Sentimento de impotência, descrédito em si mesmo, depressão e baixa autoestima. Esses são alguns dos sintomas de pacientes que, após se submeter à cirurgia bariátrica, observam que o peso voltou a aumentar descontroladamente. Segundo especialistas, o pós-operatório é a principal causa da recidiva. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), a deficiência no tratamento é quando o paciente recupera 50% ou mais do peso perdido ou teve recidiva de 20%.
O Brasil é considerado o segundo no ranking em número de cirurgias bariátricas e as mulheres representam 76% dos pacientes. Segundo o médico Henrique Eloy, especialista em cirurgia e endoscopia bariátrica e gastroenterologia, os pacientes que têm problema com álcool, em média 25%, e seu uso abusivo no pós-operatório são uma das principais causas da recidiva. “Isso ocorre devido à mudança na absorção de álcool pelo organismo após a cirurgia. Com a alteração do aparelho digestório, a substância passa direto para o intestino e é absorvida mais rapidamente, além de demorar mais tempo para ser eliminada”, explica o médico.
Ainda conforme o especialista, além de bebidas alcoólicas, fica também o alerta para outros produtos de aspecto pastoso e gelatinoso, como leite condensado, milk-shake, refrigerantes, energéticos, sucos engarrafados, iogurtes e outros industrializados. “Todos com teor calórico elevado, a ponto de trazer de volta todos os quilos perdidos durante o tratamento”, ressalta Henrique.
Para o cirurgião, o sucesso na perda de peso no pós-operatório envolve fatores mecânicos, como o tamanho da redução da capacidade gástrica e do diâmetro da saída do estômago, assim como também de diversos fatores hormonais. Cada caso deve ser individualizado. Para alguns, existe a possibilidade de se realizarem suturas por endoscopia com o intuito de diminuir ainda mais o tamanho do estômago remanescente ou de sua saída para o intestino. “Efetuar uma segunda operação deve ser sempre muito avaliado, pois os riscos operatórios são bem maiores que os da primeira operação e os resultados são pouco satisfatórios”, alerta o especialista.
INDICAÇÃO “As indicações para a cirurgia bariátrica são muito bem estabelecidas tanto pela Agência Nacional de Saúde (ANS) quanto pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). O critério utilizado para a indicação da operação é o chamado Índice de Massa Corporal (IMC), que se obtém dividindo o peso, em quilos, pela altura, em metros, ao quadrado. Se o resultado for acima de 40 – ou acima de 35, associado a qualquer doença que seja agravada pela obesidade –, a cirurgia bariátrica é indicada”, esclarece o médico.
As principais doenças associadas à obesidade são hipertensão arterial, diabetes, alterações de colesterol e triglicérides, apneia do sono e problemas articulares, entre outras.
“As principais causas da recidiva são bem conhecidas, como a transgressão alimentar e, especialmente, a bebida alcoólica, o sedentarismo e as alterações psíquicas não tratadas. O ideal é que nunca ocorra, mas ela é especialmente maléfica nos pacientes que já apresentavam diversas doenças associadas antes da operação, pois, nesses casos, a recidiva da obesidade pode trazer consigo todas essas doenças, que comprometerão a expectativa de vida do paciente”, ressalta o médico.