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Somente o necessário

Justificativa de quem se desapega de bens materiais é que vive com menos obrigações e, portanto, com mais tempo para se dedicar àquilo que realmente lhe traz felicidade


postado em 24/02/2019 05:08

A servidora pública e artista plástica Rachel Lima diz que perceber o exagero externo foi um exercício de autoconhecimento e a fez notar o excesso interno (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press )
A servidora pública e artista plástica Rachel Lima diz que perceber o exagero externo foi um exercício de autoconhecimento e a fez notar o excesso interno (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press )

 

 








Os minimalistas têm aquilo de que precisam e não acumulam objetos sem utilidade. Pensam duas, três, quatro vezes antes de adquirir algo e só compram o que realmente precisam. Com isso, podem até viver com menos dinheiro, trabalhar menos horas e investir mais tempo naquilo que realmente traz felicidade. Para a professora Suely Guimarães, doutora em psicologia do UniCeub,  quem se desapega de bens materiais vive com menos obrigações e, por consequência, se beneficia de um estado mental mais leve. “A pessoa pode usar o dinheiro que gastaria em compras com uma viagem, por exemplo”, garante.

Uma pesquisa da Box 1824, empresa de mapeamento e estudo de comportamento de consumo e tendência de mercado, mostrou que o chamado lowsumerism – junção dos termos low (baixo) e consumism (consumismo), significando redução do consumo – está crescendo. “Conversamos com muitas pessoas, não só do Brasil, mas da Ásia, Europa, Estados Unidos, e percebemos que elas estão fazendo uma série de questionamentos sobre o consumo excessivo”, afirmou Henrique Diaz, diretor de Planejamento da Box 1824.

Para ele, os jovens estão entendendo que a forma como o mundo adquire bens não é viável a longo prazo e que a autoestima deles está sendo construída em cima das coisas erradas. Um dos catalisadores dessa mudança de comportamento, segundo Diaz, é a internet. “Nela, há uma infinidade de instrumentos de educação financeira e ambiental.” Além disso, ela teria incentivado uma nova mentalidade de consumo: a da economia compartilhada, que incentiva o acesso, não a posse. É o caso da bicicletas alugadas e de plataformas como Netflix e Spotify, em que não é necessário ter o DVD de um filme ou o CD de uma banda para curti-los.

PROCESSO

Aos 26 anos, a servidora pública e artista plástica Rachel Lima, hoje com 35, assumiu um cargo de chefia. O trabalho era tão estressante e a responsabilidade tão grande, que quase todo o salário que recebia era gasto em coisas de que ela não precisava, especialmente roupas. Era uma forma de Rachel sentir algum prazer. “Sempre fui de me analisar muito, então, comecei a notar esse meu comportamento e achar que estava errado”, relembra.

Foi nessa época que conheceu o minimalismo e percebeu que aquela seria a saída para as angústias que vivia. O impulso de comprar mais e mais deu lugar à autoavaliação e à reflexão sobre as suas reais necessidades. “Quem compra muito quer preencher algo dentro de si e era isso que eu fazia”, conta. Acabou fazendo uma grande limpa em casa, doou peças de roupa e de decoração, e se tornou uma pessoa mais básica no modo de se vestir. Com os diversos bem materiais dos quais se desapegou, também se despediu de sentimentos que lhe faziam mal.

Em outros tempos, Rachel pensava em sair da quitinete onde vive para um apartamento maior e mais espaçoso. Atualmente, é plano abandonado. Ao contrário, fez até uma reforma. Antes, sala e quarto eram separados. Então, decidiu unir tudo e ter um espaço mais a cara dela. Para não ser tentada a voltar aos velhos hábitos, deixou de seguir influenciadoras digitais e, a cada três meses, faz uma varredura na casa para ver se não há coisas inúteis guardadas.

Perceber o exagero externo foi um exercício de autoconhecimento e a fez notar o excesso interno. De 40 horas, diminuiu a carga horária de trabalho para 30. “Se não trabalhasse tanto, ficaria menos estressada. Menos estressada, não preciso comprar tanto para me sentir bem e posso viver com um salário menor”, concluiu. A decisão é alvo de críticas. Segundo a servidora, alguns colegas e familiares acreditam que se trata de falta de ambição, não entendem como ela pode escolher ter menos dinheiro. “A gente não precisa ganhar mais. A gente precisa gastar menos. Agora, tenho mais tempo para visitar meus pais, ficar com meus cachorros, visitar amigos”, justifica.



. Armário cápsula

O conceito surgiu na década de 1970, com a estilista Susie Faux. “Ela imaginou a possibilidade de ter um armário com poucos e bons itens que combinassem entre si”, explica a consultora de imagem Shaila Manzoni. Segundo ela, alguns dos benefícios são aproveitar melhor as peças que tem; economizar, otimizar espaço, não ter a sensação de abrir o armário e não saber o que vestir e descobrir o próprio estilo. Saiba como fazer:

Escolha apenas peças que você realmente ama e vestem bem.
Priorize os básicos que combinam com tudo, desde que sejam do seu gosto.
Leve em conta seus compromissos e estilo de vida.
Teste se os modelos combinam entre si.
O conceito de guarda-roupa cápsula soma 33 peças para serem usadas durante três meses. Mas não se prenda a esse número. As necessidades das pessoas são diferentes. Portanto, monte o seu armário com a quantidade de peças que for melhor para você.

Fonte: Shaila Manzoni, consultora de imagem


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