritora Andrea Ramal, doutora em educação pela PUC-Rio, professora de português, literatura e redação ao longo de 20 anos, frisa: “Acredito na teoria de que é melhor uma sala diversificada, tanto para as crianças das aulas regulares quanto para quem precisa de atenção. As duas vão se desenvolver mais, com a ressalva de que, da maneira como funciona hoje, não ocorre uma real inclusão, aliás, é uma inclusão excludente”.

Para Andrea Ramal, a sala de aula dialógica, inclusiva e plural é espaço de construção de novas identidades, capazes de se engajar na construção de uma sociedade justa, democrática, solidária e sustentável. Mas, no Brasil, está longe de ser uma realidade. “O professor não dá atenção, não tem capacitação e as famílias rejeitam. A sociedade não está preparada. Pior, muitos pais abandonam a escola diante de experiência negativa. Conheço muitos que colocaram o filho na escola e o tiraram. O problema é que dizem que o ‘filho não se adaptou’, quando, na verdade, é a escola que não se adequou.” Crítica, ela enfatiza que a questão é que o projeto pedagógico, na prática, não ocorre. “Vejo pais decepcionados, que não acreditam mais na escola inclusiva, porque a realidade é outra. É bem diferente do que é proposto e estabelecido em lei.”

Para a expert, apesar de a escola inclusiva ser obrigatória (Lei 13.146/2015) e ser um avanço, os resultados ainda são insignificantes. Para a transformação de fato ocorrer, Andrea Ramal indica três pilares para esse avanço. “Primeiro, a capacitação dos professores nas mais diversas demandas de deficiências. Em segundo lugar, respaldo do governo, colocando agentes educacionais especializados para apoiar o professor que tem de lidar com 30, 40 alunos em sala. O que está na lei. E, em terceiro, a escola conscientizar as famílias sobre os benefícios da inclusão para acabar com o preconceito.”

Andrea Ramal avisa que não é um caminho fácil, leva tempo. Ela reconhece que num país em que “temos escola sem biblioteca e quadra esportiva (sim, elas existem!), pode ser contraditório um passo como o da escola inclusiva. No entanto, é preciso caminhar juntos para resolver os problemas da educação no Brasil. Não dá para solucionar uma demanda de cada vez, não há tempo. Temos de pensar nesses alunos não atendidos. São gerações perdidas”.




ACESSIBILIDADE ATITUDINAL Luiz Henrique Carneiro, coordenador do Núcleo de Orientação Psicopedagógica e Inclusão do UNI-BH, o Nopi, conta que desde 2014 o centro universitário tem definidas estratégias e ações de apoio à comunidade acadêmica com atendimento especializado para a inclusão de alunos com deficiências e transtornos. “Houve um crescimento no número de matrículas desde a implantação do nosso departamento, com um boom em 2016 e 2017. Temos alunos em praticamente todos os cursos: enfermagem, medicina, medicina veterinária, enfim, um grande contingente.”

O coordenador conta que há estudantes com autismo, deficiência auditiva, baixa visão, cegos, com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e transtorno de aprendizagem: “Em 2017, o UNI-BH decretou a Resolução 21, que garante a inclusão desses alunos no centro universitário, o chamado CEP (Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão) de 30 de junho. Com ele, buscamos um processo equitativo. O aluno sinaliza sua deficiência ou transtorno, agendamos o atendimento para entender as especificidades e, assim, podemos trabalhar a individualidade e peculiaridade de cada um. Ao compreender a demanda podemos atuar durante o processo, que é bem criterioso”.

A preocupação de maior impacto no processo de inclusão no UNI-BH é quanto à acessibilidade atitudinal. Luiz Henrique explica: “Fazemos um trabalho forte em prol da inclusão com eventos, palestras e nas redes sociais. A cada ano damos passos importantes e avançamos nesse convívio, que tem sido natural. Com nossas ações, todos percebem que é possível ter um jornalista autista, um professor com síndrome de Down e um personal traineer cadeirante. Buscamos um movimento de sensibilização que envolva toda a comunidade acadêmica”. O que tem influenciado a sociedade como um todo, o que também é uma preocupação e um papel que o UNI-BH assume. Inclusive, o centro universitário desenvolve pesquisas e projetos de extensão sobre a inclusão de pessoas com alguma dificuldade.


Para ler...

O livro Inclusão escolar. O que é? Por quê? Como fazer?, de Maria Teresa Eglér Mantoan, uma das maiores especialistas em inclusão escolar no país, mestre e doutora em educação pela Unicamp, de maneira clara e didática explica o que é educação inclusiva, discute os passos necessários para implantá-la, ressalta o que a sociedade ganha com esse processo e destaca suas vantagens baseando-se na legislação sobre o tema. Livro fundamental para educadores que desejam saltar da teoria para a prática.

Serviço
Livro: Inclusão escolar – O que é? Por quê? Como fazer?
Autor: Maria Teresa Eglér Mantoan
Editora: Summus Editorial, 96 páginas, R$ 38



SAIBA MAIS
Rompe-se a exclusão

De acordo com a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, criada pelo Ministério da Educação em 2008, os estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, segmentos que compõem o público-alvo da educação especial, têm o direito a frequentar a sala de aula comum e, quando necessário, receber atendimento educacional especializado no período inverso ao da escolarização. Historicamente, essas pessoas foram excluídas do sistema educacional ou encaminhadas para escolas e classes especiais. Como resultado da implantação da referida política, entre 2007 e 2014, as matrículas desses estudantes em escolas regulares subiram de 306.136 para 698.768 (aumento de 128%). Em 2014, 78,8% desses estudantes matriculados na educação básica estavam estudando em salas comuns, sinalizando rompimento com o histórico de exclusão. Os desafios implicados na ampliação desses expressivos avanços envolvem a continuidade de investimentos na formação de educadores, no aprimoramento das práticas pedagógicas, na acessibilidade arquitetônica e tecnológica, na construção de redes de aprendizagem, no estabelecimento de parcerias entre os atores da comunidade escolar e na intersetorialidade da gestão pública.

Fonte: Observatório do Plano Nacional de Educação (PNE)


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